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MEMBROS DO GOLP

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sábado, 20 de junho de 2015

A CABRA MORREU, EIS A SENHA!


Luzia Stocco

-Sim, respondi, acho que posso, agora que estamos em 2042, falar sobre aquilo. -Aquilo que ficara em meu passado, ao menos eu imaginava, vem hoje como uma bala de canhão à minha lenta memória. Um repórter alto e atrapalhado, postado em pé à minha frente, pôs-se a gravar, usando um aparelhinho, bem menor que os gravadores de antigamente. “Senhor Jacobino, pois o senhor era vegetariano? Sei que já faz muito tempo, mas conte-me os detalhes, por favor!”, pediu-me ele, quase a implorar. Minha boca, fina e úmida, parecia querer morder as palavras. Minha voz fraca acompanhava meu olhar apagado, fruto do trabalho do próprio tempo, que, às vezes é amigo, outras tantas, inimigo. Iniciei a narração sentando-me lentamente, coisa que também faria o repórter, com agilidade:                                       
Estava eu, vidrado em meu computador na sala de casa, e Anaãn, meu filho adolescente, em seu quarto, diante do notebook, jogávamos “merfe”, um jogo on line que envolvia quatro jogadores. Cismei, de repente, que devia olhar meus e-mails e olhei. Antes não tivesse olhado. Por que tínhamos que olhar as mensagens a cada hora, quando estávamos com o computador ligado? Vaidade ou simples curiosidade? Acho que queremos saber se alguém se preocupou conosco, ou melhor, necessitamos de atenção! Eis a grande busca da humanidade!  Um recado curto “mostre quem és, que eu me mostro a ti!” Curto e seco, o recado completou-se, num segundo e-mail: “ao pé da Grande Mãe, tu te revelarás! Vá para o Monte Fúlgido, leve os outros três!” Fui verificar novamente o remetente, nem sinal do nome.  Saí do jogo e desliguei o aparelho, assustei-me com Bingo, nosso pequeno cachorro, quase invisível a mim nos últimos tempos, ia pra lá e prá cá. Ainda confuso, apanhei minhas coisas de acampamento. Anaãn, eufórico, pegou sua mochila com o kit completo. Eu, ele e os dois outros jogadores, Jubri e Romão, na reserva de Fúlgido, a 630 km da cidade. Nenhum bilhete à Mara, minha ex-esposa.
Um jato relativamente silencioso nos deixara próximos à montanha e partira. Fomos caminhando, sentindo a quietude dos outros e da atmosfera que nos envolvia. À medida que adentrávamos, pude perceber a selva a minha frente, ao meu lado e atrás de mim com seus ruídos que aumentavam de intensidade para em seguida aquietarem-se. 
Sabe, meu caro repórter, 2012 quase findando, não fora um bom ano para mim.  Eu e Mara nos separáramos, nem sabíamos por quê. Talvez eu não a entendesse ou vice-versa. Sentia falta da companhia dela, não sei se ela lamentava a ausência de um homem enfadonho, beirando aos 55 anos. - Concluí que o entrevistador não estava muito interessado na minha vida particular, queria ouvir a conclusão da história e não mexia um só músculo. E foi ele quem pediu que eu detalhasse, embora  soubesse a que fatos ele queria enfatizar. Porém, sendo eu agora, três décadas depois, um simples idoso, creio ter algumas regalias como a de poder minuciar as façanhas daquela aventura.
Então, um zumbido, ainda de mim desconhecido, chegava-me aos ouvidos e meu olhar se deteve numa árvore alta, suas folhas como longos cílios macios, em tons verde e gelo, lembravam a cabeça de um cão peludinho. “Até parece o Bingo”, disse eu a Anaãn, quase a sentir saudades ou compunção pelo cão repelido. Romão lançou um olhar duvidoso, ainda não acreditava que fora convencido a participar dessa loucura. Estava prestes a conferir seu bilhete de loteria que jogara antes de partir. Sim, naquela época ainda havia esses jogos medíocres. Ele agasalhou-se com sua jaqueta marrom e pronunciou:
- O que tanto olha essas árvores, Jacobino?
- Curioso...
- Não vejo nada de curioso nelas, são apenas monótonas! – replicou ele. –E vamos adiante, óh my God! Que essa brincadeira tenha fim!
Digo-lhe que Romão, meio século vivido, não era homem que conhecia dificuldades. As coisas, para ele, eram acompanhadas pela suave brisa da boa sorte. Desde pequeno, assim vivia Romão. Não via e não sentia aquilo que os humanos geralmente sentem, os percalços e as expectativas de um porvir. Proprietário de um frigorífico, nada sabia da loucura, esta companheira solitária, a mesma que, em certas ocasiões, tira-nos da solidão e nos convida a seguir.  Jubri e Anaãn iam adiante, fixados no celular, não sei se por vício ou pela preocupação com uma futura mensagem, uma pista que não tardou a chegar: “o que parece, não é!”
