As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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domingo, 29 de março de 2015

CAMINHANTE


Helena Curiacos Nallin

Todos somos caminhantes
Neste mundo de ilusões
Alguns procurando abrigo
Outros buscando emoções

Caminhantes, um abrigo
Você acha sem grande perigo,
Mas emoções bem vindas,
Só mesmo a sorte sorrindo

Para isso ande sempre
Com muita fé e amor
Caminhante, não desista
Ame, viva e insista
Aí você vai viver

A emoção que te visita.

quarta-feira, 25 de março de 2015

CONVERSANDO COM A SAUDADE


          Ludovico da Silva

            O sol lá fora parecia preguiçoso, na tentativa de furar nuvens cinzentas, que se engalfinhavam, naquele vaivém provocado pelo vento. Por trás, o céu ficava emoldurando o floreio, misto de borrasca e bailado.
            Eu observava da janela aquela manifestação incompreensível de fatos ante meus olhos e divagava sobre os mistérios que se escondiam pelos vãos da natureza.
            De repente, aquela imagem desapareceu, dando lugar à beleza de um dia de alegria e esperança, com o sol incendiando a vida com seus raios brilhantes.
            Recolho-me e me acomodo em uma cadeira de balanço. Ia até cochilar, quando um estalo forte chamou-me a atenção, vindo não sei de onde, que me pôs de sobressalto e a andar pela casa, à procura de alguma assombração a pedir socorro.
            Em passos incertos, vejo-me perdido entre os cômodos da casa. Os estalidos estremeciam os móveis, antes calados e adormecidos no passar do tempo.
            Restava-me ouvi-los, se tinham algo a me dizer.
            Estou em frente a uma penteadeira, de minha avó, encostada em um canto do quarto. A imagem que aparece no espelho mostra traços físicos de meus antepassados, o que me assusta, por que sou jovem e me vejo transformado no homem do futuro.
            A curiosidade me faz abrir todas as gavetas, à procura de segredos camuflados entre papéis e fotografias. Encontro cartas cheias de palavras de amor, de um sentimento íntimo de lealdade. Bem no fundo de uma gaveta a foto dos avós, semblante cheio de seriedade, mas de confiança. Um leve sorriso de minha avó e um porte elegante de meu avô. Um toque em uma caixa de papelão, amarelecida, desperta os sons maravilhosos e cheios de saudade da música da bailarina, que recorda aquele rodopiar elegante em volta de si mesma. Parecia alegre como feliz, esquecida e calada por tanto tempo.
            Ouço um tilintar que vem da sala. É o telefone de tempos imemoriais, assentado na parede, que me chama. Levo o fone ao ouvido e seguro como a mão direita aquele bocal escuro, que vai transmitir as minhas esperanças de conversar com meus antepassados. Só escuto. As palavras que me chegam vêm de longe e traduzem um sentimento de saudade. Recordações que ficaram guardadas no tempo. Não sei o que falar. As palavras me fogem. Meus pensamentos se embaralham. A voz do lado de lá vai sumindo lentamente. Não se despede. Fico triste e só me resta enxugar os olhos.
            O ranger de uma mesa me leva à sala de jantar. As refeições reuniam toda a família. Hora dos tratamentos das atividades do dia, dos negócios e soluções de pendências familiares. Dos passeios, dos namoros e aventuras dos jovens. Sinto penetrar pelos meus ouvidos doces palavras e conselhos de minha avó aos meninos de calças curtas e meninas de vestidos de chita e fita nos cabelos. Meu avô só acompanha e me dá uma piscadela com o olho esquerdo, dando a entender para sairmos e deixar as demais à vontade. Ele me leva para a sala de visitas, onde liga uma velha vitrola.
            Enquanto meu avô ouve música, me sobra tempo para correr os olhos pelos cantos da sala. À entrada da porta um mancebo agasalha um casacão escuro e grosso e um chapéu de feltro. A escrivaninha porta um tinteiro de vidro. De um lado, tinta azul. Do outro, vermelha. A caneta de madeira com pena de aço descansa sobre a mesa. Tudo meio esquecido. Culpa do tempo. Nada posso fazer. Apenas admirar todas aquelas lembranças que permanecem na saudade.
            Meu avô parece absorto, ouvindo música. Os olhos fechados. Me aventuro pelos fundos da casa e entro no quarto do velho casal. A cama bem arrumada, coberta com uma colcha de crochê. Os criados ao lado mudos, discretos. Na minha imaginação, guardando segredos. Por sobre a cômoda, retratos dos filhos. A prole é grande. Aqui não ouço nada. Tudo é silêncio.
            Volto para o meu ponto de partida, a janela. Lá fora o entardecer está se despedindo. O sol se escondendo, deixando aquela obra plástica do ocaso. A lua cheia mostra a sua cara. Espero uma noite de muitas estrelas, para completar este meu tempo de saudade.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Xícaras são portadoras de lembranças de cafés


