As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

domingo, 15 de janeiro de 2017

Profissões extintas


Ivana Maria França de Negri

De tempos em tempos, várias profissões desaparecem e outras novas surgem, conforme as necessidades ou mudanças de costumes.
Por força da tecnologia esse processo está cada vez mais acelerado, e de modo inexorável, vão sendo decretadas mortas algumas profissões.
Alguém já ouviu falar do acendedor de lampiões? Eles eram incumbidos de acender todos os dias os lampiões de querosene quando anoitecia e os apagavam ao nascer do sol. Com a chegada da eletricidade, a profissão acabou.
Telefonista era uma atividade em alta. Dela dependiam todas as ligações interurbanas. Hoje, com os celulares, esse trabalho não faz mais sentido.
Algumas profissões nos levam ao riso hoje, mas na época, tinham sua importância, como o arrumador de pinos de boliche, que a cada jogada armavam rapidamente os pinos para novas jogadas. Hoje tudo é feito eletronicamente.
Quando não havia refrigeração, o leite era entregue todos os dias diretamente das fazendas, e quem o fazia era o leiteiro. E também o padeiro entregava os pães quentinhos. As cidades eram pequenas e todos se conheciam. Hoje em dia, nas grandes  metrópoles, ninguém conhece mais ninguém e abrir um portão é tarefa difícil devido ao medo de assaltos. Somos cercados de grades, cadeados, cães de guarda e câmeras.
Algumas profissões agonizam, como é o caso dos alfaiates e modistas, pois comprar roupas prontas é muito mais fácil e até mais barato.
Engraxates também estão em vias de extinção. As pessoas preferem tênis ou sapatos de outros materiais, que não o couro, e não prezam tanto sapatos brilhantes como no passado, quando as ruas eram de terra batida e sujavam muito mais.
O amolador de tesouras, que era ouvido pelo toque de sua gaita, não se vê mais há muito tempo. Muitas profissões acabam  porque  filhos e netos não se interessam em seguir o ofício dos pais e avós. Preferem as áreas promissoras da informática,
A indústria chinesa contribuiu muito para a derrocada de muitos profissionais por terem barateado tanto os produtos de má qualidade que as pessoas não mandam consertar nada, tudo se torna descartável. Quebrou, vai para o lixo, e quem arrumava, ficou sem trabalho. Relojoeiros são raridade, assim como consertadores de guarda-chuvas. Lembram-se dos vendedores de enciclopédias? Hoje qualquer criança sabe pesquisar no Google tornando obsoletas as enciclopédias.
Os fotógrafos que ficavam nas ruas, os lambe-lambe, já sumiram do mapa faz tempo. Todo mundo faz suas próprias selfies.
O que me inspirou a escrever este texto foi a recente proibição das vaquejadas no nordeste. Essa decisão provocou a ira dos amantes da vaquejada que querem derrubar o veto alegando que é um esporte cultural e muitos “profissionais” ficarão sem emprego. Mas desde quando tortura é cultura? Já está mais do que na hora de acabarem com rodeios, touradas, vaquejadas, farra do boi, “esportes” que torturam animais inocentes para deleite de sádicos que se comprazem com a dor alheia.
E essa desculpa de desemprego não cola. Quando os canavieiros faziam as odiadas queimadas para a colheita manual da cana, alegavam que se a prática fosse proibida e colocassem colheitadeiras, haveria desemprego em massa. As queimadas acabaram, e não ouvimos mais falar sobre isso. Não importaram mais pessoas para trabalho semiescravo, e elas arrumaram empregos em novas áreas que vão surgindo.
E assim caminha a humanidade...

