As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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Com o escritor Ignacio Loyola Brandão

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Reunião na Biblioteca

quarta-feira, 20 de junho de 2018

CRER E NÃO CRER EM DEUS


                                       

                                                         
Eloah Margoni

    Hoje, mais do que em qualquer época, por causa dos computadores e da informática, tornou-se paradoxalmente quase impossível crermos em deus e, ao mesmo tempo, improvável deixarmos de crer Nele! Isso porque tudo não se resume apenas em questão de fé. Essa mesma “fé”, mistura de nossos desejos e necessidades concretas e psicológicas, de medos e frustrações, de nossas experiências subjetivas bem secretas, de nosso raciocínio e observações, deságua em conclusões inevitáveis.
      Quando digo ser muito difícil acreditar em deus (com letra minúscula) falo numa entidade que nos “reconheça”. Ou melhor, que reflita nossa imagem, considere-nos as particularidades e seja conivente com os flutuantes valores humanos, com a limitante pequenez a qual somos presos, elevando-nos tal entidade, de modo injusto ou corrupto até, ao patamar dos seres mais fabulosos do universo. Por outro lado, ao pensarmos na “nuvem” da informática, onde guardamos fotos, vídeos importantes ou idiotas que recebemos na internet, nuvem essa para onde um celular moderno envia automaticamente o que nos chega sem termos de solicitar ou acionar nada, colocando tudo em ordem cronológica, anotando datas e até mesmo locais do planeta onde as fotos foram tiradas, parece-me negligente desconsiderarmos a existência de um Deus como um núcleo organizacional impessoal, inexorável, autossustentável, de imensurável capacidade, humanamente inconcebível, o Qual coordene todos os processos, formas de vida, leis paralelas e realidades deste universo, assim como as possibilidades totais de mundos alternativos, com suas maravilhas e horrores (em nossa concepção) que por acaso existam. Dizem os cientistas que estes mundos existem. O referido centro energético, por outro lado, sem se ater a nenhuma de tais realidades, cria-as, coordena e destrói universos inteiros de modo totalmente impessoal.
          Se você pesquisa um hotel na internet, aparecem-lhe em seguida, uma série de sugestões de outros hotéis e viagens em qualquer página na qual você esteja. Ou surgem propagandas, sugestões e alusões relativas a seu sexo, a buscas feitas, à faixa de idade. Então, viu? A “rede” me conhece, sabe de mim, ajuda-me, me ama de forma particular! Ora...  O carro moderno dá-nos também “bom dia” como se ali houvesse alguém a nos acolher, a TV inteligente se comunica comigo, mas é só maquinaria. E a Wikipédia, com tantas informações as respeito de tudo? O que tanto nos interessa ali para pesquisas é totalmente escrito por robôs, muito embora a pessoa média, o cidadão ou cidadã comum como eu, mal saiba o que seja um robô na internet nem como este trabalha, nem onde tais “seres” robóticos cheios de mistérios ficam. Mas o resultado lá está ao nosso alcance.
         No mais, você tinha um problema qualquer, rezou, pediu e foi atendido. Então deus realmente existe porque o ouviu?  Até meu celular me ouve e responde corretamente. Nem por isso creio que ele creia em mim. E também muitos não fomos atendidos em nossas suplicantes orações, mas você sim. Trata-se só da Vontade caprichosa desse deus estranho? Quando acionamos o aplicativo certo no moderno telefone, acessamos a central que queremos, conseguimos o que buscamos. Se usarmos o caminho errado ou a tecla errada, nada conseguimos. Tocando o local exato, o aparelho me responde, mas se não encontro o caminho virtual há erro.
         Estou querendo dizer com isso que Deus, o núcleo infinito, a absoluta concentração original de energia, disponibiliza ferramentas estupendas, aplicativos conhecidos e desconhecidos, programas e canais para acessarmos isso ou aquilo? Sim. Mais ou menos. Mas longe de mim a ideia de comparar o inconcebível núcleo com máquina, pois máquina o homem concebe, mas a energia original jamais! Está além de todos os aléns.
    O fiel e o crente podem eventualmente encontrar a ferramenta para algum procedimento junto a Deus (ou deus), mas um sábio também pode. Só o buscador da verdade imparcial e do conhecimento passa toda a vida tentando achar a saída do labirinto de tantos faunos e ratos. Porém, achar ou não achar a verdade que, dizem, libertará, é questão intricada nos baús das dez mil verdades subjetivas... Mas começar a trilhar o caminho do conhecimento é totalmente opcional. É voluntário e exige força, recurso interior acima da descrença que à luz da tecnologia atual nem se justifica, e igualmente acima da fé simplista, sem razão de ser se não se mostrar ferramenta afiada, se for apenas reflexo da ignorância, medo e esperança humanos. O buraco que existe e que também não existe, está mais acima ou bem abaixo. Está em toda parte. Intuí-lo, percebê-lo ou utilizá-lo e sintonizar-se com ele é outra história.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pequeno conto junino