Carmen Pilotto

No aconchego da família
Na confidência com amigos
No casamento feliz
Na paixão avassaladora
Na solidão dos bares
Na aurora energética
No ocaso melancólico.
Pacientemente elas repousam aguardando novas emoções, são testemunhas silenciosas de grandes momentos de nossas vidas...

quarta-feira, 18 de março de 2015

ILHA DA MAGIA


                                               Leda Coletti

Após mais de 20 anos voltei a Florianópolis. Devo admitir que só me lembrava vagamente da área central, ou seja da catedral  e da figueira na praça.
Neste fevereiro de 2015, posso dizer que a conheci um pouco mais e por esta razão encantei-me por ela. Ao  mesmo  tempo que tive a sensação de estar numa cidade grande senti a natureza bem presente, pois além do mar, praias paradisíacas e lagoas,  alguns trechos da cidade conservam a mata ciliar, onde há trilhas para quem desejar conhecer e usufruir sua paisagem verde.
Com exceção das construções erguidas nos morros em épocas passadas, não há casas nas partes mais altas. As populares encontram-se nas áreas baixas e para o turista desavisado não há bairros de periferias isolados dos bairros de classe média e alta. Estes últimos existem em condomínios fechados e até abertos, nas praias Jurerê, Santinho com mansões de pessoas com grandes posses, incluindo alguns jogadores de futebol e astros da televisão. Não vimos favelas.  
Conheci lugares pitorescos que caracterizam a iniciação do povoado, às margens da Lagoa da Conceição. Alguns: Santo Antonio de Lisboa e Ribeirão da Ilha. Os casarios antigos com telhas portuguesas e azulejos pintados retratam a chegada dos imigrantes das ilhas dos Açores e Madeira aliciados pelo governo, que ao erigirem a capela do local, escolheram como padroeira, N.Senhora das Necessidades. A guia enfatizou Nossa Senhora do Desterro e oficialmente a padroeira da cidade e também do estado, é Santa Catarina (de Alexandria).
Um dos passeios inesquecíveis foi o de escuna, saindo da região das Canasvieiras para as Fortalezas de Santa Cruz e Santo Antonio.  “Capitão Gancho” era o nome da embarcação, réplica das utilizadas pelos piratas estrangeiros no início do povoamento da ilha, muito cobiçada por eles. A viagem transcorreu num clima muito alegre, com os animadores em trajes de piratas, promovendo o entrosamento entre brasileiros, argentinos, uruguaios e outros turistas.
Sobre a fortaleza o guia da excursão nos contou que esta teve papel fundamental na vitória da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, quando era presidente da República, Marechal Floriano Peixoto. O nome de Florianópolis foi em sua homenagem. Atualmente há grupos na cidade interessados na mudança. Grande parte da população, a chama de Floripa. Outros sugeridos: Desterro, Ondina, Ilha da Magia etc.
Outro destaque da tradição é seu morador ser chamado carinhosamente por “Manezinho”. Isso, porque conta a história que em quase toda família de colonização portuguesa havia uma pessoa ou mais, com o nome Manuel. 
Visitando o bairro açoriano Ribeirão da Ilha, além do deslumbramento com as moradias semelhantes às das ilhas portuguesas, minha atenção foi despertada pelas fazendas de ostras, onde nos explicaram o processo e cultivo das mesmas. Depois houve a degustação “in natura” e no bafo. Preferi optar pela segunda e confesso que apreciei. 
Não poderia deixar de contatar a vida que se desenrola à beira de uma das maiores lagoas do Brasil, a lagoa da Conceição. Fomos de barco, conduzido pelos barqueiros. Tal embarcação funciona como meio de transporte para os moradores que residem nos postos, ou seja, povoados com pequena população e que sobrevivem da pesca e turismo.
 Conversando com uma moradora do local, que é pescadora de camarões e rendeira de bilro, soube que pela lei ambiental em vigor no município, os donos de negócios e mesmo particulares, não podem construir além da faixa de área territorial estabelecida pelos órgãos governamentais e estão sujeitos à punição se a ultrapassarem.
Seus moradores têm raízes sólidas onde nasceram. A mesma senhora que viajou no barco que nos conduzia, contou que aí nasceu e permanece até hoje. Dos seus dois filhos, um também reside à beira da lagoa e atualmente é dono de um dos barcos. Disse que antes de ser proprietário foi entrevistado por um canal de televisão e quando lhe perguntaram se não trocaria sua vida naquelas plagas por outra mais lucrativa, ele respondeu firmemente que por dinheiro algum deixaria de viver e trabalhar na lagoa. Descemos num dos postos de parada e após o grupo se banhar com as águas formadas pela cascata vinda da mata, almoçamos peixe pescado na lagoa da Conceição: o carapeva, acompanhado com molho de camarão. Muito bom!
Tivemos como ponto alto da programação conhecer o Projeto Tamar (Ta, Tartaruga e mar de onde ela se origina). É muito bonito acompanhar o trabalho desenvolvido pelos profissionais da área, para a preservação e perpetuação da espécie. Desse ponto seguimos em grupo para a Barra da Lagoa. Era a hora do almoço e aproveitamos escolher no cardápio, o que é comum ser servido na ilha: “sequência de camarão”. Pedimos para duas pessoas, mas não conseguimos comer nem a metade da porção, pois a quantidade era enorme. Valeu, pois matei a vontade de comer camarões preparados de vários modos.
Sobre o Bairro do Campeche, localizado no sul da Ilha contam os mais antigos que este Bairro do Campo do Peixe, recebeu a visita do então piloto e escritor francês Saint-Exupéry, conhecido pelo apelido de Zé Perri. Ele, por várias vezes ficou nessa região, utilizada na época como parada para entrega de correspondência e lhe deu o apelido de Champ et Péche, como é conhecida  nos dias de hoje. A principal avenida recebeu o nome do livro que o tornou famoso: Pequeno Principe. Fico a pensar se muitas de suas prosas poéticas não foram inspiradas nesta ilha cheia de encantos. Desses, o poeta Edy Leopoldo Tremel se inspirou para compor  o que hoje é o hino de Florianópolis. “ um pedacinho de terra/ perdido no mar.../ um pedacinho de terra/ beleza sem par.”
Por tudo isso só posso dizer: Valeu ter retornado à Ilha da Magia!


