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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

LUDO



Adolpho Queiroz

                Admiração e respeito foram dois sentimentos que cultivei ao longo de minha trajetória profissional em Piracicaba – ou fora daí – pelo jornalista Ludovico Silva. Aprendi a conhecer melhor o E.C.XV de Novembro de Piracicaba através da coluna que ele editou durante décadas no Jornal de Piracicaba, intitulada “Q.G do XV”.  Eram pequenas notícias sobe o dia a dia do clube, escritas entre uma folga e outra que tinha nas suas funções mais nobres de servidor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.
                Ainda jovem jornalista, naquele periódico, inventei de fazer um suplemento dominical, em formato tabloide, para imitar o velho “Pasquim”. Uma das primeiras encomendas que lhe fiz foi para contar sobre apelidos curiosos de jogadores de futebol. Ele formou uma seleção com nomes estranhos como Formiga e Ratinho na zaga central e um exército de apelidos mal postos nos caneleiros que faziam sucesso à época. Ambos nos divertimos muito com o resultado do trabalho.
                Mais recentemente acompanhava suas investidas literárias na página que ajudou a construir com carinho aqui na Tribuna, ao lado da escritora Ivana Negri. Escrever era um gesto de liberdade para ele, uma forma de respirar das contradições do dia a dia.
                Ajudou-me grandemente durante a construção do último livro de memórias que consegui elaborar aí na cidade, recontando a história e trajetória do jogador Vicente Naval Filho, o Gatão. Foi aos arquivos com o mesmo vigor dos grandes dias de glórias do nosso quinzão. Vizinho de uma das irmãs de Gatão, me deu dicas também sobre a família. Não conseguiu ir ao lançamento, pediu desculpas e nos enviou o filho Renato Scudeller da Silva, meu colega de “Sud Mennucci”, para representá-lo na ocasião.
                Dias depois recebeu-me em sua casa, entre várias xícaras de café, para avaliar o livro e rabiscar autógrafos ao meu lado para seus filhos e pessoas mais queridas, a quem pretendia enviar os exemplares do “Gatão”.
                Fizemos planos para um novo livro sobre o Presidente tremendão, Humberto D ´Abronzo, que engrandeceu o XV com o seu trabalho e fez Piracicaba tornar-se conhecida por causa da sua caninha “Tatuzinho”. Chegou a rabiscar oito páginas sobre o assunto e tinha me enviado recentemente para nortear o nosso trabalho de pesquisa. As dificuldades destes dias impediram-nos, pelo menos por enquanto, a dar prosseguimento ao projeto.
                Apaixonado pelo XV, legou à torcida fanática uma das contribuições mais singulares, com as notas que escrevia diariamente sobre o clube. E na conversa derradeira, entre um sorriso maroto e uma cara meio fechada segredou: “O Ripoli me ligava todos os dias. De umas coisas que eu escrevia ele gostava. De outras me criticava, as vezes me aborrecia, como se eu fosse funcionário dele e não do Jornal. Foi duro manter a minha independência! ”

                Mais do que seriedade e compromisso, num setor do jornalismo onde as paixões prevalecem, Ludovico Silva deixou aos seus leitores e amigos, duas grandes marcas: o seu caráter e a sua dignidade. 

Adolpho Queiroz, é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP
Texto publicado no jornal A TRIBUNA PIRACICABANA

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