As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

domingo, 17 de fevereiro de 2019

ENVOLVENTE RELICÁRIO


Dulce A.S.Fernandez



Oh! sol! que no tear dos dias
Eclodes a repartir calor, claridade...
Mandaste um de teus ramos
Tão  acariciante!  Solto e  alegre,
Entrou pela antiga janela da sala
E, docemente, amenizou as dores
Da idosa e sonhadora senhora.
E de dourado  ia se  pintando a tarde.

Curioso, cheio de feixes de ouro
Inundou a sala de luz.
- Mas que lindo!  Disse ela
Olhando as flores iluminadas
No jarro de violetas sobre o linho
Bordado delicadamente de fios de seda.

O envelhecer deu-lhe tanta formosura:
No vestido de chita estampadinha;
No alto da cabeça,  um birote;
Olhos cor- de- rosa teciam lembranças.
Naquele aposento, vestido de silêncios,
Brotaram recordações de  tempo  tão distante...

Na arca dessas  recordações
Mil cancelas foram abertas.
E, o raio de sol, admirado, envolvente,
Ouviu  histórias mirabolantes:
Festa de tempos dourados;
Grinalda banhada de perfume
Matizada com explosões de amor.
E o coração grisalho foi cantando
Sonhos, verdade, morte,
Que, se juntaram, se entrelaçaram
Na misteriosa beleza da vida.
                                                                                                                
Na poltrona, a boneca de feltro
De olhos de contas  sorri;
No quadro da janela aberta,
Visão do belo jardim,
Nas roseiras, brilha um novo rocio;
E numa nesga do céu,
Súbito, passam  aves
Formando um bando triangular.
Emocionado,  o ramo de sol, em despedida,
Oscula a face da encantadora senhora.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Hoje é Dia da Saudade


Cartinha ligeira endereçada à Saudade
Olivaldo Júnior
Querida Saudade

            Sei que anda sem tempo para este poeta, este ser que lhe escreve meio às pressas, na hora do almoço, entre uma e outra garfada de arroz com feijão, marmita preparada pela mãe, que tanto amo, tanto a marmita quanto a mãe, é claro! Mas, se tiver um tempinho para mim, por favor, me deixe cumprimentá-la em seu dia. Sim, hoje é o Dia da Saudade! Sabia disso, menina? Inventaram um dia para você, só para lembrar que você existe e faz parte da vida.
            Já me nomearam de poeta do adeus há um tempo. Não acho que o seja, mas nomenclaturas e alcunhas são algo que não se escolhe. Assim, ao lado de Vinicius, de Cecília, de Bandeira, de Drummond, de Quintana e de tantos poetas cânones da Poesia dita Brasileira, saúdo você, Saudade, com as letras que aprendi na Escola! Saudade da primeira professora, Dona Zizinha, com quem a aprendi a ler e a escrever. Nem mesmo eu sabia que era poeta.
            Poeta, aliás, de forma geral, Saudade amiga, é amigo de você, que tanto ajuda a gente a ter assunto, afinal, como dizia Cecília, a Meireles, ”De que são feitos os dias? / - De pequenos desejos / vagarosas saudades, / silenciosas lembranças.”. Ê, Cecília, sempre certeira! É isso mesmo. Nossos dias são feitos de reminiscências, retalhos de vida que alinhavamos um no outro, para, ao fim da existência, na “noite da vida”, termos “coberta”.
            Sinto, amiga Saudade, muita saudade do que não fui, não consegui ser. E, além disso, da minha avó materna, dos meus avôs, da minha infância, quando eu não sabia nada de nada, e a vida era um acordar e ir para a escola, voltando para casa recolhendo flores de buganvília, a famosa primavera, só para ofertá-las a minha mãe ao chegar em casa. Saudade... Soluço abafado, lágrima exposta e logo enxuta, mas nunca estanque. Saudade, a grande saudade!
            Meu irmão pequeno, minha vida em cores, meu amigo que não chegou (meu burrinho azul, já que eu sou o menino azul, hehe), noites em que vi uma estrela cadente descendo à Terra, saudade, oh, Saudade, dos sonhos mais puros que não deram em nada! Sopro de ausência sobre todo o presente, você, Saudade, soluça comigo quando os olhos marejam e me perco em mim mesmo, no mar absoluto em que navego e, saudoso, transponho o meu mar.