Nesta noite nos acomodamos em nossos sacos de dormir, comemos o mínimo. Com duas horas de repouso preferimos caminhar aproveitando a sinalização das estrelas e, ah! que céu claro, tão claro eu há muito não enxergava, desde que mudáramos do sítio, ainda criança. Meu filho, deitado, com as mãos sob o pescoço, chamou-me junto a si, extasiado:
-Pai, deite-se aqui e relaxe. Aquele deve ser o caminho de Santiago, né? Olha essa claridade, parece até que acenderam as chamas estelares! – Seus olhos pretos e joviais reluziram e eu pude ver dentro deles uma vida e uma beleza que não notara até então. Sorri, satisfeito, quase a esquecer-me o que viera fazer ali. Afinal, a quê viera mesmo? Outra vez, aquele zumbido...voltei o olhar aos demais, nenhum sinal de estranhamento. Preferi calar-me, embora tentado a alardear, pensei nos benefícios obtidos com o silêncio nos últimos anos. Quantas brigas evitadas, quantas mágoas esquecidas e agora eu aqui, com meu filho, sem a menor ideia de quanto tempo não ficava assim, junto a ele, sem nada a fazer.
Foi a única noite a que nos guiamos pelo cruzeiro do sul e constelação de escorpião. Nas seguintes, céu nublado, breu total. “Cadê a bússola, Anaãn?” “Sinto muito, mas a esqueci na mesa da cozinha” “alguém se lembrou de trazê-la?” Olhares e suspiros de desculpas. Uma pontada de medo avançou sobre mim naquele instante, interrompido por um toque no celular de Romão: “a cabra morreu, eis a senha secreta, guarde, pois precisará dela. Caminhe. O cabrito sobreviveu”.
Estávamos cada vez mais confusos. Nossas provisões se esgotando. Na terceira noite uma lua cheia nos surpreendeu iluminando a trilha e voltou a ocultar-se. Observei que, nalgumas árvores, em seus troncos e galhos haviam pelos curtos ou longos em forma de folhas. É mágico e eu as via cada vez mais parecidas com o ser humano, talvez até mais especiais que nós. Seriam elas pessoas disfarçadas? Eu procurava pela Grande Mãe, a grande árvore! A escuridão e a vegetação fechada nos amedrontava. Seguíamos em fila, calados, creio ter ouvido um zunzum de oração. Minha boca secara, lambi os lábios, como era costume, e apertei-o, sem perceber, também costume. Um líquido morno umedeceu meu lábio inferior, olhei à mão que levara à boca, uma pequena mancha vermelha mostrou-me um besouro branco esquisito, agora esmagado pelos meus lábios. Limpei com o lenço.  De repente, surgiu a nossa frente um pequeno cachorro de pelagem branca, foi caminhando acelerado e silencioso a nos mostrar o caminho. Seguimo-lo e o medo cedeu lugar ao alívio. Meia hora, passado esse trecho, assim como ele apareceu, desapareceu!
- Coisa sinistra, meu pai!!
-É só um cachorrinho, Anãan, não se preocupe!
-Jacobino, você sabe que não é apenas um cachorrinho, não é? Indagou Romão, com olhos arregalados.
Nada respondi. Fomos subindo por uma estrada íngreme, eu não ouvia a respiração de Romão embora todos ofegantes, seu porte magro bem o ajudava. Recomposto, achei conveniente falar:
- A dúvida é, muitas vezes, parceira da sensatez e há mistérios que ocupam um lugar privilegiado nas acepções míticas. Não massacre a dúvida, pois pode ser ela uma aliada da sabedoria.
- Romão, o cachorro é amigo do homem, esqueceu-se?, disse Jubri, estamos cansados, e sob pressão nosso inconsciente prega-nos peças, apenas isso! relaxe, homem! Tentando ser agradável ou camuflando o próprio medo, senti que o mais sereno e confiante, entre os quatro, era Anãan. – Tudo isso deve ser alguma pegadinha, vamos aproveitar a chance de escapar do stress urbano e nos divertir, não foi para isso que viemos?! Minhas férias se findam no domingo. – Ouvindo Jubri, preferi novamente calar-me sobre o estranho inseto que eu mordera.
– Viva a aventura, gritei eu, mas não ouvi nenhum eco. Quando paramos novamente para beliscar algo e descansar, abaixei-me e cavei a terra roxa com as mãos, senti sua temperatura morna. Enfiei a mão, escurecida pela terra, num dos bolsos, apalpei uma semente e a inseri no buraco. A manhã viera como um consolo. Um belo pau-brasil brotaria como uma dádiva divina e seu topo  acolheria os ninhos de diversas aves.  A semente foi-me dada por meu filho mais velho que estuda fora e mora em república, “pai, ache um lugar legal e plante pra mim, depois você me avisa se nasceu!”, porém eu nunca soube se a semente brotou.