Texto publicado na Gazeta de Piracicaba 15/01/2017

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Retrospectiva Literatura 2016



FEVEREIRO
20  – Lançamento da revista do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba
João Baptista de Souza Negreiros Athayde lançou livro de poesias “Variações Poéticas sobre a Banalidade do Mal”

MARÇO
9 – O jornalista Leon Botão reúne num livro cinco mulheres reais. “Flores que choram” é lançado no Sindicato dos Bancários
13 – Lançamento da 12ª revista da Academia Piracicabana de Letras
19 – I Feira de Livros no Recanto dos Livros – Lar dos Velhinhos de Piracicaba
Paulo Affonso Leme Machado lança a 24ª edição revista, ampliada e atualizada do livro “Direito Ambiental Brasileiro”

ABRIL
9 – Lançamento do livro “Aprendendo com o Voinho” vol. 4 , de Geraldo Victorino de França no Recanto dos Livros.
Camilo Irineu Quartarolo lança “Em busca do Santo Gral”
19 – Beatriz Vicentini publicou “Meio século de oportunidades Construídas”, obra sobre os 50 anos do Instituto FORMAR

MAIO
A contadora de histórias Carmelina de Toledo Piza lança mais uma obra infantil “Digui, Digui, Digui, Passa o Ponto”.

JUNHO
Milton Martins lança o romance “Joana D´Art”
O diretor da Rádio Educativa FM publicou seu segundo livro de poesias “O som da pétala Ágata”
19- Falece o Príncipe dos Poetas Piracicabanos Lino Vitti aos 96 anos

JULHO
27 Cecílio Elias Netto lança o segundo livro da trilogia em comemoração aos 250 anos da cidade - “Piracicaba, um Rio que Passou em Nossa Vida” no Teatro Erotides de Campos

AGOSTO
28 - Lançamento do livro “RETRATOS DE VIDAS  - A Beleza do Envelhecimento”em comemoração aos 110 anos do Lar dos Velhinhos de Piracicaba das autoras Carmen Pilotto, Elisabete Bortolin, Ivana Maria França de Negri, Leda Coletti, Lourdinha Piedade Sodero Martins e Maria Madalena Tricanico
30- Sexta edição do livro do Dialeto Caipiracicabano “Arco, Tarco e Verva” de Cecílio Elias Netto

SETEMBRO
Ícaro Vitti Quartarolo , 12 anos, lançou seu primeiro livro de ficção científica “Clues - Controle Total”.

10 - No Recanto dos Livros, Adolpho Queiroz autografou seu mais novo livro, feito com a colaboração de vários alunos “ Nem choro e nem Vela”.

OUTUBRO
O livro “Uma História Silenciosa de Amor - Vida de Madre Teresa do Menino Jesus”, da autora Juliana Marília Coli, foi lançado no Mosteiro das Carmelitas.
29 - Inauguração do Quiosque de Literatura no Parque da Rua do Porto com o nome da poetisa e escritora falecida Maria Emília Leitão Medeiros Redi.
30-  Realização da primeira Festa Literária de Piracicaba – FLIPIRA no entorno do casarão do Turismo. Projeto da escritora Raquel Delvaje em parceria com os grupos literários Clip e Golp, Sarau Literário e Recanto dos Livros
NOVEMBRO
11 - Beth Ripoli lançou seu livro “A Auto-Confiança, Oxigênio da Vida-Respira...” na Nobel do Shopping

Lançamento da 13ª Revista da Academia Piracicabana de Letras com textos e poesias dos acadêmicos

DEZEMBRO
2 - Aconteceu no IBA – Instituto Beatriz Algodoal, o lançamento do livro “1973, quando tudo começou" que reconta as origens do I Salão de Humor do Brasil, ocorrido  em 1973 na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

10- Confraternização de final de ano reunindo o Centro Literário de Piracicaba, Grupo Oficina Literária, Sarau Literário Piracicabano, Academia Piracicabana de Letras e Recanto dos Livros.

