As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

CONVITE

Convite enviado pelo jornalista e escritor Armando Alexandre dos Santos




Academia Fides et Ratio - AFR
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB

Programa do Simpósio
São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil e artífice da nacionalidade.

Edifício João Paulo II, Rua Benjamin Constant 23, Glória, Rio de Janeiro.

18 de março de 2015

Abertura
09h00min –     Abertura do evento pelo Presidente da AFR, Pe. Aníbal Gil Lopes e pelo Vice-Presidente do IHGB, Victorino Coutinho Chermont de Miranda: Exposição dos motivos e objetivos do Simpósio.

Mesa redonda: Contribuição civilizatória de São José de Anchieta.
09h30min –     Presidente da Sessão: Pe. Aníbal Gil Lopes, AFR, ANM.
            Secretário da Sessão: Victorino Coutinho Chermont de Miranda, AFR e IHGB.

09h40min –     José Arthur Rios, AFR e IHGB: José de Anchieta, o Apóstolo santo.
10h00min –     Embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, IHGB: Anchieta: presságio e   paradigma da comunidade iberoamericana.
10h20min –     Gabriel Augusto de Mello Bittencourt, IHGB: Recriando as trilhas de Anchieta e dos jesuítas no Brasil e no Espírito Santo.
10h40min –     Mário Fernandes Correia Branco, UFF: As cartas dos primeiros jesuítas e as estratégias de conversão dos gentios: o caso de São José de Anchieta.
11h00min –     Pedro Afonso Karp Vasquez, IHGB: Anchieta cronista.

11h20min –     Debatedores: Pe. Pedro Magalhães Guimarães Ferreira, SJ, AFR; André Marcelo Soares, AFR; Anna Maria Moog Rodrigues, AFR.

12h00min – Intervalo para almoço.




Mesa redonda: São José de Anchieta:
as ciências, letras e artes a serviço do Evangelho.

14h00min –     Presidente da Sessão: Arno Wehling, Presidente do IHGB.
                        Secretária da Sessão: Vera Rudge Verneck, AFR

14h10min –     Armando Alexandre dos Santos, IHGB e IHGSP: Eduardo Prado e a comemoração do terceiro centenário anchietano em São Paulo.
14h30min –     Eduardo de Almeida Navarro, USP e IHGSP: A tradução anchietana do catecismo católico para o tupi e suas adaptações à realidade cultural dos índios brasileiros.
14h50min –     Cleonice Berardinelli, ABL: A obra literária de São José de Anchieta.

15h10min –                           Intervalo

Conferência

15h30min –     Miguel Corrêa Monteiro, Universidade de Lisboa, IHGB: O Padre José de Anchieta e a ação evangelizadora da Companhia de Jesus no Brasil.

16h20min –     Debatedores: Edivaldo Machado Boaventura, IHGB; Gustavo Miguez de Mello, AFR; Cecília Mollica, AFR.

17h00min –     Celebração eucarística.

*    *    *

Não poderão estar presentes, mas suas colaborações, enviadas por escrito, serão incorporadas ao volume a ser publicado com os textos de todos os colaboradores:

Ives Gandra da Silva Martins, Universidade Mackenzie e IHGSP: Anchieta e Nóbrega na fundação de São Paulo – O projeto português para o Brasil.

Damásio Evangelista de Jesus, CJDJ e IHGSP: A fundação e os primeiros tempos de São Paulo, numa carta de São José de Anchieta a Santo Inácio de Loyola.

Ricardo Luiz Silveira da Costa, UFES e IHGSP: As raízes medievais do Auto de São Lourenço.

Gilberto Callado de Oliveira, UNIVALI e Escola de Aperfeiçoamento do Ministério Público: Jusnaturalismo e tribalismo no marco evangelizador de São José de Anchieta.

Maria Ascenção Ferreira Apolônia, IHGSP: Nos versos e diálogos de Anchieta, a arquitetura de uma Nação.

Jorge Pimentel Cintra, USP e IHGSP: Anchieta, sua catequese e o problema dos valores culturais.