-Ei, Jubri! Nenhuma outra mensagem? – Indaga Romão, obtendo reposta negativa. – E você, Anãan, alguma dica em seu celular?
-Nada. Estou aguardando, mas temo que a bateria está por um fiooo...Ei! esperem!! Está chegando algo! Que sinistro! Pai, Romão, Jubri, vejam essa! Vocês não vão acreditar! – Paramos de caminhar, percebi que éramos impulsionados por nossos pés e pernas, sem desejo, sem raciocínio. Somente no quarto dia veio-me tal percepção. Peregrinos, saímos em busca de algo que talvez não quiséssemos saber. Sei que, a partir daí, passei a estranhar o comportamento natural dos três. Romão se amansara com um conformismo imediato. Jubri, com seu sorriso faceiro e sempre esperto, agora em letargia. Alguma coisa estaria terrivelmente errada.
“Continuem caminhando. Cheguem ao alto da Grandona. O que avistará será queimado. O açúcar, transmutado...mantenham segredo”. A quarta mensagem. Não entendi o que poderia haver de sinistro nessa mensagem, como Anaãn bazofiara. Os três continuavam conectados ao mundo lá fora, não sei como. Parecia que ninguém queria discutir o assunto, fugíamos de suposições e qualquer hipótese denotaria uma quebra do segredo ou da magia que emanava do lugar e da nossa singular situação. Tampouco a redução do alimento parecia preocupá-los.  Não conseguiam enviar mensagens ao remetente misterioso, nosso carrasco, ou quem sabe, salvador. Observei Jubri concentrado em algum jogo no celular, descansava suas costas num tronco, parecia alheio àquela nova realidade. Em seus 35 anos, prevalecia uma beleza nobre, a tez escura realçava  com suas vestes claras, um sorriso acolhedor. Naqueles dias eu o via cada vez mais compenetrado no universo virtual e confesso que estranhei a conexão quase perfeita desses aparelhos, apesar das montanhas.  
O cachorrinho voltou a aparecer e a nos acompanhar dia a dia. Já não havia lua cheia, nem estrelas. Prosseguíamos perdidos ou por intuição. Somente ele aparecia, de quando em quando, com algum alimento na boca.
- Pai!! Gritou Anãan, vocês não estão vendo? Pelo amor de Deus, este é o mesmo trecho que passamos nas últimas noites. – Passou as mãos pelos cachos sujos de seu cabelo e abaixou a cabeça, foi em direção ao cão, tentou tocá-lo: e é no mesmo lugar que o cachorro aparece, semmmpreee... Cambaleou e caiu desmaiado, no instante em que o cão desapareceu ao ser tocado pela mão, agora pálida. Assustados, topamos uma árvore, que de tão grandiosa, assombrava-nos. Acudimo-lo com a lanterna de Jubri e o carregamos até ela. Confuso, mas ainda lúcido, o garoto logo se recuperou com o pouco d’água que sobrara. Animais silvestres e pássaros quase não os víamos, agora.
Habilmente, afinal já fora escoteiro, meu filho subiu à Grandona - sabíamos que era aquela árvore -, como nos disse a mensagem. Seu tronco, de casca preta e úmida, abrigava em seu corpo galhos e troncos de outras espécies. Abaixo, um buraco grande, próximo à raiz, parecendo uma vagina aberta, na qual Anaãn quase caiu dentro; ao lado deste, um tronco retorcido, que em relevo parecia uma criança nascendo ali. Algumas partes do tronco estavam descascadas, mostrando sua carne branca, enrugada. Muito velha. Seria a Grande Vó ou a Grande Mãe?! Figura arquetípica!?
- Gente! É um canavial!!! – lá do alto advertiu Anaãn, agarrando-se aos tortuosos galhos.       -Um canavial? Droga! Exclama Jubri, desanimado pelo fim da bateria do seu celular. – O que
faz um canavial aqui?
- Não há ninguém para cuidar dele, disse Romão, enquanto nos aproximávamos das canas.     - Quem plantou, plantou e só volta pra cortar, sete meses depois; tentei usar minha racionalidade, que já era ínfima. Chamei meu filho e estiquei os braços trazendo-o de volta ao chão, lancei uma olhadela e captei a pouca expressão de Romão e a neutralidade de Jubri. A fome nos abatia, as guloseimas escasseavam. Uma pequena reserva para a volta. Umedeci minha boca, ressecada pela ansiedade e falta d’ água. Nenhum ribeirão ou lago, a não ser alguns cocos que raramente encontrávamos. A esperança de encontrar o enigma nos alimentava. “O que avistará será queimado, o açúcar transmutado!” Eureka, pensei.