15 – Felipe Marques de Menezes autografa sua obra “História e Memória do Teatro” – Piracicaba das monções aos dias atuais

20 – Lançamento da revista no 22 do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba no ICEN (Instituto Cecílio Elias Netto)

20 –  No Empório do Vovô Carmelina de Toledo Piza lançou seu 9º livro “Homens e Deusas no Erótico da Mulher”

20- Lançamento do livro “Sem Palavras” de Bijuka B. Camargo

Dulce Ana da Silva Fernandez lança "Janelas da Vida" - Poemas com ilustrações da própria autora



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Na minha porta tem uma árvore...


Lídia Sendin

Não sei o nome dessa minha vizinha. Tão quieta e prestativa, providencia sombra para os carros e ao mesmo tempo dá um toque charmoso ao quarteirão.
Ela é bem alta, suas flores pequenas e amarelas tecem um tapete pra calçada e juntamente com suas folhinhas espalhadas pelo chão perturbam a faxineira, que não se cansa de empurrá-las rua abaixo, mesmo que para isso tenha que consumir metade do reservatório de água do prédio, numa luta diária e inglória.
O que mais gosto nela são suas vagens secas caídas na calçada, são tortas e quando pisadas fazem um barulhinho assim como craque, creque, craque...

Procuro por elas sempre que passo, para pisá-las e ouvir o tal som. Isso me diverte, pode parecer brincadeira de criança, talvez incompatível com a minha idade, mas acredito que lá de cima, em seus últimos galhos, apontados para o céu, a velha e generosa árvore também esteja se divertindo com essa molecagem que não estava nos planos da natureza...

sábado, 31 de dezembro de 2016

A Ceia de Ano Novo


Cássio Camilo Almeida de Negri

            O menino nunca estivera em uma ceia de ano novo.
Naquele ano, porém, o décimo terceiro de sua vida, fora convidado para participar de uma ceia.
Era ainda inicio do mês de dezembro e não via a hora da chegada do último dia do ano. Nessa idade da adolescência, os anos passam tão lentamente, que ele não sabia o que fazer para os dias se apressarem, a não ser contá-los, riscando-os um a um na folhinha,o que parecia fazê-los ainda mais demorados.
Já engraxara os sapatos e colocara em cima da cômoda a roupa do domingo, a espera do grande dia.
Perguntava a si mesmo o porque de comer à meia-noite, pois nunca na vida fizera isso. Também nunca comera nozes e talvez fosse a oportunidade de fazê-lo, pois somente as vira no mercado municipal.
Uma vez, quando tinha nove anos, encontrara uma no chão.Considerando-a perdida, colocou-a rapidamente no bolso com a consciência pesada, como se tivesse roubado. Ao chegar em casa abriu-a e teve uma decepção ao encontrar dentro apenas um carocinho preto. Mesmo assim, experimentou-o, sentindo um gosto ruim e amargo da fruta estragada.
Agora, teria a oportunidade de provar nozes fresquinhas e na quantidade que quisesse.
No grande dia da passagem do ano, sentado à beira da mesa, observou como todos comiam a fruta seca após uma martelada certeira .
Foi o que fez. Colocou-a só sobre a tábua da mesa e ao dar a martelada , a fruta dura voou para longe caindo dentro do prato das lentilhas. Nova tentativa, após desculpas e esmagou-a com casca e tudo, tendo que separar as migalhas amassadas da casca indigesta e assim provar pela primeira vez da semente. Tentou outra e mais outra vez, até que pegou o jeito da martelada, que soltava as duas porções certinhas da casca expondo aquele miolo gostoso que achou parecido com um cérebro em miniatura.
Saboreou-o sentindo seu gosto real, sem pedaços de casca, nem aquele gosto amargo das membranas duras que ficam entre as suas reentrâncias.
A velha vizinha que o convidara para a ceia, vendo o menino se deliciar comenta:
-È tão gostoso porque tirada a casca, a semente contém toda a árvore em sua essência e irá produzir nova árvore.
O pequeno nunca mais esqueceu a experiência da noz de ano novo.

