As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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MEMBROS DO GOLP

MEMBROS DO GOLP
FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

DIVERSIDADE


Paulo Ricardo Sgarbiero

A diversidade é grande
Diversas cores,
Diversos gostos,
Diversos fatos,
Diversas as artes,
Somos o que somos,
Intrigantes,
Divergentes,
Intensos,
Inconsequentes,
Inteligentes,
Gostem ou não.
Também não gostaremos
De quem ao certo,

Nem gosta de si.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

ARTE DESVIRTUADA

Obra da exposição do Santander

 José Faganello
“Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa./ Abranda as rochas rígidas, torna água/ Todo o fogo telúrico profundo/ E reduz, sem que,no entanto, a desintegre,/ A condição de uma planície alegre,/ A aspereza orográfica do mundo”. (Augusto dos Anjos  “Monólogo de uma sombra”)

Tive a oportunidade, em meus estudos, de abordar as artes de várias épocas, desde a rupestre da pré-história até a de nossos dias.

A abrangência deste vocábulo é interminável. Tenho comigo, que a única arte que consegui me dar bem (não muito) foi a Arte de Viver.

Sou um frustrado por não ter dado prosseguimento às minhas aulas de piano e outra que admiro, mas jamais me dediquei, é a arte culinária. Evidentemente invejo as artes plásticas, como a pintura, escultura e arquitetura, mas quebro um galho na literatura com meus artigos e fui um professor que até hoje meus alunos elogiam.

Richard Wagner, em Minha Vida, escreveu: “Enquanto a arte grega expressou apenas o espírito de uma Nação magnífica, a arte do futuro deverá  expressar o espírito de pessoas livres, sem considerar as fronteiras nacionais; o elemento nacional contido nela não deve ser mais  do que um ornamento, um encanto individual acrescentado e nunca um limite onde se confine”.

A verdadeira arte consiste em captar e nos relevar a realidade longe da qual vivemos, e nos afastarmos à medida que aumentam a espessura e a impermeabilidade das noções convencionais, que se lhe substituem; essa realidade de que corremos o risco de morrer sem conhecer, ou seja, é a nossa vida, que em certo sentido está presente em todos os seres humanos, e não apenas nos artistas.

A arte de viver não é percebida por muitos, porque não atentam desvendar ou por nunca estarem contentes com o que têm.

Sendo a arte interminável no tempo e nossa vida curta, devemos saber que é pela arte que o homem se ultrapassa definitivamente, como profetizou  o poeta romano Horácio, com sua frase: “Exegi monumentum aere perennius” ( Ergui um monumento mais duradouro que o bronze). Os monumentos de bronze de Roma, com a invasão dos bárbaros foram destruídos e sua poesia existe até hoje.

Millor Fernandes, frasista de mão cheia, do qual fui admirador e confidente, em 1971, na Revista veja, ao opinar sobre a arte contemporânea escreveu: “Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e olhando bem, nem são contemporâneos”.

Estamos passando por um momento impar e caótico em nossa História.O volume espantoso de corruptos e dos volumoso desvios.  do nosso erário, não está sendo tratado com a devida vontade de punição, ante a demora exasperante de repor o que foi desviado e prender os culpados.

Dar o ensejo para o Congresso decidir, sobre o que o Ministério Público enviou é inacreditável, pois lá estão muitos que são réus.

Nossa arte musical, devido a incultura da maior parte do país, mesmo sendo de uma pobreza de dar vergonha, é tocada toda hora nas rádios se Na TV.É uma questão controversa, dizem. 

No Rio Grande do Sul o Santander conseguiu levantar uma controvérsia apenas digna do momento em que vivemos (governantes bandidos legislando em causa própria, bandidos dominando vastas áreas até nas capitais e pornografia garatujada considera arte intocável).

Se Millor Fernandes  ainda estivesse entre nós repetiria :não são artistas, apenas indesejáveis contemporâneos...