Armamos todo o esquema para a queima das canas, pois acreditei ser o que a louca mensagem pedia. Ativei minha memória e o conhecimento adquirido na infância, quando acompanhava minha mãe à roça, tornou possível essa operação. Labaredas estralavam dando a impressão de que atingiria o céu, avermelhado como pimenta, num calor dantesco. Suores escorriam pelas nossas peles ressecadas, misturando-se às lágrimas.
- Meu Deus! Vai pegar fogo no mundo! Exclamou Rubri, afastando-se rapidamente, assustado. A letargia se fora.
-Não vai não, gritei-lhe, na tentativa de acalmá-los. - A brisa suavizou!! As chamas estão diminuindo e perdendo a força. Olhem as canas e sintam o cheiro! Ah! Que delícia, é melado puro, como mel, vejam! – Lambi o meu dedo indicador e, por um momento, suavizei meus pânicos, relembrando a minha infância, paralisado agora por um grito de pavor rasgando a garganta de Anaãn.
Apontava seu dedo para um vulto no meio das canas pretejadas, envolto nas cinzas. Eu não podia acreditar. Nosso cachorrinho mágico devorado pelas cinzas. Colocamos seus restos sob uma pequena árvore, cuja forma apelidamo-la de melancia, em formato de sombrinha, carregada por melancias minúsculas. Um espetáculo a venerar a alma do cachorro ou do anjo.
Qual o significado daquilo? Indagamos, sem respostas. Vi Romão desolado, ombros caídos, manchas de carvão escureciam seu rosto, braços e mãos. Notei em Anaãn um abatimento e em Jubri um tremor no olho direito não pronunciado anteriormente. As árvores ao redor sufocavam e eu podia sentir a respiração ofegante de cada uma delas, inclusive dos arbustos.
-Elas não usam roupas apropriadas e tampouco máscaras, pai! – a voz afundada de meu filho completou meus pensamentos. Visualizei suas roupas rotas e ele coçava seus braços e pernas.
 Pela primeira vez, se esqueceram de seus sofisticados aparelhos. O meu, do mais simples e necessário, jogara-o no fundo da mochila e lá ficara a descansar. Quando Romão e o meu garoto se deram conta, as telas todas apagadas, obviamente, pensei eu, as baterias... já eram!
Anaãn apanhou meu celular, incrivelmente funcional, no momento em que entrara uma mensagem, a única e, quem saberia senão a última? “A cabra não morreu, senha errada, a cobra morreu. O que parece não é. Tu te revelarás”.
Não compreendia essa história de cabra. Teriam se confundido na hora de digitar? Alguma coisa ali possuía significado? Talvez só para mim. As mensagens pareciam endereçadas somente a mim. E qual a finalidade da senha? Afinal, quem eram eles, ou seria ele? Ela? Poderia ter sido uma cabra ou cabrito queimado e não o cão, talvez.
Romão e Jubri saiam à caça e nada, enquanto tentávamos fazer o caminho de volta. Inutilmente. Ninguém encontrava a saída. A fome nos apertou de vez. Romão feriu-se ao cair num buraco, socorrido e não se recuperando, logo faleceu.  
 Sentado à sombra da Grande Mãe, uma luz atinou-me. Jubri caçava migalhas, eu e Anaãn éramos vegetarianos. Antes que nossa mente paralisasse e sucumbíssemos ali, no coração do Monte, fiz a única opção que me sobrou, moço. Você acredita em mim, então? – Deslizando minhas mãos úmidas por meu cabelo branco indaguei ao jovem repórter, que, silenciosamente, não menos tenso, me escutava há horas. Subitamente, interpelou-me, uma única vez:
- Sr Jacobino, o senhor não se arrepende? E o seu filho, não se opôs?
- Anaãn não tinha escolha. Só temos a agradecer à alma de Romão e ao seu corpo, incrivelmente saboroso naqueles últimos dias fatídicos. Se não fosse essa atitude, não teríamos força para retornar à nossa casa e jamais veria meus netos e bisnetos e nem me reconciliaria com Mara, se eu estou aqui a lhe contar, neste ano de 2042... Ah! agradeço a confiança e a discrição de Jubri.
- Mas o senhor não era vegetariano? – O repórter repetiu a pergunta, impulsionado pela incredulidade, inerente a sua natureza profissional, emendou outra, desligando o minúsculo aparelho que gravava.  – Ele não era seu amigo.
- Era e sou vegetariano por amor aos animais, não está incluída aí, a categoria humana, meu jovem! Eu mal os conhecia, durante a viagem sim, de fato, tornamo-nos amigos! Descobri quem eu sou, a essência e as limitações. E olhe, o que parece não é.

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