Hoje, já velho e com a face toda sulcada de rugas, como uma casca de noz, espera sem medo, o dia em que perderá a casca, liberando sua verdadeira essência.                                                       

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Projeto Mensagens Natalinas

 O grupo de voluntários do Recanto dos Livros distribuiu mensagens, bombons e guloseimas para os idosos moradores do Lar dos Velhinhos de Piracicaba







quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

NATAL É AMOR


Elda Nympha Cobra Silveira


A maioria das famílias se reúne no fim do ano para comemorar o Natal, que é o nascimento de Jesus. Todos sabem disso, os que são religiosos e creem que Deus mandou Seu filho aqui neste planeta para nos salvar. Mas, como “há muitas moradas na casa do Pai”, parece muita arrogância de nossa parte que Deus destinou seu filho Jesus somente para este planeta. Existem muitos outros onde vivem seres espaciais, que como nós, têm vida com começo, meio e fim, de acordo com o seu ambiente. Seus corpos podem ser físicos, espirituais, com perispíritos mais evoluídos, tanto intelectual como psicologicamente, e podem estar num estágio avançado de evolução e até de realização.
Devem existir hierarquias em cada estágio de vida que está passando. A Terra está num estágio primário de evolução. Nós não usamos todo nosso potencial mental, pois ainda procuramos nos comunicar com palavras que mal compreendidas ou mal usadas nos trazem o caos, as guerras, a violência, a disputa de poder, porque não assimilamos ainda que nesta terra Deus enviou seu filho Jesus para nos alertar que existem coisas superiores à matéria, como a paz num relacionamento harmonioso, o altruísmo, a caridade e a bondade, e que o próximo deve ser amado como a nós mesmo, porque fazemos parte da humanidade.
Ainda trazemos o egoísmo e outras características negativas, que por atavismo, ainda estão impregnados em nós. A lei do mais forte! A história contada sobre Caim e Abel ainda repercute em matança, violência, disputa de poder e os Dez Mandamentos enviados por Deus, através de Moisés, ainda não foram assimilados e acatados. Em muitos países ainda se apedreja mulheres pecadoras, quando se sabe que Jesus disse: “aquele que estiver livre do pecado, atire a primeira pedra”.O sexo desenfreado domina o mundo, como se fosse ele as cidades de Sodoma e Gomorra de nossos dias.
O verbo era Deus e Ele habitou entre nós. E Deus disse: “Fiat Lux”, e a luz se fez, dominando as trevas. Ele espera muito de nós todos, senão não seria o nosso Criador. A sua palavra foi sendo divulgada, de geração em geração. Depende de nós, no entanto, sermos merecedores ou não. Jesus não vai nascer novamente no dia vinte e cinco de dezembro materialmente, mas é necessário que abramos os nossos corações para ele entrar. É só aceitá-lo como uma troca de amor.
        Jesus-Menino precisa crescer dentro de nós, com sua ingenuidade, doçura, fraternidade e amor ao próximo. É a ação e reação, causa e efeito, leis da natureza, como a lei da gravidade. Deus não nos castiga, nós é que recebemos aquilo que plantamos. “Aqui se faz, aqui se paga”. Jesus deve nascer novamente nos nossos corações!
Quando nasce uma criança vamos visitá-la e levamos presentes para ela, e para o Menino - Jesus o que daremos?O que o agradaria? Certamente, não uma lauta ceia, mas sim, alguma ajuda aos desvalidos, aos mais carentes. O Menino-Jesus está lá na manjedoura, com os pobrezinhos... Ele não nasceu num palácio!
Repartamos o nosso pão, levando alimentos e brinquedos a alguma família ou alguma criança. É isso que Jesus quer de nós! Que saiamos do nosso egoísmo, que nos sintamos como representantes da humanidade, pois Ele se fez humano, portanto é nosso irmão que nasceu. Devemos saber como recebê-lo.
Meu pai escolhia uma das crianças que batiam à porta nesse dia, fazia-a entrar e dava-lhe dinheiro, um prato farto, com tudo o que havia na mesa, e mais um pouco, para que distribuísse entre os outros amigos que vinham bater á porta. Para nós, esse menino era homenageado como se fosse o representante do Menino-Jesus. Esse era o ponto alto da ceia de Natal.
Meu pai pedia para que o menino entrasse pela porta da frente, que percorresse toda a casa e saísse para a rua, como se Jesus tivesse nos visitado. Hoje temos medo de agir assim, pois existem assaltantes, trombadinhas e delinquentes de toda sorte
vestidos de meninos. E desta forma, vamos nos embrutecendo, as portas não ficam mais abertas para quem quiser entrar, ou para os vizinhos e amigos. Fechamos as portas com medo dos ladrões!
É a desigualdade entre as classes que gera esse comportamento, pois uns têm demais e outros não têm nada. Mas, a humanidade é uma família e devemos sentir, neste Natal, um amor compartilhado com os nossos irmãos, porque este é o presente que o Menino-Jesus espera de nós.