Com saudade,
de algum lugar do passado,
Olivaldo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Milagrar de flores


Crônica da segunda-feira
Olivaldo Júnior

Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo – elas
podem um dia milagrar de flores.
Manoel de Barros, poeta brasileiro

E não realizou muitos milagres ali, por causa da incredulidade deles. Mateus 13:58

            Hoje, de manhã, no meu caminho habitual, na rua que ladeia a escola em que trabalho, vi uma porção de minúsculas flores se mexendo em fila indiana, como se fosse por mágica, ou, melhor ainda, por milagre. Eram florezinhas amarelas, bem miúdas, se movendo, tênues.
            Eu, quando vi aquelas florezinhas “caminhando”, sabia que, por trás daquela aparente mágica, ou radiante milagre, havia uma formiga, e mais uma, e mais outra, como se desfilassem pela calçada, tão esburacada quanto nosso ânimo em crer nos pequenos milagres.
            Particularmente, acho tudo um milagre. Não que não me revolte com muitas coisas que têm acontecido no mundo, mas aquele “milagrar de flores” que as formigas dessa segunda-feira me proporcionaram rendeu-me pelo menos uma crônica e o instante ao vê-las.
            Segunda-feira, aliás, tem tudo a ver com formiga. Ativas por natureza, vão e vêm o dia inteiro, como se a razão da vida delas fosse o trabalho. Workaholics, ou seja, viciadas em trabalho, lidam com as coisas como se a vida precisasse ser (re)construída a cada momento.
            Milagrar. Esse verbo, presente num poema de Manoel de Barros, poeta brasileiro, é um verbo bonito. Crer nos milagres também é milagrar um pouco. Eu já milagrei bem mais do que tenho milagrado hoje. Talvez, por isso mesmo, eu tenha visto de manhã o meu “milagre”.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Retrospectiva da Literatura em 2018

Retrospectiva da Literatura em 2018

Janeiro
O escritor e jornalista Cecílio Elias Netto lança mais uma obra: “250 anos de Caipiracicabanidade”, em dois eventos, um para a imprensa, no Museu Prudente de Moraes e outro para o público no armazém 14 do Engenho Central.

A escritora e poetisa Luzia Stocco lança o romance ficcional “Eles querem a ponte”

Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins, escritora e poetisa, autografa seu livro infantil “Patuskinho”  ilustrado pelas três netas: Isadora, Sophia e Agnes

Fevereiro
Gustavo Jacques Dias Alvim participa da retrospectiva Literária no Recanto dos Livros

Março
10 de março – Inauguração das novas instalações do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba no bairro Jaraguá

A escritora Ivana Mara França de Negri participa da retrospectiva Literária no Recanto dos Livros.

Abril
Pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, lançamento do livro  “Alma Libanesa, Coração Piracicabano” de Antonio Jorge Kraide, obra compilada pelo seu neto Victor Kraide Corte Real.

O poeta Esio Antonio Pezzato participa da retrospectiva no Recanto dos Livros.

Maio
Cecílio Elias Neto, com sua filha Patricia Fuzeti Elias e Arnaldo Branco Filho, lançaram “Mulheres Semeadoras de Cultura” no teatro do Engenho de Piracicaba

No dia 26, o  IHGP, através de sua presidente Valdiza Caprânico,  relançou a obra “ O Mestre da Terra”, na sede do Instituto, livro que retrata a vida de Hugo de Almeida Leme.

Os irmãos Newman e Douglas Simões são os convidados para a retrospectiva no Recanto dos Livros.

Junho
A Academia Piracicabana de Letras realiza no anfiteatro da Biblioteca Municipal, a posse da nova diretoria que tem como presidente Vitor Vencovsky e vice Cassio Camilo Almeida de Negri.

No SESC, lançamento do livro “Nosso Pecente, a Vida de um Grande Campeão” de autoria de Sonia Maria Fonseca B. Barretos.

Julho
28 - Lançamento da biografia do Monsenhor Juliani, pelo jornalista Edilson Rodrigues de Morais e apoiado pelo IHGP.
31 – Sessão magna do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba pelos seus 51 anos e 251 anos da cidade.

Agosto
Em sessão magna no aniversário da cidade, a Câmara de Vereadores de Piracicaba homenageou pessoas que se destacaram em suas áreas, entre elas a acadêmica e historiadora Marly Therezinha Germano Perecin.

