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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Epitáfio para um poeta (ou o pouco que sobrou)




 Olivaldo Júnior
 
De palavras em poesia,
trouxe à tona sua alma;
hoje, apenas a sangria
do silente pé de palma.
 
Sem amigos "de verdade",
morre cedo, sem amor;
deixa à mãe a vã saudade
de um filhinho de valor.
 
Cada lágrima sem água
que desperta nos presentes
renomeia a sua mágoa,
que deságua dos ausentes.
 
Nunca foi bastante bom
para amigos de convívio,
que, distantes, têm o som
deste ausente como alívio.
 
Deixa muito de si mesmo
nos poemas que ofertou;
renegado, sempre a esmo,
leva o pouco que sobrou.

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