Amor gera amor! Jesus nasceu novamente em nossos corações!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Confraternização de final de ano dos grupos Literários de Piracicaba


Madalena apresentando um conto de Natal
Elda, Carmen e Cássio
                       
Amigo Secreto

 João Nassif e Leda
 Se uma Clara é bom, imaginem duas!!





 O aniversariante

Pão de pesto da Mada

 Dulce declamando um poema
Leda lendo uma mensagem de Natal



AS MULHERES DE NOSSAS VIDAS


Plinio Montagner

Mulher e amor são as fontes mais cantadas em prosa e verso que retratam a felicidade do homem. Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, define que o sucesso é ser feliz. Seriam então a mulheres e o amor os agentes responsáveis pelo sucesso dos homens. E o dinheiro? A saúde?
É certo que dinheiro não traz felicidade, mas também é certo que ficar sem ele demora bem mais para abraçarmos a paz.
É isso - tudo que é demais atrapalha, dá trabalho e não sustenta felicidade de ninguém. Posses, prestígio, poder, muito pouco ajuda se o corpo e a mente não estiverem bem.
Sucesso é alegria, é felicidade, é amar e ser amado, ter amigos, um bom emprego, a boa música, o bom livro, rir, o olhar de uma criança, uma piada, um bom papo. Tudo é barato e de graça. O que é comprado, mesmo o amor, tem curto prazo de validade.
Dizem os filósofos que felicidade não se procura nem se compra, e quem a procura, corre atrás do vento.  Dizem ainda que o amor brota de certa química entre as pessoas, e de repente, sem se perceber.
Há de ser ressalvado que existem amores tão fortes e egoístas que prendem e não libertam o outro nem depois de passada a turbulência da paixão.
Bens materiais são uma ilusão da felicidade, que é um bem interior, seja individual, seja compartilhado. Quanto à riqueza e às posses, há ricos emergentes que consideram a ostentação o meio correto de obter prestígio e notabilidade, e não percebem que esses bens só servem para esnobar em vez da satisfação de um desacostumado conforto.
Afetos são bens que não podem ser roubados, não enferrujam, não têm prazos de validade, mas que acalentam a alma para sempre. Que amores e bens eternos são esses?
O primeiro é o materno. Amor de mãe é o amor maior. Dizer que é inesquecível é redundância; ele é natural pela genética; mãe ama com o coração, não com a razão.
 Amor de irmãs é outro sentimento maravilhoso; algumas são nossas segundas mães. Tenho uma irmã, mais velha. Lembro-me de seus zelos e carinhos e o que ela representou em minha vida.
Outros afetos duradouros são os das tias, das madrinhas, das primeiras professoras, dos romances e das namoradas. Essas relações protagonizam personagens de doces afetos.
Os afetos de amigas também são inesquecíveis. São ombros a conter lágrimas de aflições.
Avós? Ah! A dedicação de uma avó extrapola limites e até incita ciúmes nas filhas, noras e genros. Elas são carinho, bondade, ternura. Não gritam, falam com suavidade, não ficam bravas, não ameaçam, não deduram, são cúmplices, omitem, encobertam, dão chocolate escondido...
É por isso em toda redação escolar as crianças mencionam passeios na casa da avó durante as férias. A atenção aos netos ganha disparado da dedicação e do apego que não puderam dar aos próprios filhos.
E o amor de filhas? De netas? Quem as tem sabe como são adoráveis, dedicadas e atenciosas.
E a esposa?  É a mulher estrela maior da vida do homem, a mais notável mediadora na harmonia no lar. Não há parâmetros do tipo mais ou menos. É a rainha do lar, e uma ternura diferente porque foi escolhida pelo coração. Esposa não aparece na vida do homem como consequência consanguínea, enquanto os parentes são decorrências, não são escolhidos. O amor a ela dedicado é único, insubstituível.
Não há como contestar. A felicidade dos homens está nas mãos das mulheres - e acabou o assunto. Nós, homens, somos seus eternos súditos. A elas estamos vinculados e presos. Uma deliciosa prisão. Casa sem mulher é uma morada sem vida, uma caverna sem luz, sem vozes, sem alegria. Só sombras.
Cruz e Souza, poeta, é dele essa citação: Um lar é coisa que não se compra; pode-se comprar uma casa, mas só uma mulher pode fazer dela um lar.





