As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

SEGUIDORES

MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Nhô Lica apresentado ao Grupo de Escoteiros Piracicaba

A convite do Grupo Escoteiro Piracicaba, o personagem piracicabano Nhô Lica foi apresentado às crianças.
Os lobinhos fizeram perguntas e contaram suas histórias também. 
E receberam livrinhos autografados de presente!



























domingo, 17 de setembro de 2017

A GAROTA BELGA

         

                                                                            Eloah Margoni

    Arlon é uma pequena cidade da Bélgica onde, há muitos e muitos séculos, estiveram os romanos, esses metidos. Restos de colunas e artefatos, imagens, pedras de construções daquele povo sobraram lá. Vimos pouco desses objetos arqueológicos porque o museu local estava fechado; aliás quase tudo estava fechado. Era um sábado depois do meio dia quando ali estivemos. Para ajudar era dia friorento com uma chuvinha que caía assim, bem fina mas persistentemente sobre dois seres que vestíamos casacos mas não capas impermeáveis, nem tínhamos guarda-chuvas. Contudo andávamos pelas ruas vendo coisas, teimosos, e gulosos de histórias, de formas, de fachadas bonitas e antigas, ávidos de novidades. Fomos à catedral, gótica naturalmente, e esta era um local luminoso, muito cuidado, pleno de flores, de cores e luzes. Foi a catedral e a igreja mais leve e suave que vimos durante toda essa viagem.
     Ao sairmos da igreja, picamos lá e acolá, palmilhando o chão molhado; vimos outras coisas: Tim Tim e seu cachorro como bonecos numa vitrine de loja na rua deserta, esses personagens de histórias em quadrinhos dos anos 40; vimos um restaurante acolhedor, aberto, no qual almoçamos. Também travamos conhecimentos com uma família portuguesa de mãe, avó e netinho, com a qual conversamos por meia hora. Muito próxima do restaurante havia uma casa de chocolates. A mulher por detrás do balcão não falava uma palavra de inglês e eu de francês não falo quinze delas... Mas pra comprar e vender chocolates, os gestos serviram. Bons chocolates.
       Contudo, pipoca aqui, pipoca lá, já eram horas de acharmos o caminho de volta à estação ferroviária. Devíamos voltar ao hotel em Luxemburgo, cerca de trinta quilômetros dali e onde estávamos hospedados; são aproximadamente quarenta minutos de viagem de trem. Mas... de qual lado ficava a estação?
      A chuva agora piorando e o frio desagradável, em pleno verão europeu, nos faziam ter pressa de encontrarmos o caminho. Então o de sempre, perguntar em inglês para onde deveríamos ir. Mas não estava dando certo... Foi quando vimos aquela moça subindo as escadas as quais descíamos para alcançar a rua debaixo! Ela não combinava nada com o clima, nem com a moda convencional; parecia uma pedra rara, peça estranha, personagem de filme ou de livro. De estatura média, rosto bonito e olhos claros, não era magra propriamente. Teria por volta de vinte e sete, vinte e oito anos. Usava um vestido verde folha, de saia semi rodada, até os joelhos; o tecido não era cetim não, mas semelhante, um pano fino com certo brilho, como esses usados em forros. Por cima do vestido um casaco leve também, de pano meio florido, com cores alegres. O guarda-chuva também florido, de outro tipo de estampado, não descombinava do casaquinho porém. Meias pretas tipo rede e uns sapatos primaveris, de cor creme com saltos em carretel, que achei estranhos. Os cabelos eram escuros com cachos bem feitos, como se os tivesse arranjado assim, e não chegavam aos ombros. Usava óculos de grau.
    Vendo aquela moça assim vestida, pareceu-me evidente que iria encontrar alguém, ou que iria a alguma festa, comemoração, fosse o que fosse. Estava a seu modo “produzida”, desafiando o tempo e a moda. Ao frio talvez estivesse habituada...  
    Pedi-lhe indicações em meu parco inglês. Ela, simpática e sorridente, começou a explicar, mas desistiu. Disse que nos poria no caminho, que achava melhor assim. Fiquei preocupada. Preocupada com ela, com seu compromisso (tinha de haver um compromisso!), com os cachos aparentemente acabados de serem feitos, com a maquilagem, com os sapatos de saltos carretel no chão molhado. “Não”, eu disse. “Será um transtorno para você”. Mas ela insistiu e nós a seguimos por uns quatrocentos metros.