15- Lançamento da 16ª edição da Revista da APL na sede do Instituto Beatriz Algodoal

15 - Falece Gustavo Jacques Dias Alvim, ex-presidente da APL causando grande consternação nos meios culturais.

18- Irineu Volpato participa da Retrospectiva Literária no Recanto dos Livros

No  8º Concurso Microcontos de Humor de Piracicaba/2018 vários piracicabanos selecionados: Luís Henrique Sacchi ficou com a segunda colocação e Kaykhe Florida, Eduarda Lazari Guidetti, Camilo Irineu Quartarollo, Rodrigo Castellani, Leda Coletti  e Francyne Michelle Ferreira dos Santos foram selecionados para a antologia.

Ivana Maria França de Negri ganhou Menção Honrosa – quarto lugar (46 clubes participantes de 26 cidades, 170 obras inscritas) no 8º Prêmio Nacional de Literatura de Clubes na categoria crônica, uma realização da Academia Paulista de Letras e FENACLUBES. Representante do Clube de Campo de Piracicaba.
O SESC de Piracicaba lança o livro de Ismael Xavier “Sétima Arte: um culto moderno”

Setembro
No auditório da Câmara de Vereadores,  mais um livro de Cecílio Elias Netto lançada , com a coautoria de Ronaldo Victória e Arnaldo Branco Filho: “ Cem anos de Imigração Japonesa em Piracicaba”.

A escritora, poetisa e artista plástica Elda Nympha Cobra Silveira recebeu o Troféu de Mérito Cultural Branca Motta de Toledo Sachs, de Literatura, entregue pela SEMACTUR a quem se destacou em sua área durante o ano.

Elda Nympha Cobra Silveira também ganhou menção honrosa na categoria Poesia no Concurso Literário “Poemar” de Pomerode Santa Catarina

No Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba foram lançadas no dia 22, duas obras: a Revista do IHGP e o Piracartum, uma homenagem aos vários cartunistas piracicabanos que participaram do Salão de Humor nos 45 anos de existência.

Falece em 24/09 o escritor e historiador Pedro Caldari, ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e ex-membro da Academia Piracicabana de letras.

Laura Capaldi Arruda lançou na Biblioteca Municipal seu livro de contos e crônicas “Noturno” O presidente da Academia Piracicabana de Letras Vitor Vencovsky, participou das comemorações dos cem anos da imigração japonesa em Piracicaba com exposição de fotos no Shopping Piracicaba tiradas durante os anos em que morou no Japão.
Outubro
Em 4 de outubro Persio Faber lança “Rir é a Melhor Receita para Viver Bem” na sede da APDC

Em 6 de outubro Geraldo Victorino de França autografa o seu quinto livro da série “Aprendendo com o Voinho” no Recanto dos Livros

 Nos dias 19, 20 e 21 é realizada a terceira edição da FLIPIRA – Festa Literária de Piracicaba

Novembro
Gilberto Pompermayer lança o livro “Os tesouros do tempo”

Ivana Maria França de Negri lança pelo IHGP a Lenda da Inhala Seca para crianças com ilustrações de Ana Clara de Negri Kantovitz

O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba apresenta a revista especial dos 50 anos do INGP com textos de vários colaboradores. Comemora os cem anos da Sapucaia e empossa novos membros.

Na sede do IHGP – Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba -  acontece hoje, às 10h,  o lançamento do livro JIC MENDES, ILUSTRADOR, escrito por José Ignácio Coelho Mendes Neto.

Dezembro
1 de dezembro – Confraternização dos acadêmicos da APL (Academia Piracicabana de Letras)  no Instituto Beatriz Oliveira Algodoal
15 de dezembro – Confraternização dos grupos CLIP e GOLP na Biblioteca Municipal

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ano-Novo


NOVOS TEMPOS

Lídda Sendin

A vida é feita de tempo
Que nunca volta atrás,
Às vezes, ele é lento,
Às vezes, ele é voraz.

Pra alguns, o tempo é dinheiro,
Que pensam como ganhar,
Fazendo como o guerreiro,
Que só vive pra lutar.

Pra outros, a vida é ilusão,
O que buscam é sonhar,
Usando seu coração
Para rir e pra sonhar.