Alberto Luiz Schneider, PUC-SP e IHGSP: Charles Boxer e a historiografia sobre Igreja Ibérica na Era Moderna: Anchieta e a conversão dos gentios.

Pe. José Carlos Brandi Aleixo, SJ, IHGB: Título a ser definido.

Inscrições: Participação gratuita, condicionada ao limite de 30 participantes devido ao tamanho do auditório. Será fornecido atestado de participação. Inscrição através do e-mail: anchietasj@hotmail.com


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Amanhã é meu aniversário


Olivaldo Júnior

  Nada de mais, mas, amanhã, vinte e seis de fevereiro, é meu aniversário. Amanhã, mais uma folha virada na folhinha de minhalma. 
O que é a alma, senão uma luz candente, presente até que o corpo a prenda e apreenda dela o mistério? Amanhã, minha alma aniversaria com meu corpo, cada vez mais outro, cada vez mais longe do que pensou que seria. Onde a poesia? Em meu corpo? Em minhalma? Não, em nenhum deles. A poesia independe de mim, porque poesia não é poema. Amanhã, poesia, é meu aniversário, e sei que prossegue sem mim, caindo das pétalas da lua quando chove fino sobre as flores secas da existência, como lágrimas de um anjo que nos olha de cima e nos sabe acima de tudo o que nos arrasta para baixo, onde só temos raízes, não flores, nem perfume.
        Não, não queria "volver a los diecisiete", ou melhor, voltar aos dezessete, mas, quem sabe, ter feito mais do que fiz até hoje, entre pedras e espinhos, tentando, como Drummond, encontrar a flor no asfalto dos dias. Suspiro e me separo, um ausente. O passado já não é, mas é difícil de passar. Futuro é sempre um trem que não passou. Ou se fica em um, ou se fica em outro, e o presente ali, como uma corda que nos laça e não enlaça, um abraço que nos ata e não desata nenhum nó, nem um dos nós da garganta. Amanhã, é meu aniversário. Amanhã, não voltarei aos dezessete. Sim, "eu tenho mais de vinte anos". Amanhã, bem mais.
        Deixo, aos pés de quem me ama, umas palavras, que me tem dado um tempo, um gelo, e me feito mudo por dentro e, consequentemente, por fora. Amanhã, não agora, é meu aniversário. O itinerário é um solitário que se estende pelo tempo, como um náufrago que pensa em casa, em ter com os seus mais um jantar. Não, não hoje, mas, amanhã, é meu aniversário. A quem se fez o meu adversário e quer que eu volte ao pó, amanhã, é meu aniversário. Não levo isso como um troféu, mas como um fato. Ainda estou aqui e me ponho entre os vivos. Sonho que os vejo e por eles sou visto. Tenho visto para a vida. Onde o "green card"?
 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

