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domingo, 15 de janeiro de 2017

Profissões extintas


Ivana Maria França de Negri

De tempos em tempos, várias profissões desaparecem e outras novas surgem, conforme as necessidades ou mudanças de costumes.
Por força da tecnologia esse processo está cada vez mais acelerado, e de modo inexorável, vão sendo decretadas mortas algumas profissões.
Alguém já ouviu falar do acendedor de lampiões? Eles eram incumbidos de acender todos os dias os lampiões de querosene quando anoitecia e os apagavam ao nascer do sol. Com a chegada da eletricidade, a profissão acabou.
Telefonista era uma atividade em alta. Dela dependiam todas as ligações interurbanas. Hoje, com os celulares, esse trabalho não faz mais sentido.
Algumas profissões nos levam ao riso hoje, mas na época, tinham sua importância, como o arrumador de pinos de boliche, que a cada jogada armavam rapidamente os pinos para novas jogadas. Hoje tudo é feito eletronicamente.
Quando não havia refrigeração, o leite era entregue todos os dias diretamente das fazendas, e quem o fazia era o leiteiro. E também o padeiro entregava os pães quentinhos. As cidades eram pequenas e todos se conheciam. Hoje em dia, nas grandes  metrópoles, ninguém conhece mais ninguém e abrir um portão é tarefa difícil devido ao medo de assaltos. Somos cercados de grades, cadeados, cães de guarda e câmeras.
Algumas profissões agonizam, como é o caso dos alfaiates e modistas, pois comprar roupas prontas é muito mais fácil e até mais barato.
Engraxates também estão em vias de extinção. As pessoas preferem tênis ou sapatos de outros materiais, que não o couro, e não prezam tanto sapatos brilhantes como no passado, quando as ruas eram de terra batida e sujavam muito mais.
O amolador de tesouras, que era ouvido pelo toque de sua gaita, não se vê mais há muito tempo. Muitas profissões acabam  porque  filhos e netos não se interessam em seguir o ofício dos pais e avós. Preferem as áreas promissoras da informática,
A indústria chinesa contribuiu muito para a derrocada de muitos profissionais por terem barateado tanto os produtos de má qualidade que as pessoas não mandam consertar nada, tudo se torna descartável. Quebrou, vai para o lixo, e quem arrumava, ficou sem trabalho. Relojoeiros são raridade, assim como consertadores de guarda-chuvas. Lembram-se dos vendedores de enciclopédias? Hoje qualquer criança sabe pesquisar no Google tornando obsoletas as enciclopédias.
Os fotógrafos que ficavam nas ruas, os lambe-lambe, já sumiram do mapa faz tempo. Todo mundo faz suas próprias selfies.
O que me inspirou a escrever este texto foi a recente proibição das vaquejadas no nordeste. Essa decisão provocou a ira dos amantes da vaquejada que querem derrubar o veto alegando que é um esporte cultural e muitos “profissionais” ficarão sem emprego. Mas desde quando tortura é cultura? Já está mais do que na hora de acabarem com rodeios, touradas, vaquejadas, farra do boi, “esportes” que torturam animais inocentes para deleite de sádicos que se comprazem com a dor alheia.
E essa desculpa de desemprego não cola. Quando os canavieiros faziam as odiadas queimadas para a colheita manual da cana, alegavam que se a prática fosse proibida e colocassem colheitadeiras, haveria desemprego em massa. As queimadas acabaram, e não ouvimos mais falar sobre isso. Não importaram mais pessoas para trabalho semiescravo, e elas arrumaram empregos em novas áreas que vão surgindo.
E assim caminha a humanidade...

Texto publicado na Gazeta de Piracicaba 15/01/2017

Um comentário:

Maria José Soares disse...

Muito boas suas colocações, Ivana.
Sonho o dia em que ouvirei falar que acabou a profissão de matador de animais em matadouros. Quem sabe eles consigam emprego como coletores de flores e frutos. Sei que é um sonho impossível para minha geração. Mas quem sabe meus descendentes poderão descrever esse acontecimento algum dia.
Um beijo e parabéns pelo belo texto.
Maria José Soares/MICA