Olivaldo Júnior

            O menino tinha apenas uns dez anos de vida. Não sei ao certo, pois eu não morava na Cidade. Era um forasteiro que, de quando em quando, passava por ali. Mas o rosto do moleque não me saía da lembrança, pois se parecia muito com o rosto do filho que tive e que Nosso Senhor tão cedinho levou... Que saudade! A mesma que eu matava toda vez que chegava à cidadezinha em que morava o menino que era filho do dono da venda, o pequeno José.
            José adorava quermesse. Seus olhinhos de quem ainda não viu quase nada faiscavam quando viam as faíscas da fogueira que o povão aprontava no terreno baldio, detrás da igreja. Quanta vontade de fazer como a galera mais velha e sair pisando a brasa, para a prova de que o fogo só queima os mais lentos! Sentia outro fogo em si mesmo, em sua alma infantil, sempre envolta em traquinagens com o amiguinho João. Eu, que nem morava lá, via tudo isso.
            No dia de São João, José e seu amiguinho corriam soltos pela praça quando eu, que arrastava asa para uma bela morena, caso antigo, em pleno revival, topei com os dois, que derrubaram toda a pipoca no chão. “Minha pipoca!”, disse José, todo choroso. João, mais conformado, ofereceu uns trocos ao pobre e, quando já se iam embora, deixei a dona de lado e, num gesto de coragem, falei com José: “Deixa que eu pago a pipoca dos dois”, que, no início, não queriam aceitar, mas, depois de pensarem por exatos cinco segundos, aceitaram o agrado. “Espera, amor, que já volto!...”, falei para a bela que me dava bola e bebia um quentão.
            Assim, na barraca de pipoca e milho verde quentinho, paguei pipoca e leite quente para os dois, que me agradeceram muito e, de posse dos mimos, lá se foram para a festa, ao som de modas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba e Companhia Ilimitada, pessoal do Norte e Nordeste que tanto canta a tradição popular brasileira, sobretudo a junina. Nem olharam para trás, mas, ao dar pipoca e leite para o José, dava um pouco de alegria para o meu filho.
            “Olha pro céu, meu amor / Vê como ele está lindo / Olha pra aquele balão multicor / Como no céu vai sumindo”... E a bela da noite, doidinha por mim, notou uma lágrima junina em meus olhos, que, ainda hoje, diz que foi por ela...

terça-feira, 12 de junho de 2018

Um Amor para recordar


(Sobre o romance de Nicholas Sparks*)
Olivaldo Júnior

- Num enredo de cinema,
num romance juvenil,
um casal se torna o tema
dum amor primaveril...

Ele custa a compreender
que ela é luz em sua vida;
e os dois custam a saber
que viver tem despedida...

Da canção que enluarar
Jamie e Landon no salão,
uma estrada vai brilhar!...