Porém, no tempo de vida,
Que é dado a cada um,
Toda hora que é perdida,
Não leva a lugar nenhum.

Do tempo que a vida tem,
Nada podemos levar,
Mas sabendo viver bem,
Muito se pode deixar.

Assim, que no Ano que vem,
No tempo que se refaz,
Cada ação seja pro bem,
Pra termos tempos de paz,







NO ANO NOVO
Lídia Sendin

Quero o vai e vem das marés:
Altos e baixos, côncavo e convexo,
Nada linear, nada com nexo.

Mais planícies cheias de montanhas:
Rios no meio do deserto,
Nuvens escuras, tempo incerto.

Dentro do silêncio, um ribombar fugaz:
O susto de um trovão,
O ritmo acelerado do coração.

Nada de “plácido repouso”:
“Brancas nuvens”, nunca mais,
Só passar por aqui, sem viver, jamais!

De que me adianta essa vã rotina:
Neurônios frouxos, sinapses petrificadas,
Mesmas ruas, mesmas caminhadas.

Não, ao mero desfilar de fatos:
Quero paixão, perplexidade,
Pois, para o descanso eterno,
Terei a eternidade.





Para o Ano Novo
Lídia Sendin

É Ano Novo,
Novinho em folha,
Começa agora, neste momento,
São novos dias, novas escolhas,
É esperança de um novo tempo.

As linhas brancas e paralelas,
No infinito vão se encontrar,
O que escrevo no meio delas
Dá pra rir, dá pra chorar.

O importante é que entre elas
Sempre se acha
Alguma coisa para mudar,
Reescrever, passar borracha,
Trocar linguagem,
Não desistir e com coragem,
Reinventar.

Algumas linhas ficam em branco.
Outras, de fato, estão repletas.
Se sinuosas ou se são retas,
Estejam cheias, ou incompletas.
Tudo isso, pouco importa.
Deus escreve por nós também,
Mesmo que a linha esteja torta,
Ele escreve, e muito bem!










quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

ARTIGO DE NATAL


                       

                                                                       Pedro Israel Novaes de Almeida

                  A vida de colunista colaborador é um martírio.
            Na semana que separa o Natal do Ano Novo, a exigência é escrever a respeito de temas relacionados à época. Nada relacionado à corrupção, safadagem, desemprego e política.
            Papai Noel é um verdadeiro herói. Percorre o mundo todo, obrigado a usar roupas pesadas, até em países quentes.
            Fabrica brinquedos sem o incômodo dos regulamentos que tratam de patentes, impostos e selos do Inmetro. A distribuição não está sujeita a qualquer alfândega, e o estacionamento é feito sobre os telhados, o que impede qualquer multa.
            O bom velhinho toma para si a culpa pela pãodurice de determinados pais, que enfrentam a reação dos filhos dizendo que a escolha foi de Noel. Tem dificuldades em selecionar presentes, nos tempos modernos, e nota o vertiginoso aumento de meninos que pedem bonecas e meninas que pedem estilingues.
            Em ano eleitoral, recebe estranhos pedidos, como Lula Livre, Fora Temer e Mito Já. Uma multidão resolveu encomendar um Habeas Corpus preventivo, em caso de condenação em segunda instância.
            Meninas e meninos encomendaram uma indicação segura, de aplicadores de silicone, principalmente em glúteos e seios. Noel estranhou o pedido de jovens, que encomendaram calças jeans previamente rasgadas.
            Garis pediram, desesperados, para não serem presenteados com os panetones de sempre, com uma uva passa a cada quilo de massa. Pediram também a distribuição generalizada de sacos de lixo grandes, pois já não suportam sair por aí, equilibrando saquinhos de supermercado.
            Entidades sociais, de defesa animal, emitiram notas de protesto contra os engraçadinhos de sempre, que confundem renas com veados, e pediram o apoio de Noel.  Algumas entidades imploraram que Noel passe a usar um helicóptero, livrando as renas de tanto esforço.
            Ambientalistas pediram ajuda ao bom velhinho, para a proibição de lampadinhas chinesas, nas árvores de Natal, que acabam sempre torradas. O Corpo de Bombeiros subscreveu o pedido.
            O pedido mais numeroso veio de pessoas do mundo inteiro, encomendando rojões que estouram nos fundilhos dos fogueteiros. Cães e gatos aplaudiram o pedido, clamando pela excomunhão dos idiotas que insistem na ridícula e doentia mania de soltas fogos sonoros.
            Migrantes fizeram pedidos mas não conseguiram informar endereços, mas Noel deve encontra-los, rastreando sofrimentos e incertezas. Pobres em geral fizeram a emocionante encomenda de cura das viroses, seguidamente diagnosticadas por médicos cubanos.
            A todos, um feliz natal, de preferência sem a visita das dezenas de cunhados, cunhadas e filhos, que se dedicam a um cansativo abrir e fechar de geladeira. A todos, um próspero Ano Novo, repleto de promessas de emprego e discursos.
            À Polícia Federal, desejo um ano trabalhoso, repleto de mandados de prisão, busca e apreensão. Consegui, afinal, escrever um artigo comentando o Natal e Ano Novo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Deus Conosco



