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domingo, 1 de maio de 2016

Primeiro de Maio


Olivaldo Júnior

        Eis o Dia do Trabalho, o Primeiro de maio, que, primeiro, raia nas costas nuas do estivador, na luz que adentra a cozinha, em pratos que a diarista ensaboa e enxágua com mãos de quem trabalha a dor que sente e só a desmente quando ri. Rimos da vida, com a vida e pela vida, que rir é o melhor remédio. Meço a vida pelo riso que dou e, logo, logo, constato que sou pobre. Rico é quem ri. Remédio, é o que sobra a quem chora. Ora, é Primeiro de maio, cantiga de Marx, sindicatos em festa!... Quem trabalha, ao menos, come. Nome? Sim, nome é bom ter, pra comprar no carnê, seja carne, seja arte, que a vida é bem grande. Ande, que a fila do povo é de todos!
        O trabalho de um poeta, ou de quem se atreve a ser um, é ter nas mãos uma língua e, com ela, tecer seus enredos, rendar suas redes, roubar suas luas, lutar por ninguém, por você, por si mesmo, que tudo é trabalho. Falho, o homem faz conta de, um dia, andar sobre a terra da aposentadoria. Ria, que eu deixo. Chove, faz sol, e nada para, tudo é sempre. Quem para paga a conta.
        Há um conto bem lindo do Mário de Andrade, com o mesmo nome que dei a esta crônica. Você o conhece? Se não, vale a pena buscá-lo. Fora escrito durante a Era Vargas. Você vai gostar dele. Minha crônica faz graça, assa o pão da paciência de quem a põe no forno de sua mente, que ler é trabalho. Talho, letra por letra, no cerne da escrita, minha forma abstrata de história. Serei só eu?
        "Como se fora brincadeira de roda, memória / Jogo do trabalho na dança das mãos, macias"... Gonzaguinha disse tudo, e Elis corroborou o dito. Deus ajuda quem cedo madruga? Madrugo e enxugo o rosto na fronha do azul, orvalho. Cada enigma, uniforme posto, um semblante a mais na labuta, na tábua dos dias, que empinam mil pipas no céu da criança. Trabalho? Sim, trabalho. Mais formiga que cigarra, mais Pierrô que Arlequim, psicanaliso minhas horas sob a luz da indulgência. É Primeiro de maio! Marcha da CUT, com a CUT e pela CUT... Replay de um momento único, presente histórico? Trabalho. Vida que segue! A fera canta.

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