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sexta-feira, 12 de junho de 2015

O AMOR



Plinio Montagner

Algumas das citações que mais sobejam sobre o amor são inquestionáveis, como estas, bem populares: vida sem amor não vale a pena ser vivida; o amor acontece quando menos se espera; o amor verdadeiro, puro, inocente, só acontece uma vez na vida; o primeiro amor nunca morre; a vida sem amor não tem graça, etc., etc.
Resumindo - o amor é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa.
Mas tudo tem um preço, embora subjetivo, o amor é um bem caríssimo, se nos lembrarmos das tragédias, epopéias e odisséias de Ulisses e Penélope, Romeu e Julieta, Páris e Helena, entre outros protagonistas.
O amor é um tema universal. Inexplicável.
Os convivas do banquete platônico (séc. 4 a.C.) garantiam que no Olimpo não havia amor. Mas Platão não era doido. Então os deuses não amam?
No – O Banquete - o filósofo conclui que só se ama aquilo que não foi possuído. E como os deuses têm tudo, não pode haver amor no Olimpo. A tese é que o amor existe, mas apenas quando há um desejo por algo ainda não conquistado, ou seja, a posse do novo.
Sendo os deuses seres perfeitos, nada lhes falta nem pode lhes faltar. Mas aos humanos falta muito, por isto não lhes resta outra opção além de amar. Assim sendo, os deuses não precisam amar nem serem amados.
Mas, qual é o objeto do amor? É o corpo do outro? A mente? A beleza? A posse? – ou a posse de uma companhia?
Aí está novamente o paradoxo platônico. Se os humanos se tornassem deuses o amor perderia o sentido. Se Eros, o deus do amor que por princípio deseja o que não lhe pertence, e desvaloriza após a conquista, o amor não existiria nem antes da conquista.
Nada é conquistado sem que haja o fator interesse, ou motivo.
Aceita essa definição, o amor não seria uma virtude, mas uma simples constatação de nosso egoísmo.
O outro estremecimento amoroso é a paixão, que é mais forte do que o amor e a amizade, porém é efêmera porque logo se dissipa. A paixão, particularmente, só renascerá se houver interesse por um novo objeto, ou pessoa. E começa tudo de novo.
A posse, ou a ilusão de sua posse, depois de conseguida a curiosidade fica diminuída pela saciedade da vitória ou do uso. Daí a citação de Sêneca: “Nada será bastante para quem acha pouco o suficiente”.
Ah! O amor, quanta filosofia!
Há quem ama o poder, a política, o ter, a posição social, as riquezas, o gato, o cãozinho, os bens materiais.
Muitos amores são perigosos e extasiantes, mas podem ser do bem e do mal.
A insatisfação constante do ser humano pelo novo pelo melhor deixa-o malvado, vulnerável e sempre insatisfeito, pois não sossega o espírito iniciando um novo caso ou uma nova conquista.
Manter o amor é uma dívida que nunca é quitada. Há quem afirme haver felicidade sem envolvimento amoroso porque o homem se torna mais livre do que aquele que ama.
De qualquer modo é difícil haver amor romântico que não aflige - pelo medo de perder.
Explicar o sentimento amoroso não é tarefa dos mortais. Nem o Platão, nem Aristófanes conseguiram decifrá-lo.

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