Lídia Sendin

Mais um Natal se aproxima,
Abraços, presença e luz,
Que ao mundo todo ilumina
E ao comércio seduz.

Hoje falamos de amor,
E de adeus ao Ano Velho,
Mas poucos veem o Senhor
Que nos trouxe o Evangelho,
Boas Novas de Esperança
Para um futuro de paz
E também boas lembranças
Do passado ele nos traz.

Num mundo de ansiedades,
Medos e depressão,
Há que buscar a verdade
No Cristo da Salvação.
E é nesse Jesus que renasce,
Que está o alivio da dor,
Pra quem nele permanece
Deus Conosco é o Senhor.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

VISITA DE TODOS OS DIAS



Maria Madalena Tricânico de Carvalho Silveira

O moço da guarita abre a chancela e como de costume, faço meu cumprimento e informo meu destino.
- Bom dia! Vou no Recanto dos Livros!
Vou dirigindo e admirando o paisagismo brilhante, resultado da chuva no dia anterior. Fico até com vontade de cantar, rezar e acabo agradecendo a Deus por tanta beleza.
Passando pelos corredores, vejo uma senhora alta, loira e bem vestida. Fico com vontade de conversar e antes que eu fale alguma coisa, ela me surpreende com sua simpatia.
- Estou esperando uma visita. Ele vem todos os dias! Você precisa conhecê-lo, vai gostar muito dele e seu nome é Cauam...vamos conversar um pouco ou você está muito ocupada?
Sentei numa cadeira ao seu lado, e antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta, ela me questionou:
- Você é casada, teve filhos, quantos?
- Sou viúva, meu marido viajou antes do combinado para o andar de cima. Tive  duas filhas e dois filhos. Falo tive porque hoje estão casados e cuidam de mim. E a senhora?
- Ah! Então você tem netos?
- Tenho três netas,  cinco netos e mais os filhos de meus amigos que me chamam de vó. Já tenho uma neta casada. A senhora nasceu em Piracicaba? Faz tempo que é moradora no Lar?
-O que vocês fazem  lá no Recantos dos Livros?
- Nós recebemos os livros, arrumamos nas prateleiras conforme o assunto, limpamos e vendemos por preços módicos. Trazemos guloseimas para partilharmos com nossos colegas voluntários e com as visitas que vem comprar livros, CDs, discos de vinil ou revistas. No final do expediente, o valor arrecadado é levado para o presidente do Lar. A senhora não conhece nosso Recanto?
-Conheço...será que minha visita vem?!
- Gostaria de conhecer sua visita, mas tenho que voltar para minha missão. Meu pensamento começou a me questionar. Percebeu como só você falou? Ela só faz perguntas! Qual seria sua profissão quando ainda trabalhava? Crio coragem e pergunto!
-Eu? Ah! Trabalhei muito, muito mesmo e em tantos lugares. Nunca fui de ficar parada... e você qual sua profissão, fez faculdade?
Olho para ela e tenho certeza que foi jornalista. Olho com mais carinho ainda em consideração aos meus amigos jornalistas e a minha neta primogênita jornalista dos tempos modernos. Esta eu perdi...esta eu perdi! Vim ciente que ia escrever sua história.
- Me dê licença mas preciso ir. Outro dia conheço o Cauam!
-Não! Ele vem vindo...olhe que lindo...veja seu caminhar.
- Olho por todo o jardim e não vejo nada até que um cachorro de porte médio,  cor caramelo de olhos e pelos brilhantes, chega de mansinho e se aconchega bem perto de suas pernas.
-Ah! Meu amigo...como você demorou...
Observo a cena da senhora conversando com sua visita diária e percebo que ela esqueceu de mim e que minha presença se tornou desnecessária. Parece que estou vendo meu marido, mineiro das Minas Gerais, rindo e falando – Foi buscar lã e saiu tosquiada.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