Quando Deus os separar,
vão ser dois num coração:
- "Um amor pra recordar".

UM AMOR DE NAMORADOS


(Amarelo bem-me-quer)
Olivaldo Júnior

Na varanda, na Internet,
numa página qualquer,
nossa história se repete:
amarelo bem-me-quer...

Amarelo bem-me-quer,
cuja pétala é "confete",
Carnaval de quem vier
de cavalo, de charrete...

Numa praça, enovelados,
despetala seu destino
um amor de namorados...

Um amor de namorados,
sentimento peregrino
dos casais despetalados.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

I Sarau Literário da E.E. Dom Aniger F. de M. Melillo

Com muita música, teatro, contação de histórias, declamação, jogral, dança e animação, realizou-se o I Sarau da Escola Estadual Dom Aniger em Piracicaba
Parabéns aos professores, diretores, organizadores, alunos e convidados.
Integrantes do Centro Literário prestigiaram o evento.






















terça-feira, 5 de junho de 2018

Conhecendo a antiga Iugoslávia*

* Texto publicado na Gazeta de Piracicaba 05/06/2018

Conhecendo a Croácia, Bósnia, Montenegro e Eslovênia

Ivana Maria França de Negri

Mostar -Bósnia e Herzegovina
            Viajar é sempre enriquecedor, em todos os sentidos. Além das paisagens de tirar o fôlego, encontramos a alma de cada povo em seus costumes, comidas, bebidas, artesanato, construções, sítios históricos, nas roupas e festas típicas. Quando percorremos os cafés, restaurantes, museus, parques, muralhas, castelos e fortes, entramos no coração desses países e não podemos deixar de amá-los profundamente.
            É interessante notar que os habitantes dos locais que visitamos não têm uma visão ruim do Brasil, não mencionam a corrupção, só sabem que o povo brasileiro é amigável, alegre, e que somos da terra do futebol, das praias e do carnaval. Só alegria!
            Como fazemos todos os anos, escolhemos, com um grupo de amigos, um local para conhecermos. Desta vez, optamos pela antiga Iugoslávia, que agora, desmembrou-se em várias repúblicas distintas. No nosso roteiro: Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Eslovênia. Quinze dias de pura magia e encantamento!
            Eu não imaginava que a Croácia fosse tão maravilhosa, a natureza exuberante e   bem preservada. Nos parques não há quase construções e a água é potável em todas as suas fontes. Ainda há ursos e lobos remanescentes nessas florestas.
            O que mais chama a atenção dos turistas é a cor da água. Um verde esmeralda absurdamente intenso. O mar Adriático se apresenta em vários tons de azul, e as águas são límpidas e transparentes. Só que as praias não são como as nossas, ninguém toma banho de mar, pois o litoral é pedregoso. Para se pisar nessas praias é preciso até um sapato especial, senão elas ferem os pés. Na região de Riga, uma atração única no mundo: um órgão gigante que toca ao sabor do vento e das ondas do mar. Surreal!
            Ao adentrarmos nas basílicas, igrejas e centros históricos, a emoção aflora, é a História ao vivo e em cores que se nos apresenta. Muitas cidades pelas quais passamos são declaradas patrimônio da Humanidade pela UNESCO, tal a beleza de suas construções medievais, resquícios de várias civilizações como os gregos, eslavos, romanos, bizantinos entre outros. Em Split, conhecemos o famoso Palácio de Diocleciano, totalmente preservado, onde vivem mais de três mil famílias. O calçamento é todo de pedras de mármore.
            A capital Zagreb lembra Viena e o símbolo da cidade é um coração vermelho, presente em tudo, nas roupas, biscoitos, enfeites de Natal, souvenirs, artesanatos.             Sarajevo é um local onde a guerra deixou cicatrizes indeléveis. Mesmo após vinte anos do término da guerra, a cidade conservou as marcas. São prédios semidestruídos, furados de balas. A visita ao Túnel da Vida é dramática. Por ele passaram milhões de pessoas e mais de vinte toneladas de alimentos durante o cerco à cidade. Lá o clima é de respeito e reflexão. Fotos de famílias mortas e jovens soldados que sucumbiram. E todos, em silêncio, só desejam que guerras nunca mais aconteçam!
            Eu, uma adoradora de gatos, fiquei encantada com o tratamento que dão a eles em todas as cidades pelas quais passamos. Principalmente em Kotor e Budva, há gatos gordos e mansos por toda parte, nos cafés, restaurantes, parques, lojas e igrejas. E os que têm a orelha picotada, são castrados. Pratinhos com água e ração distribuídos em vários locais. Assim como há pombais para abrigar as milhares de pombas.
            Eu, particularmente, adoro visitar castelos! E nesta viagem conheci muitos deles, inclusive, na Eslovênia, o famoso castelo incrustado nas pedras. E também as Cavernas de Postojna, espetáculo inimaginável que a natureza esculpiu ao longo dos séculos.
            Ano que vem tem mais, se Deus quiser e a saúde o permitir!
Castelo Predjama - Eslovênia
Medjugorge - Sul da Bósnia e Herzegovina
Lago de Bled - Eslovênia