Os gregos e mesmo Michelangelo, além de outros pintaram ou esculpiram nus artísticos, mas não pornográficos. Os corpos retratados são belos e o que é belo deve ser difundido.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trovas sobre o Setembro Amarelo


(Mês da prevenção ao suicídio)
Olivaldo Júnior

'Amarelo' é atenção,
"prevenção" a se adotar;
o vermelho coração,
em setembro, quer falar.

Do edifício mais bonito,
da varanda em primavera,
quis ganhar seu infinito
quando a vida em si já era...

Nosso filho mais amado,
nossa amiga mais querida...
Todo mundo é delicado
se tem alma, e ela é ferida.

Um sorriso que conforta,
um abraço bem gostoso,
e o diálogo abre a "porta"
da conversa ao ser idoso...

Pelo fio do telefone,
ou de um chat na Internet,
CVV, para um insone,
faz que a mente se aquiete.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sobre arte e liberdade de expressão *


Quadro que fazia parte da mostra encerrada

Ivana Maria França de Negri

Tempos sombrios estes, quando não se pode manifestar livremente a própria opinião e já mil dedos são apontados em nossa direção nos condenando sem perdão: fascista, golpista, homofóbico, nazista, ignorante, falso moralista, intolerante, reacionário, racista, carola, hipócrita, opressor, fundamentalista, entre outros adjetivos menos nobres, sendo que não nos encaixamos em nenhum. Somos julgados, condenados e fuzilados virtualmente!
É essa democracia que pregam? Colocando mordaças nas bocas? Impedindo o outro de ter opinião diferente? Onde fica o livre pensar dessa tal democracia?
O que me fez escrever este artigo foi a malfadada exposição que um Banco do Rio Grande do Sul patrocinou usando verba pública, quase um milhão de reais. Exposta,  uma cesta com hóstias, e nelas escrito nomes impublicáveis. Quadros com imagens de pessoas praticando zoofilia explícita e figuras de crianças mostradas de maneira vulgar, práticas que se enquadram como crimes pelo código penal vigente. Várias escolas levaram alunos para ver essa exposição, pois não havia classificação de faixa etária para visitá-la, mas devido à enxurrada de críticas, e de clientes encerrando suas contas, o Banco resolveu fechá-la antes do prazo determinado. Certamente, mais pelo encerramento de contas do que preocupação com as críticas e crianças. Mas mesmo que houvesse restrição de idade, nada apagaria as ofensas e a falta de respeito.
Nas redes sociais, quem ousou ser contra, foi taxado de hipócrita. Claro que até no Vaticano existem obras de arte com nus. Mas nu artístico é bem diferente de bestialidade. O que mais chocou foi a aberração, usar imagens de inocentes, crianças e animais, que não podem se defender.
Sou a favor da liberdade de expressão em todas as suas manifestações, mas antes de tudo, há que se ter respeito e bom senso para não ferir ou magoar ninguém. E ainda bem que nessa exposição não atacaram a religião muçulmana, senão, ao invés de apenas perder milhões de correntistas, esse Banco já teria sido detonado pelos radicais, como aconteceu com o jornal francês Charlie Hebdo, que  publicou charges ofensivas ao Islamismo e ao Profeta Maomé e doze pessoas foram mortas num atentado.
Claro que matar é abominável em qualquer circunstância! Mas para que mexer com vespeiro? Pra que ofender e satirizar a fé que os outros professam? Quem semeia guerra, colhe morte. Se quer atacar, ainda que com palavras ou através de imagens, saiba que virá uma reação de igual intensidade. É a lei da ação e reação.
Liberdade de expressão tem limites, sim! E isso não reporta à ditadura, tampouco à censura, mas ao respeito, palavra bastante esquecida hoje em dia, principalmente nas redes sociais, onde os dedos apontam de todos os lados e as línguas são mordazes. O que vai passar pela cabecinha das crianças, em idade de formação ainda, que viram aquela imagem de dois adultos contendo um animal para fazer sexo com ele? Que é uma atitude normal? E o desrespeito às hóstias?
Ninguém é obrigado a concordar com o que você pensa ou fala, mas tem a obrigação de respeitar seu ponto de vista sem agredi-lo. Não sei porque as pessoas colocam tudo dentro do campo da política, no mesmo balaio. Eu não pertenço a grupo nenhum, me decepcionei com a política e políticos e quero distância. Essa militância fanática dividiu as pessoas em dois grupos: esquerda e direita, e há um discurso horrendo de ódio vindo de ambas as partes. Ninguém é dono absoluto da verdade, mas cada um deve respeitar a verdade que o outro acredita e tem como sagrada. Deve-se debater com elegância, jamais com palavras de baixo calão. Argumentar e não atacar. E bom senso e respeito devem imperar sempre!
Hóstias com palavras ofensivas à religião católica

