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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

AMIGO OCULTO


Elda Nympha Cobra Silveira

Recebemos vários e-mails sobre alimentação e um deles recomendando comer alfafa, outro indica, vejam bem, comer capim, também devemos comer milho. Fiquei pensando: deve ser para nos igualar aos animais mesmo, para perdermos essa pose de animais superiores, porque segundo as pessoas que amam os animais, estão nos comparando com eles, mas só que inferiores a eles.Vejam bem:  o cão é fiel ao seu dono, guarda a casa e o perdigueiro leva o homem à caça, o São Bernardo procura as pessoas perdidas na neve e há cães que trabalham como detetives nos aeroportos, farejando as drogas talvez escondidas dentro das malas ou no bolso dos passageiros. Há cães farejadores que ajudam a procurar bandidos. Há também os acompanhantes de cegos. Muitas pessoas solitárias e sem família têm um cão como seu amigo e companheiro, para passear, ir as compras e preencher o  espaço da casa que se tornou vazio, com o passar dos anos. Vamos fazer um paralelo com os humanos. Muitos homens e mulheres não são tão fiéis, porque talvez, a fidelidade não lhes seja inerente.
Se colocarmos alguém vigiando nossa  casa ou mesmo o quarteirão, ele usa seu apito no começo da noite, mas depois é um silêncio total, porque naturalmente estará dormindo. Já o cão de guarda não faz isso. Experimente se aproximar do portão de qualquer casa, ele late e avança sobre o intruso. Se colocarem alguém para procurar drogas num aeroporto é quase certo que esse homem não será da mesma confiança. Como policial ele também não é mais confiável, disso temos certeza.
Se forem acompanhantes de cegos ou pessoas solitárias, muitas vezes, são falhos e ingratos pois sempre abusam da confiança neles depositada.
Certa vez, quando morava no Bairro Alto -- gosto de dizer assim, não me acostumo com Cidade Alta,-- o portão da garagem estava aberto e nosso cachorro escapou. Foi um alvoroço, porque a carroçinha estava chegando. Ela iria  levar o cachorro  ao canil da Prefeitura e a Lei dizia que se os cães capturados não fossem procurados pelos donos dentro do período de quatro dias,  seriam sacrificados. Desta forma se acreditava que não restariam mais cães pelas ruas da cidade.
Como na época tinha uns sete anos de idade,  chorando, montei  no cachorro, que era bem grande, à espera dos homens que o viriam aprisionar. Nisso, minha família inteira já estava na rua e minha mãe me protegendo clamou para os tais funcionários, que assim foram embora. Por muito tempo  passei a me sentir uma  heroína, pois os vizinhos não falavam outra coisa.

Há muitas histórias sobre a fidelidade dos cães como o conto japonês “Sempre ao seu lado” que se transformou num filme americano emocionante estrelado por Richard Gere que fez o papel do professor da universidade de Tókio, que adotou um filhote que chamou de Hachiko, tornando-se grandes amigos. Todos os dias ele viajava para lecionar e o cão esperava que ele voltasse  na estação. Depois da morte de seu dono Hachiko continuou a esperá-lo debaixo de qualquer tempo por dez anos e ficou tão estimado pelo povo, que ganhou uma estátua. São exemplos como esses que nos levam a  comparar os animais com os humanos, que são animais racionais, mas nem sempre têm essa sensibilidade, e parece  até que ela está sendo abafada ou abolida pelo que se lê e se vê pelo mundo.

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