Bled - Eslovênia

Split - Croácia

Split- Palácio de Diocleciano
Castelo - Eslovênia

Hvar - Ilha da Croácia

Dubrovnik

Kotor - Montenegro

Dubrovnik - Croácia
Órgão do Mar-Maravilhoso espetáculo! As ondas e o vento fazem a música!

Com os companheiros de viagem!


Sarajevo - Bósnia Herzegovina

Parque Nacional dos Lagos Plitvice - Croácia

Zagreb - Croácia


quarta-feira, 30 de maio de 2018

CORTEJO


Lídia Sendin

Risca o rosto do peão
Esse vento que fustiga,
Sol a pino, estradão,
Tange o boi pela campina.

Não há onça, nem leão,
Mas o medo o castiga,
Tanta vida e solidão
No silêncio uma cantiga.

Chora a alma, o corpo briga,
Mas não há outra opção.
O cortejo assim avança,
Vai a res pro matadouro
E com chicote de seu couro,
Estalando em suas ancas
Não recebe compaixão

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Recanto da Delicadeza



Era uma manhã de chuva
Nós estávamos no RECANTO DOS LIVROS – Lar dos Velhinhos
Quem estava lá?
Pessoas que gostam de ler/ escrever/ poetizar
Ouvindo os versos de Newman Simões e a voz de Douglas Simões  ou........ Nhô Chico eu escrevi.......

RECANTO DA DELICADEZA

Na história das histórias livros são queimados
Mas livros são escritos e reescritos
No fogo e no desejo do saber
Lemos e relemos
Nas chamas da vida contamos a história da história
E no silêncio das palavras eu silencio a minha alma neste

RECANTO DA DELICADEZA

É o momento em que estou vivendo aqui
Neste dia de chuva que entra no meu silêncio da escuta
Na minha memória volto para a história da infância
Ouvia os cururueiros aos sábados e domingos
Nhô Serra
Pedro Chiquito
Parafuso

RECANTO DA DELICADEZA

Na vontade de chorar
Na lembrança da infância
E nas lágrimas dos “meu zóio”
Busco meu riacho da saudade

Ele não é poeta
Apenas escreve poemas na busca da rua triste da vida
Mas ele tece seus poemas sem ser poeta
Ele sabe poetizar em seus versos
Lembranças dos tempos da delicadeza
Na voz da uma mulher
Que vive na incerteza da ilusão

RECANTO DA DELICADEZA

Faço agora uma prece em gratidão por este momento existir
É VIDA
É SONHO
SOU EU SOMOS NÓS
                                                                                                          Carme Lina Piza
                                                                                                            19/04/2018

I Encontro Cultural na APM Piracicaba - Casa do Médico

Na revista da APM
(Fotos Michele Telise)


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Qual livro você está lendo?