* Texto publicado na Gazeta de Piracicaba 22/09/2017


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Trovas para o Dia da Árvore

Ipê florido da rua do Porto (Piracicaba SP) por Ivana Negri


21 de setembro - Dia da Árvore
 Olivaldo Júnior

De semente pequenina,
grande árvore nasceu;
faz de conta que é menina,
mas, no fundo, já cresceu...

Numa curva da ribeira,
dentre as pedras do riozinho,
a mais linda laranjeira
põe seus frutos no caminho!...

Campo aberto, noite adentro,
guarda as árvores que avisto;
chega um dia, e acabo dentro
de uma delas, que conquisto.

Da sombrinha que nos dá,
do carinho que nos tem,
do arvoredo, "Shangri-Lá":
esperança para alguém.

- Sim, fui árvore, oh, menino,
em longínqua encarnação!...
Mas, sem água, meu destino
foi morrer ao sol, sem pão...

No jasmim que é só perfume,
numa noite de Natal,
cada mero vaga-lume
vira enfeite natural...

O papel que foi caderno,
vão suporte de um poema,
pode ter um ciclo eterno
se o reciclo vira um lema.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

CANTO DE OUTONO


Aracy Duarte Ferrari

Junto às flores de outono
Canta a natureza,
Canta, encanta e contracena.
Dialoga com as folhas envelhecidas
Na primavera eram verdes esmeraldas...
No chão divide o espaço com outras,
Delimitando as estações outono-inverno.
Hoje na memória, submersas estão,

Muitas vezes, nas páginas da memória.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Nhô Lica apresentado ao Grupo de Escoteiros Piracicaba

A convite do Grupo Escoteiro Piracicaba, o personagem piracicabano Nhô Lica foi apresentado às crianças.
Os lobinhos fizeram perguntas e contaram suas histórias também. 
E receberam livrinhos autografados de presente!



























domingo, 17 de setembro de 2017

A GAROTA BELGA

         