P.S. Em boa hora leio na edição de hoje do Jornal local “A Gazeta” (dia 07/03/2015): A primeira cidade melhor para criar os filhos, dentre os 100 melhores municípios do Brasil é Florianópolis. Também com quase meio milhão de habitantes tem o terceiro maior índice de desenvolvimento humano

sábado, 14 de março de 2015

Comemoração do Dia da Poesia 2015

Foto de Isabela Borghese - Jornal de Piracicaba 
Grupo de poetas na praça



Ana Clara com sua cestinha de poemas que ela mesma compôs


 Isadora e Ana Clara e suas cestinhas de poesias que compuseram




  



 Quem quer ganhar uma poesia?












Matéria na Gazeta de Piracicaba
Gazeta de Piracicaba

Matéria na Tribuna Piracicabana


Dia da Poesia - 14 de Março



Ordem poética
Olivaldo Júnior

 
Pega a poesia, menino,
como se fosse uma cor,
como se fosse um balão,
como se fosse uma dor
que lhe dá no coração!...
 
Pega a poesia, rapaz,
como se fosse uma flor,
como se fosse um vagão,
como se fosse um amor
que se faz em compaixão!...
 
Pega a poesia, senhor,
como se fosse um destino,
como se fosse capaz,
como se fosse uma coisa
que lhe cabe na razão!

terça-feira, 10 de março de 2015

Dia Nacional da Poesia - Convite






Estamos comemorando 10 anos de uma feliz iniciativa dos poetas do CLIP - Centro Literário de Piracicaba - em conjunto com outros grupos literários da cidade, que é a tradicional distribuição de poesias na data 14 de março - Dia Nacional da Poesia.
Neste ano, os poetas participantes estarão concentrados às 9h no Coreto da Praça José Bonifácio.
Haverá declamação de poemas, distribuição de poesias, apresentação musical a cargo do tecladista Coimbra e participação especial do Grupo de Poesia da CAF (Casa do Amor Fraterno).
Participam deste evento, que já se tornou tradição na cidade, além dos poetas do Centro Literário de Piracicaba, escritores do Grupo Oficina Literária de Piracicaba,  Academia Piracicabana de Letras, Sarau Literário e Clube dos Escritores.










sexta-feira, 6 de março de 2015

MULHER-ROSA


                       Leda Coletti


Nesse  ano, no dia da mulher homenageio as mulheres através da  pessoa de nossa querida “mama Amélia, mulher de verdade”, para nós a mais bela rosa dentre as rosas do nosso  jardim, como bem destacou no seu centenário, a amiga-irmã Lurdinha Sodero, que comparou suas virtudes expressas  no cotidiano, às manifestações das flores,  “ amor, candura, mansidão.”
Na simplicidade e alicerçada pela grande fé cristã, ela sempre foi nosso esteio nos momentos difíceis e o farol a nos apontar o caminho certo, demonstrado em ações cotidianas.
A saudade pela separação física ainda está batendo forte, mas a certeza de que está em paz, nos faz tranquilos e como bem disse Lurdinha, “ Amélia, Flor/Mulher”, exalará sempre o seu perfume, porque no jardim de sua existência foi uma flor especial e para nós familiares,  será  rosa eterna.
       Ás mulheres do século passado e às atuais, termino estas palavras, com uma trova que  testemunha a grandeza das mulheres, portadoras do Bem Maior, a Vida.

            Incansável no labor,
            a mulher carrega o mundo.
            Com ternura e muito amor,
                                                           Semeia fruto fecundo.





quinta-feira, 5 de março de 2015

MULHERES


Eunice Arruda
Mulheres

mecanizadas
simulam
vozes

De passos duros

e roupas leves
alargam a tarde
de fumaça e
objetivos

Têm pressa - não

sonhos


Mulheres mecanizadas

geram filhos e
criam o
abstrato