NATAL DA MINHA INFÂNCIA




Elda Nympha Cobra Silveira

Lembro-me de uma sala improvisada dividida por um biombo, onde um pequeno presépio feito com toda singeleza pela minha irmã mais velha, mas para mim e minhas amigas era uma beleza!
Patinhos nadando num pedaço de espelho rodeado de areia e serragem colorida de verde, para parecer grama, naturalmente.Uma manjedoura com Jesus Menino, ao lado seus pais, José e Maria e os animais da estrebaria e uma estrela de papel brilhante pendurada por uma linha de carretel usada para fazer pipas, encimada na frente da gruta.
Jesus pareceu-me tão sozinho, mesmo com seus pais ao lado, tão pequeno e disseram para mim que Ele veio para salvar o mundo.
Mas como poderia ser, se ele era tão pequenino? Então pensei : Se Ele pode, talvez eu e todos os outros poderiam também !
- Mas como? Disseram-me que Ele morreu por nós ! Ah! Eu não teria essa coragem não!
-Mas não haveria outra maneira de agradá-lo? Perguntei a minha mãe.
Ela disse-me que quando eu fosse fazer o catecismo iria aprender.
-Mas diga-me agora mamãe, não quero esperar tanto assim!
-Está bem! Siga os dez mandamentos que você vai aprender com a catequista, mas por enquanto lembre-se deste: “Amar aos outros como a ti mesmo!”
Naquele momento compreendi o que Jesus Menino queria de mim!
Ganhara vários brinquedos e um deles com certeza não iria me fazer falta
e que alegria teria ao dá-lo para uma amiguinha que não iria receber nada naquele Natal. Esse foi o Natal mais perfeito e construtivo da minha vida e até achei que o Menino Jesus sorriu para mim...
Ele não estava mais sozinho naquela pobre manjedoura, eu estava com Ele!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Emoção do Natal



Elda Nympha Cobra Silveira


É noite de Natal!
Sei que aqui
Tem anjos de luz,
Trazendo pela mão
O nosso Menino Jesus.

Aqui é a manjedoura
Sinto o perfume de mirra,
Incenso e jasmim
Maria a tudo vela

Rogando a PAZ duradoura.
Parece até uma capela
Irradiando amor.

Nisso Jesus Menino
Abre seus braços e
Sorri para mim...