NOSSA CASA SEM ELA



Plinio Montagner

Nazareth, a vida não é justa mesmo. Tantos sonhos, lugares a conhecer, viagens, tantos abraços a serem dados, mas não deu tempo. E agora, tormentosa, sem sua doce presença, a vida continua.
 Algumas viagens fizemos, é verdade, fomos a muitas festas, muitos boleros dançamos.
Relendo seus caderninhos de anotações de viagens você me fez lembrar os lugares que visitamos, como aquele hotel em Viena, com o piano de cauda que ousamos abri-lo, e você, tímida, e depois com firmeza, nos brindou com o Concerto de Varsóvia. Depois, a surpresa, os aplausos das pessoas que paravam para ouvi-la.
Divertimos muito em nossa vida; brincamos até alguns carnavais. Mas não era hora de você partir, na melhor fase da vida, do não fazer nada, do só nós, a realizar outras fantasias.
A vida é assim, é impossível se alcançar tudo. Tinha muito mais saldo de créditos para viver do que eu. Você, que cuidava tão bem de sua saúde e a de nossas queridas filhas. Como se não bastasse, tinha tempo para mim.
A fé ensina que quem sai desta vida vai para um lugar melhor. Não sei, tomara que seja assim mesmo. Quem sabe, filosofando um pouco, se esse afastamento aconteceu para ser poupada de assistir a outros infortúnios programados.
É isso, você desceu do vagão do trem da vida contra sua vontade. Mas é isso, não se pede para nascer, nem para morrer. Dão e tiram.
Querida, se não lhe havia agradecido, nem pago o que lhe devia - com certeza fiquei devendo – revelo a Jesus, Maria e José, que sempre você os evocava nas horas tristes, que você iluminou nossa existência, que fez nossa vida mais esplendorosa, deu-nos paz, harmonia, alegria. O mérito desse legado é todo seu.
Ah, esses mistérios da fé, da vida e da morte. Querem saber? Não me interessam, entendê-los é o tipo de tarefa para a qual ninguém se sente preparado.
Um fato ficará em minha memória. No dia do Natal, na UTI do hospital, você falou baixinho: “Plinio, amor de minha vida” – frase que pronunciamos um ao outro durante 45 anos de casados.
Uma amiga me disse que não devo chorar por você ir embora, mas agradecer-lhe pela convivência harmoniosa, pelas alegrias que nos deu - e por você ter existido.
Obrigado, meu amor, por ter me escolhido, por ter cuidado de sua mamãe, de seu pai, de nossas queridas filhas e netos, e de mim.
Lembrando você, quando pedia a Jesus, Maria e José, para que lhe suavizassem sua enfermidade, agora eu lhes suplico: Cuidem do meu amor!
Plinio – seu marido.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

MINHA VIDA


Benedito Daniel Valim

Minha vida é um impasse
difícil de entender,
Quanto mais o amor plantei,
 mais tristezas pude colher.
Enxuguei lágrimas de olhares,
de corações retirei espinhos
estendi minhas mãos aos sofridos
Das estradas e dos caminhos,
minha vida é diferente.
-Difícil é achar outra igual,
por mais que eu faça o bem.
Muitos retribuem com o Mal.
Estendo a mão e levo um tapa;
levanto alguém do chão
e ganho de presente uma rasteira,
Será para sempre assim,
o tempo todo, a vida inteira ?
Minha vida é minha vida.
Ainda que muito queira
não consigo mudá-la
As bofetadas do cotidiano
não mudarão meu caminhar.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CARNAVAL EM VENEZA

CARNAVAL EM VENEZA
Ivana Maria França de Negri


Nos canais verde-azulados
de uma cidade encantada
lânguidas gôndolas deslizam
levando em seus bojos
misteriosos mascarados
e seus segredos aprisionados.

É carnaval,
e os sonhos flutuam
como as gôndolas
nas águas azuis-esverdeadas
Nada mais importa,
é carnaval em Veneza.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

GATO



Jaime Leitão

imerso 
no imenso prazer
do sono
do sonho
depois do jantar
relaxado até a medula
vivendo ao extremo
o seu mundo
interno
particular
criado por ele
com personagens
inventados
pela sua imaginação
e outros extraídos
da realidade
do dia que passou.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

SATISFAÇÃO


Elda Nympha Cobra Silveira

Chorei sem pedir desculpa
Nadei sem saber flutuar
Voei sem saber pilotar
Não sei se o que sei é verdade ou...
Mentira sem sabor,
Alias é acre, impossível vir a gostar.

É possível que você me entenda, mas...
Se não, não terei dissabor.
Não vivo para ser compreendida,
Só entendo porque tenho
Tanta alegria, que incomoda,
Quem não as tem
Isso parece desdita.
Mas para mim é empenho,
O afã de viver sempre bem.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SOCIEDADE SEM VALORES

                          


