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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Anjo Doutor - 18 de Outubro


            Ivana Maria França de Negri

             Dia destes, brincando na internet, caí num site sobre anjos que pedia para digitar a data do nascimento para saber qual era o nosso anjo guarda. Lendo a descrição do meu anjo, entre surpresa e incrédula, uma imediata associação de ideias me ocorreu ao descobrir que ele se chama  Rochel.
            No longínquo ano de 1973, eu contava pouco mais de 18 anos. Casei-me e fui morar em Brasília, onde meu marido cursava o terceiro ano de medicina. Terra estranha, não conhecia ninguém, longe da família e dos amigos, vi-me grávida e amedrontada. Meu marido estudava em tempo integral na faculdade e dava aulas num cursinho à noite para ganhar uns trocados para manter a família.
            Decidimos consultar um médico para o necessário acompanhamento pré-natal. Compramos um jornal e escolhemos aleatoriamente o nome de uma médica. Marcada a consulta, comparecemos no horário combinado e pagamos a consulta, preço extravagante para um casal que vivia ainda da mesada dos pais. Após longa espera, ela nos atende muito séria. Mal conversou e examinou rapidamente minha barriga, pedindo em seguida vários exames de laboratório. Alguns dias depois, com os resultados em mãos, retornamos ao consultório, e qual não foi a nossa surpresa, quando nos foi cobrada nova consulta, sem que a médica sequer aparecesse.  Era mês de dezembro e nem preciso dizer que naquele ano nosso Natal foi bem “magrinho”...
            Não voltamos mais na doutora. Em conversa com um professor que também era ginecologista,  meu marido comentou o fato. Ele deu-lhe um tapinha nas costas e convidou-nos a ir ao seu consultório para que ele me examinasse. Não cobraria de um “colega”, seria uma camaradagem entre profissionais. Disse isso, creio eu, apenas para não nos constranger, pois meu marido ainda nem era médico, apenas um terceiranista de faculdade.
            Doutor Rochael Ribeiro era um nordestino brincalhão de seus quarenta e poucos anos e seu riso espalhafatoso alegrava qualquer ambiente, por mais frio que fosse. Não só atendeu-nos por todos os meses restantes da gravidez, com carinho de pai e extrema competência profissional, como forneceu amostras grátis  das vitaminas e outros remédios necessários. Arrumou até o hospital para o parto, que foi um tanto difícil, e seu amplo sorriso e otimismo contagiante, davam forças à garota tímida e medrosa do interior.
            Não contente com tudo isso, ainda apresentou-nos um amigo pediatra que acompanhou nosso primogênito nos primeiros meses, nos quais cresceu forte e saudável.
            Doutor Rochael também fez o parto de nosso segundo filho, uma menina, quando meu marido, já  formado, fazia a residência médica. Nunca o esquecerei. Mais que médico, tornou-se um grande amigo e nosso orientador. Talvez ele gostasse de saber que o bebê que ele ajudou a vir ao mundo, naquele ano de 1974,  hoje é médico também.
            Aonde quer que esteja, pois nunca mais soube dele, peço a Deus que abençoe e proteja essa figura inesquecível em minha vida e à qual serei eternamente grata. Existem médicos e Médicos. E ele certamente pertence à segunda categoria, a daqueles que fazem da profissão um verdadeiro e santo sacerdócio.  Todos nós temos anjos protetores em nossa vida. E ele, sem o saber, foi um Anjo maravilhoso que apareceu no momento em que mais necessitávamos de ajuda.
 Anjos não precisam ter asas. Só seus sorrisos sinceros encantam e nos fazem “voar” com eles. Obrigada por tudo anjo Rochel, ou Rochael...

Um comentário:

andrea disse...

Lindo, emocionante, estou aqui encantada. Ele também foi meu anjo, me recebeu como pai de coração e cuida de mim até hoje nos meus 43 anos de idade. Linda crônica!!!