Afastando toda dor!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Claudio Visockas Costa

Causou muita consternação o falecimento do escritor, cantor, músico, cientista, Claudio Visockas Costa.
Frequentou o GOLP por muito tempo, pois gostava de escrever crônicas e conversar com as pessoas.
Poliglota, estudioso, uma mente brilhante, mas que sempre teve a humildade das grandes almas.
Vá em paz, ficaremos com saudades, mas faz parte da vida as chegadas e partidas...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

AMIGO OCULTO


Elda Nympha Cobra Silveira

Recebemos vários e-mails sobre alimentação e um deles recomendando comer alfafa, outro indica, vejam bem, comer capim, também devemos comer milho. Fiquei pensando: deve ser para nos igualar aos animais mesmo, para perdermos essa pose de animais superiores, porque segundo as pessoas que amam os animais, estão nos comparando com eles, mas só que inferiores a eles.Vejam bem:  o cão é fiel ao seu dono, guarda a casa e o perdigueiro leva o homem à caça, o São Bernardo procura as pessoas perdidas na neve e há cães que trabalham como detetives nos aeroportos, farejando as drogas talvez escondidas dentro das malas ou no bolso dos passageiros. Há cães farejadores que ajudam a procurar bandidos. Há também os acompanhantes de cegos. Muitas pessoas solitárias e sem família têm um cão como seu amigo e companheiro, para passear, ir as compras e preencher o  espaço da casa que se tornou vazio, com o passar dos anos. Vamos fazer um paralelo com os humanos. Muitos homens e mulheres não são tão fiéis, porque talvez, a fidelidade não lhes seja inerente.
Se colocarmos alguém vigiando nossa  casa ou mesmo o quarteirão, ele usa seu apito no começo da noite, mas depois é um silêncio total, porque naturalmente estará dormindo. Já o cão de guarda não faz isso. Experimente se aproximar do portão de qualquer casa, ele late e avança sobre o intruso. Se colocarem alguém para procurar drogas num aeroporto é quase certo que esse homem não será da mesma confiança. Como policial ele também não é mais confiável, disso temos certeza.
Se forem acompanhantes de cegos ou pessoas solitárias, muitas vezes, são falhos e ingratos pois sempre abusam da confiança neles depositada.
Certa vez, quando morava no Bairro Alto -- gosto de dizer assim, não me acostumo com Cidade Alta,-- o portão da garagem estava aberto e nosso cachorro escapou. Foi um alvoroço, porque a carroçinha estava chegando. Ela iria  levar o cachorro  ao canil da Prefeitura e a Lei dizia que se os cães capturados não fossem procurados pelos donos dentro do período de quatro dias,  seriam sacrificados. Desta forma se acreditava que não restariam mais cães pelas ruas da cidade.
Como na época tinha uns sete anos de idade,  chorando, montei  no cachorro, que era bem grande, à espera dos homens que o viriam aprisionar. Nisso, minha família inteira já estava na rua e minha mãe me protegendo clamou para os tais funcionários, que assim foram embora. Por muito tempo  passei a me sentir uma  heroína, pois os vizinhos não falavam outra coisa.

Há muitas histórias sobre a fidelidade dos cães como o conto japonês “Sempre ao seu lado” que se transformou num filme americano emocionante estrelado por Richard Gere que fez o papel do professor da universidade de Tókio, que adotou um filhote que chamou de Hachiko, tornando-se grandes amigos. Todos os dias ele viajava para lecionar e o cão esperava que ele voltasse  na estação. Depois da morte de seu dono Hachiko continuou a esperá-lo debaixo de qualquer tempo por dez anos e ficou tão estimado pelo povo, que ganhou uma estátua. São exemplos como esses que nos levam a  comparar os animais com os humanos, que são animais racionais, mas nem sempre têm essa sensibilidade, e parece  até que ela está sendo abafada ou abolida pelo que se lê e se vê pelo mundo.