                                                                       Pedro Israel Novaes de Almeida

            Integramos o seleto grupo de pessoas que acabaram por conviver amigavelmente com tecnologias e conceitos dos novos tempos, apesar das discordâncias e desconhecimentos de sempre.
            Na área tecnológica, sabemos acionar com desenvoltura o comando On – Off, além de regular o som dos equipamentos. Só.
            É incômodo e infrutífero tentar entender como um minúsculo equipamento, menor que um dedinho, pode armazenar tantas informações, e transferi-las a outra engenhoca, mediante uma simples acoplagem.
            A ciência evoluiu com demasiada rapidez, e restou, à maioria das pessoas, a sina de utilizar e conviver, sem nada entender. Alguns, por pobreza ou inconformismo, conseguem conviver sem utilizar.
            Já comemoramos a utilização da fotografia, mágica que transfere com fidelidade a imagem a um papel, e saudamos, como mágica maior, o advento do xerox, inclusive colorido. Agora, qualquer imagem é transferida, com fidelidade, a pessoas que se encontram a continentes de distância, com um simples clicar de celular ou computador. 
            Na área médica, descobrimos que integramos uma geração potencialmente fadada ao extermínio. Utilizávamos, sempre, tênis de solado reto, e ficávamos horas e horas ao sol sem qualquer protetor.
            Sabemos que é um direito de todos a busca da felicidade, modificando algumas características físicas que deprimem a autoimagem. Assim, um nariz que impossibilita o simples tomar de um cafezinho, na xícara, pode e deve ser corrigido, pois é incômodo operar tão trivial operação com o auxílio de um canudinho.
            O que não entendemos é o contexto psicológico de pessoas que colocam 5 quilos de silicone no traseiro e 4 quilos em cada mama, e acabam virando celebridades, nos programas de TV. Também é difícil aceitar a tese de que piercings, no olho, língua ou nariz, nada incomodam.
            Nas relações sociais, passamos a cultuar o coitadismo e a sobrevalorização do contexto individual, ainda que em prejuízo de muitos. Um só aluno, “dimenor”, pode atrapalhar o aprendizado de centenas de colegas, e arrasar o ambiente escolar, mas só será reprimido após uma longa e morosa análise de seu ambiente familiar e realidade social. A solução, via de regra, só é encontrada em meio à continuidade do nefasto comportamento.
            A sociedade ainda não conseguiu encontrar soluções práticas para menores, não contidos pelos pais, que perderam o medo da polícia, o temor a Deus e o respeito aos direitos alheios. Ao invés de isolá-los do convívio social, até que assumam novos comportamentos, optamos por ordenar, à sociedade, o paciente e tolerante convívio.
            É difícil entender e assimilar o contexto de leis meramente figurativas, raramente cumpridas, e o crescente hábito do não exercício da autoridade, que cada vez mais alterna abuso e omissão.
            A sociedade, que caminha a passos largos para a tecnificação, engatinha no contexto das relações humanas, e são poucas as instituições que inspiram respeito e credibilidade.  Dependemos, cada vez mais, do heroísmo de iniciativas e posturas individuais, e acabamos por endeusar pessoas que nada mais fazem que cumprir seus deveres, de funcionário ou cidadão.

            A sociedade parece marginalizar qualquer conceito ou tradição, ficando repleta de modismos, conduzida por valorações imediatistas da mídia.  Somos conduzidos, como uma boiada qualquer.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OS VÃOS DA VIDA


Ludovico da Silva

Nas manhãs de sol, saio a perambular pelas ruas da cidade, à procura de amigos, para bate-papos e preencher o vazio ocioso que a vida reserva às pessoas, após tantos anos na lida diária.
Nem sempre esse encontro acontece com a vontade que tenho e com a satisfação que quero. É que o tempo é um padrasto incompreensível. Leva os amigos para bem longe, que ficam no esquecimento ou na saudade.
Procuro nos jardins, nas esquinas, em cada pessoa à minha frente, na calçada do outro lado da rua, nos esbarrões acidentais, na voz que ouço, um rosto conhecido.
Sei que não é fácil.
Os invernos da vida entristecem olhares e sulcam as faces. Mas procuro alguém. Olho pelos lados. Canso-me. Tudo em vão. Os amigos sempre vão.