MEU SÁBADO


Carmelina de Toledo Piza

Amanheceu
Fui para o ensaio
Toquei pandeiro
Mas no do tocando em frente
A emoção. O choro. As lembranças.
A vida passada a limpo.
De um lugar para outro
Lugar encantado
Encontrei. Homens. Mulheres. Crianças. Bichos.
Queria ir embora
Os livros me tolhiam
Ficava, olhava e desejava mais e mais livros
O lugar encantado
Onde homens. Mulheres e
Crianças se encontram para organizarem
Livros e Revistas
CDs. Discos e Vídeos
Esse é o canto
Do encanto
Que essas pessoas se encontram
Todos os sábados
E viajam com as histórias dos livros e mais livros
No recanto dos livros
Do Lar dos Velhinhos
É esse o lugar encantado.

                                                                                       

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Vivência de projetos escolares (2018)


                                   

                                                                    Leda Coletti

            Felizmente no decorrer de nossa existência vivemos momentos bons que nos incentivam a  continuar sonhando com um futuro feliz para o Brasil.
            Nós integrantes de entidades literárias -Centro Literário de Piracicaba-( Clip)  e Grupo Oficina Literária de Piracicaba- (Golp), temos tido oportunidades de constatar algumas vivências produtivas e felizes do cotidiano de escolas estaduais  piracicabanas de ensino fundamental, que atualmente funcionam em período integral, através dos projetos escolares que desenvolvem semestralmente.  Neste ano, em três delas, pelo que testemunhamos no desempenho dos alunos, concluímos o quanto é importante, maior tempo de dedicação aos alunos, por parte de profissionais competentes. Uma delas se localiza na área central- EE Dr. Prudente, e as outras duas em bairros periféricos:  EE  Dom Aniger  F. Melillo e EE Prof. Manassés E. Pereira.
            Ao lado das atividades desenvolvidas nos saraus literários, onde as manifestações artísticas dos alunos se evidenciaram (poesia, contação de histórias, músicas, danças), aprendemos muito  com eles (não é maravilhoso?), através da exposição de outros projetos desenvolvidos e  para nós demonstrados,  nas diferentes áreas de conhecimento. Assim os relacionados com plantas medicinais, diferenças ambientais e climáticas, tecnologias atuais como robótica etc.
            Numa dessas instituições educacionais  visitamos a horta comunitária  onde plantam verduras, legumes, grãos,  motivo de integração com a comunidade, pois há o dia especial da colheita e tudo que foi produzido é distribuído para pais e alunos.  Também  possuem o jornal escolar e mural compostos por trabalhos escritos pela equipe administrativa , docente e discente, os quais enfatizam as atividades escolares realizadas no ano letivo. Ambos,  ricos em conteúdo e ilustrações. Uma nota num deles chamou a atenção: “Acolhedores 2016,17 e 18”, ou seja, os próprios alunos escrevendo sobre esta experiência realizada nestes anos citados, em que recepcionaram os alunos que chegaram para cursar o quinto ano. Manifestaram-se  orgulhosos  por acompanharem os calouros na nova etapa  escolar.
              Em anos anteriores, nossa equipe literária realizando algumas oficinas literárias  constatou outras experiências valiosas, em escolas que funcionam em tempo parcial; estas só acontecem graças ao desvelo e esforço contínuo da equipe escolar. Somos de uma geração que prioriza o trabalho escolar desenvolvido pela boa escola, isto porque sabemos que, graças a ela teremos um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes. O Brasil tem condições de ser o maior celeiro do mundo, não só pelo que a natureza pródiga pode produzir, mas por seu povo, se este receber educação aprimorada nas escolas. Elas, ao lado das famílias bem constituídas podem desenvolver e promover o ser humano, tornando-o realizado como pessoa e profissional. Isso pode se concretizar se nossos líderes políticos e sociais assumirem a responsabilidade de procurarem servir à comunidade, com  muito zelo e sobretudo honestidade.