Plínio Montagner


Livro: O Estrangeiro
Autor: Albert Camus
Introdução: Jean-Paul Sartre
Editora - Livros do Brasil – Lisboa
Páginas: 226
Aquisição da obra: presente

Opinião
Era dez de julho de 1968 quando eu e Nazareth comemorávamos onze meses de namoro. Ganhei dela “O Estrangeiro”, de Albert Camus, uma obra bastante comentada pelos críticos e professores de Filosofia e Política das universidades. Diziam os críticos que mal saiu a primeira edição obteve a maior aceitação.
Confesso que várias vezes tentei a leitura até o final; por incapacidade de entender a mensagem, desistia. Passados 45 anos, julho de 2013, uma tristeza bateu e retornei à leitura. Desta vez, com o espírito maduro, li-o com avidez até o fim.
O Estrangeiro é uma obra que seduz.  Embora seu conteúdo seja simples, uma exegese mais apurada constata ampla complexidade de interpretação. Depois de lido, sobra inesperada reflexão sobre as mensagens subliminares das realidades transcendentes. Talvez seja o motivo de valorização de muitas artes: por despertar a dúvida. E a dúvida incomoda.
O protagonista Mersauld anuncia algumas frases fortes: “Quando não se pensa, o que incomoda ou que alegra deixa de existir”.
“O homem é um nada, é impotente perante as desgraças que presencia e por isso finge não as ver ou que não existem”.
Não é um livro de conhecimento ou de informação. É arte literária que desperta curiosidade ou necessidade de treinar o raciocínio metafísico.
Jean-Paul Sartre, nas primeiras páginas da introdução do romance, arriscou que O Estrangeiro, depois de lido, nunca mais seremos os mesmos. De qualquer modo Camus ilustra a obra que viria a formular de filosofia existencialista, nesta frase:
“A vida é guiada pelo absurdo; não é definida por forças divinas ou cósmicas”. Camus, talvez, desejasse expressar:
“A única chance de continuidade da lucidez e respeito à individualidade está em recusar a imposição das ideologias políticas e religiosas”.
A verdade é que tudo pode ser uma alegoria da fatalidade que resulta em aceitar a vida como ela é - viver como se vive.