sábado, 19 de novembro de 2016

FLASHES DO PASSADO

Elda Nympha Cobra Silveira

Que olhar enigmático
Com aquela pose estática
Naquela fotografia.
Dentro do incógnito tempo
Qual seria seu sentimento?
Esperança num futuro alvissareiro?
Devia estar com o coração pleno de amor
Sonhando com sedas e brocados, e
Que a vida só lhe daria vantagens.
Mas ela não sabia que, às vezes,
Tornam-se chitas ou
Panos de  aniagens

domingo, 13 de novembro de 2016

Coluna Social

http://tudoorna.com/tag/ilustracao/

Ivana Maria França de Negri

            A gente se acostuma ao glamour das páginas sociais e não resiste à tentação de dar uma espiada naquelas notinhas no rodapé da página com os nomes dos descolados em negrito. Gente sempre de bem com a vida e de alto astral.
            É incrível como todo mundo do high soçaite é inteligente, elegante e posa com aquele ar de felicidade perene, sempre escancarando o mais largo sorriso, o famoso “colgate”  bem cuidado pelo dentista, brindando nas festas  com flutes de champanhe.
Ninguém, em hipótese alguma, passa por dificuldades ou é infeliz. Todos vencem nos vestibulares e vão às mais badaladas praias do Brasil e do mundo. E pegam sempre tempo bom, em “temporada de sol e mar”. Chuva? Só os pobres mortais não colunáveis é que pegam tempo ruim. Borrachudos, pernilongos, trânsito engarrafado na serra, congestionamentos, filas e falta d’água nas horas de pico também são coisas para infernizar a vida dos comuns.
Socialites não comparecem às festas, eles “marcam presença”. Também não viajam como todo mundo, eles “aterrissam” nos lugares da moda como Miami, Londres, Paris ou Milão. Ou então viajam em transatlânticos e se hospedam em hotéis 5 estrelas. Existe um linguajar próprio para designar os feitos desse povo cheio de charme que curte badalação e vive coberto de jóias. De agito em agito, compram nos brechós de Nova York e assistem aos musicais em voga na Broadway. Também não encaram os paparazzi como qualquer um, eles “acendem os faróis” e vivem “antenados”.
O pessoal da dolce vita não vai ao Play Center mas leva os filhos para os parques da Disney. E no curto-circuito da moda, dão o tom de sua presença nos desfiles das lojas de griffe, sempre bem vestidos, bronzeados – mesmo que o almejado tom seja adquirido com raios ultravioleta em câmaras de bronzeamento artificial.
Também não se mudam de casa simplesmente, eles “inauguram” apês ou abrem as portas da nova mansão para os outros vips e haja flashes para registrar todos os ângulos e o melhor “kolynos” dos convidados. E não se medem esforços para conseguir uma brecha para aparecer. E quando isso acontece, é a glória!
Nesse mundo restrito ninguém fica doente. Doenças são escondidas a sete chaves. Se morre algum figurão, transformam-no logo em santo, pessoa caridosa que emprestará seu nome a logradouros, escolas ou vias públicas, tendo feito trabalhos em prol da comunidade ou não.
Se por ventura alguém some dos holofotes por algum tempo a gente até pensa: “por que será que fulano sumiu dos meios sociais?” Mas um dia ficamos sabendo por outras vias que seu negócio faliu, empobreceu, ficou doente e acabou perdendo todos os “amigos”.  Já colocaram outro em seu lugar, alguém que emergiu e está com a “bola toda”.
No mundo das patricinhas e dos mauricinhos, só se admite glamour e beleza, e não se amofine quem não nasceu com belos dotes naturais, sempre há o infalível “banho de loja” e a eficiência dos bisturis dos cirurgiões plásticos deixando todos lindos e perfeitos.
E como diria o carnavalesco Joãozinho Trinta, sobre o luxo que impera nas escolas de samba nascidas nos morros mais pobres do Rio de Janeiro: “quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta mesmo é de luxo!”.