                                                                            Eloah Margoni

    Arlon é uma pequena cidade da Bélgica onde, há muitos e muitos séculos, estiveram os romanos, esses metidos. Restos de colunas e artefatos, imagens, pedras de construções daquele povo sobraram lá. Vimos pouco desses objetos arqueológicos porque o museu local estava fechado; aliás quase tudo estava fechado. Era um sábado depois do meio dia quando ali estivemos. Para ajudar era dia friorento com uma chuvinha que caía assim, bem fina mas persistentemente sobre dois seres que vestíamos casacos mas não capas impermeáveis, nem tínhamos guarda-chuvas. Contudo andávamos pelas ruas vendo coisas, teimosos, e gulosos de histórias, de formas, de fachadas bonitas e antigas, ávidos de novidades. Fomos à catedral, gótica naturalmente, e esta era um local luminoso, muito cuidado, pleno de flores, de cores e luzes. Foi a catedral e a igreja mais leve e suave que vimos durante toda essa viagem.
     Ao sairmos da igreja, picamos lá e acolá, palmilhando o chão molhado; vimos outras coisas: Tim Tim e seu cachorro como bonecos numa vitrine de loja na rua deserta, esses personagens de histórias em quadrinhos dos anos 40; vimos um restaurante acolhedor, aberto, no qual almoçamos. Também travamos conhecimentos com uma família portuguesa de mãe, avó e netinho, com a qual conversamos por meia hora. Muito próxima do restaurante havia uma casa de chocolates. A mulher por detrás do balcão não falava uma palavra de inglês e eu de francês não falo quinze delas... Mas pra comprar e vender chocolates, os gestos serviram. Bons chocolates.
       Contudo, pipoca aqui, pipoca lá, já eram horas de acharmos o caminho de volta à estação ferroviária. Devíamos voltar ao hotel em Luxemburgo, cerca de trinta quilômetros dali e onde estávamos hospedados; são aproximadamente quarenta minutos de viagem de trem. Mas... de qual lado ficava a estação?
      A chuva agora piorando e o frio desagradável, em pleno verão europeu, nos faziam ter pressa de encontrarmos o caminho. Então o de sempre, perguntar em inglês para onde deveríamos ir. Mas não estava dando certo... Foi quando vimos aquela moça subindo as escadas as quais descíamos para alcançar a rua debaixo! Ela não combinava nada com o clima, nem com a moda convencional; parecia uma pedra rara, peça estranha, personagem de filme ou de livro. De estatura média, rosto bonito e olhos claros, não era magra propriamente. Teria por volta de vinte e sete, vinte e oito anos. Usava um vestido verde folha, de saia semi rodada, até os joelhos; o tecido não era cetim não, mas semelhante, um pano fino com certo brilho, como esses usados em forros. Por cima do vestido um casaco leve também, de pano meio florido, com cores alegres. O guarda-chuva também florido, de outro tipo de estampado, não descombinava do casaquinho porém. Meias pretas tipo rede e uns sapatos primaveris, de cor creme com saltos em carretel, que achei estranhos. Os cabelos eram escuros com cachos bem feitos, como se os tivesse arranjado assim, e não chegavam aos ombros. Usava óculos de grau.
    Vendo aquela moça assim vestida, pareceu-me evidente que iria encontrar alguém, ou que iria a alguma festa, comemoração, fosse o que fosse. Estava a seu modo “produzida”, desafiando o tempo e a moda. Ao frio talvez estivesse habituada...  
    Pedi-lhe indicações em meu parco inglês. Ela, simpática e sorridente, começou a explicar, mas desistiu. Disse que nos poria no caminho, que achava melhor assim. Fiquei preocupada. Preocupada com ela, com seu compromisso (tinha de haver um compromisso!), com os cachos aparentemente acabados de serem feitos, com a maquilagem, com os sapatos de saltos carretel no chão molhado. “Não”, eu disse. “Será um transtorno para você”. Mas ela insistiu e nós a seguimos por uns quatrocentos metros.

     Ela alegremente contava que era professora de primeiro grau, ou de jardim de infância talvez. Estava animada, parecia feliz em ajudar. Eu, ansiosa por seu horário, e ainda a chuva... Contudo, a bonequinha, a fada, a figurinha de livro sempre sorrindo, colocou-nos no caminho, apontando numa direção, na qual reconhecemos logo o trajeto a ser feito. Não houve como pedir-lhe para fazermos uma foto; seria solicitar demais! Mas, como podem imaginar, disso muito me arrependo, de não ter pedido, e tenho de lembrar dela conforme posso. Aquela ninfa belga de óculos e de guarda-chuva florido, numa tarde friorenta em Arlon.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quietude


Sílvia Regina de Oliveira


Vim percorrendo caminhos molhados,
Todos os lados, com os passos lentos.
Quieta aventura, atmosfera leve
Tal qual a neve a clarear momentos.

Por entre nuvens surge o sol de inverno,
Silêncio terno vai nascendo em mim.
Sob a ponte passam as águas densas,
Dores imensas levadas assim.

Caminhos tantos eu vim percorrendo,
Me apercebendo de toda grandeza
Nos lugares vários, também na alma,
Em doce calma e singular beleza.

sábado, 9 de setembro de 2017

No dia 25 de agosto, no Centro Cultural Martha Watts, aconteceu o lançamento do livro infanto juvenil "Capitão Nhô Lica, o Colecionador de Pedras".
Autora Ivana Maria França de Negri, com ilustrações de Ana Clara de Negri Kantovitz

(Fotos Cassio Negri e Marcelo Fuzeti Elias)

Ivana, Ana Clara e Joceli Lazier, diretora do Martha Watts