domingo, 20 de maio de 2018

FELIZ ERA O HOMEM QUE SÓ TINHA UMA CAMISA



Plinio Montagner

No fim da vida nada se leva. Ficam nossa casa, nossa família, o trabalho, o carro, os livros, o velho piano, o gato, o cachorro, as dores que nos castigaram, os amores que nos alegraram, os amigos e inimigos, as contas e pagar e a receber, filhos, netos, genros, noras e sogras.
A vida é curta, dura e algumas vezes tediosa, e assim passa-se toda no desejar. Se as pessoas nos traem, a vida também, pela expectativa de algum dia ser usufruída pelo que foi conquistado. Mas não é esse o prêmio. A idade avançada nos premia mal. Por que não valer-se do bom quando estamos bem de saúde e tudo é novidade e prazeroso?
Não está certo contemplar a tranquilidade e a paz no último quartil da vida. Nesse momento a mente está obscurecida, os sentidos atingidos e o corpo quebrado, operado, dolorido. Nessa fase se sente as sequelas das cutucadas da vida pelo pouco que se aproveita com qualidade. 
As mudanças dos valores, o que é certo e errado, foram outros castigos aos idosos, principalmente a incompatibilidade e o afastamento entre idosos e jovens; os mais velhos não desejam a separação, é a juventude, não por afeição diminuída, mas por desarmonia de interesses e gostos.
 Embora bem-vinda, a tecnologia é a grande vilã. Ela é necessária, mas causou certo desdém ao romantismo. A elegante caneta Parker substituída pela esferográfica, os designers e luxos dos Cadillacs e Thunderbirds pelos modelos cheios de tecnologia, mas sem charme; os bilhetes e passagens das bilheterias pelos ingressos virtuais, dinheiro vivo pelos cartões, e assim será.
A ausência de um chefe nas famílias também favoreceu a desordem do clã pela independência e da liberdade sem limites que afrouxou a harmonia entre pais e filhos.
A abundância de bens trouxe conforto, mas comprometeu o lazer pela expansão do tempo dedicado à administração do patrimônio.
Se descobrissem um elixir da longa vida e da cura de todos os males ainda continuaríamos a nos surpreender em meio a desejos e trabalhando para os outros quem poderiam fazer por si.
Cheios de dores e de alguma feiura, se a cura chegasse, não mudaríamos: continuaríamos a desejar.
Invejar os ricos é um erro. Os abastados são ricos, mas à custa da perda das melhores fases da vida. É preciso aprender que o – pouco - resulta em mais alegrias do que - o muito -, que atrapalha, prende e descarta a serenidade.
 A pobreza, a simplicidade e a ausência de heranças sempre acompanham a juventude. Coincidência ou não, a riqueza e a velhice vêm ao mesmo tempo.
O pobre nada perde em vida nem depois da morte; só perde aquele que deixa bens acumulados. Tendemos sempre deixar para depois o dia de parar de trabalhar para os outros, e passar a cuidar de nós, e assim, continuamos sempre às voltas com bancos, compras, doenças, pintores e vidraceiros.
O pobre está mais próximo da alegria, e o rico, mais da tristeza e das preocupações.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Oração para as mães



                                                                       Leda Coletti

Gosto das orações espontâneas.  Hoje vou orar pelas mãezinhas do mundo inteiro.  O dia das mães se aproxima e, embora em todos os dias devam ser lembradas com carinho, nesse dia oficial  do calendário (na realidade mais comercial), nós oramos por todas.
-Pai, que está no céu e em toda parte, protegei as mães bem amadas, mas, sobretudo as esquecidas pelos filhos.
As que têm condições materiais para oferecer uma vida física e social digna aos seus filhos, como também as que não possuem sequer recursos para o pão de cada dia.
As de diferentes raças e nações, para serem aceitas nos grupos em que convivem e mostrem que o amor de mãe é voltado para o bem-estar da família, seja em que parte do mundo estiver.
As mães que não geraram filhos, mas são mães do coração, sejam recompensadas através do carinho, respeito pelos filhos adotados.
As mães que por limitações pessoais (doença, trabalho, separação de cônjuge) não conseguem se dedicar com zelo e amor aos filhos, sejam compreendidas e não criticadas.
As mães das diferentes etnias, crenças, jovens, adultas, idosas e anciãs, que não são tratadas c com igualdade e justiça social, para que os governantes cumpram as leis das quais são merecedoras.
As mães passageiras que contribuem com a família na instrução e formação das crianças e adolescentes nas diferentes instituições sociais e religiosas, para que continuem a semear o Bem, possibilitando torná-los  conscientes e responsáveis  cidadãos do futuro.
As nossas mães presentes e ausentes. Muitos de nós não a temos presente fisicamente, porque já fazem parte da morada dos céus, mas elas continuam nos nossos corações. As mães não morrem nunca para um filho reconhecido. Para elas nosso eterno afeto e gratidão.
. Queridas mães, seres benditos, quase divinos, sinônimas do amor maior, verdadeiro. O mundo não existiria e nem teria sentido sem vocês.
Ao Senhor o nosso agradecimento  por ter criado a mulher e a ter dotado desse amor do tamanho do mundo. Que todas se sintam amadas e  abençoadas pela Nossa Mãe do Céu:
É só fazer uma prece
Para  a Nossa Mãe Maria,
Sentimos que do céu desce
Uma doce calmaria.