     Ela alegremente contava que era professora de primeiro grau, ou de jardim de infância talvez. Estava animada, parecia feliz em ajudar. Eu, ansiosa por seu horário, e ainda a chuva... Contudo, a bonequinha, a fada, a figurinha de livro sempre sorrindo, colocou-nos no caminho, apontando numa direção, na qual reconhecemos logo o trajeto a ser feito. Não houve como pedir-lhe para fazermos uma foto; seria solicitar demais! Mas, como podem imaginar, disso muito me arrependo, de não ter pedido, e tenho de lembrar dela conforme posso. Aquela ninfa belga de óculos e de guarda-chuva florido, numa tarde friorenta em Arlon.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quietude


Sílvia Regina de Oliveira


Vim percorrendo caminhos molhados,
Todos os lados, com os passos lentos.
Quieta aventura, atmosfera leve
Tal qual a neve a clarear momentos.

Por entre nuvens surge o sol de inverno,
Silêncio terno vai nascendo em mim.
Sob a ponte passam as águas densas,
Dores imensas levadas assim.

Caminhos tantos eu vim percorrendo,
Me apercebendo de toda grandeza
Nos lugares vários, também na alma,
Em doce calma e singular beleza.

sábado, 9 de setembro de 2017

No dia 25 de agosto, no Centro Cultural Martha Watts, aconteceu o lançamento do livro infanto juvenil "Capitão Nhô Lica, o Colecionador de Pedras".
Autora Ivana Maria França de Negri, com ilustrações de Ana Clara de Negri Kantovitz

(Fotos Cassio Negri e Marcelo Fuzeti Elias)

Ivana, Ana Clara e Joceli Lazier, diretora do Martha Watts























sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Memórias da Educação e Literatura - Leda Coletti

   Com este tema, a professora, documentarista e poetisa Leda Coletti realizou no sábado 2 de setembro, no Recanto dos Livros do Lar dos Velhinhos, sua participação na série “Retrospectiva”, que tem como objetivo difundir e prestigiar os autores piracicabanos.

                Ela contou das suas experiências no campo educacional como professora, cuja trajetória iniciou-se em escolas da zona rural de cidades paulistas e culminou com cargos de direção em escolas públicas de Piracicaba. Falou da metodologia que desenvolveu com os alunos e do carinho que guarda deste tipo de atividade ainda hoje.
                Apresentou sua produção literária, feita de livros com poemas e de uma bem cuidada biografia dos Dal Picolo, imigrantes italianos de Veneto e Treviso que vieram ao Brasil no século XIX, constituíram família, implantaram negócios e possibilitaram a construção de um dos mais importantes registros históricos sobre a imigração italiana no país.
                
  A convidada tem participado com suas ideias e dinamizado várias organizações do campo literário e artístico da cidade, inovando com ações como a distribuição de poemas em espaços públicos, leituras e contribuiu decisivamente com doações de livros que deram um grande impulso à consolidação do “Recanto dos Livros” como um espaço de cultura e preservação da memória.
                Na sua saudação a convidada, o jornalista João Nassif, coordenador do “Recanto dos Livros”, agradeceu a amabilidade e generosidade de Leda Coletti por sua participação como voluntária e incentivadora das ações que teme elevado o grau de conhecimento sobre este novo espaço cultural de Piracicaba.
Noutro momento, saudada por Madalena Tricânico, a convidada foi definida como “seu nome é Leda, mas seu sobrenome é generosidade”, pelo desprendimento e colaboração continua a vários projetos culturais da cidade.
                Os próximos convidados para a série “Retrospectiva” são os irmãos Newman e Douglas Simões, que vão trazer num dos próximos sábados, um pouco de poesia e música ao espaço cultural.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Homenagem ao Fofo


Maria Iraci Pinto

Como o sol que se apagou
Ou a rosa que caiu
Assim você me deixou
No dia 25/05 você partiu

Seus olhos azuis estrela
E o pelo todo branquinho
Foram as flores mais belas
Que surgiram em meu caminho.

Amigo incomparável
Só soube me fazer o bem
Alma leve e agradável
Que só animal contém.

No céu dos animaizinhos
Sei que você foi morar
Adeus meu amigo fofinho
Mas não posso mais chorar

Sua missão foi cumprida
Enquanto esteve com a gente
Durante toda sua vida

Foi nosso melhor presente.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Príncipe de Alma



 Olivaldo Júnior

Pelas horas que levo na mochila,
pelas lágrimas secas em minhalma,
todo dia sem tempo me aniquila,
leva as horas que iria ter em calma...

Rubra rosa que velo à mão tranquila,
eu, pequeno ser, "Príncipe de Alma",
todo o tempo só penso em possui-la,
jardineiro que as flores só desalma!...

No relógio que a lida me desmonta,
nestes olhos que secam sua fonte,
eis o ser que à nobreza já desponta,

sol que à rosa parece um horizonte,
peregrino senhor que faz de conta
que do corpo há de vir a sua 'ponte'.