As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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FOTO DE ALGUNS MEMBROS DO GOLP

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DIVAS



Daniela Daragoni Alves

Toda mulher é uma diva
É especial na vida de alguém
Toda mulher traz dentro de si um coração que guarda
Todos aqueles a quem quer bem.

Toda mulher pode mudar o mundo
Com aquele sorriso que só ela sabe dar
Pode deixar um dia chuvoso pra lá de lindo
Pois nada fica feio diante do brilho que ela traz no olhar.

Mas como toda diva
Ela também tem seus momentos de estresse
Chora a toa, fica trancada no quarto
Até do salto ela desce...

Sem falar na tal TPM
Todas já sofreram ou ainda sofrem desce mal...
Um ódio que sobe a cabeça
Vontade de jogar todas as panelas no quintal...

Mas como num passe de mágica
No outro dia ela acorda melhor
Com um vestido azul, cabelo solto
Nada faz lembrar o antigo mal humor.

Mulheres fortes, tímidas, apaixonadas...
Mulheres do século 21, mulheres de agora
Cuidam da casa, cuidam dos filhos
Estudam e trabalham fora.

Toda mulher merece ser tratada com respeito
Eu também faço parte dessa liga feminina
E essa é a minha homenagem a tantas flores desse mundo
Mães, avós, filhas, mulheres... meninas!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Jornal MARCA DA POESIA - a cultura caipira sem fronteiras


O Poeta Ésio Pezzato vai lançar um tabloide mensal de 8 paginas com poesias, contos, crônicas, entrevistas, críticas e fotos.
E já vai avisando que o controle será rígido. Apenas poesias e textos de qualidade.

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

COMPRAS DE MATERIAL ESCOLAR


Plínio Montagner

Janeiro é mês de driblar o calor das praias e de desarrumar malas.
Para as crianças tudo é divertido - praia, montanha, hotel – e até a casa da avó, desde que tenha TV, computador e chocolates. Uma leitura, Monteiro Lobato, só pra variar, nem pensar.
Mas para as mães que têm filhos em idade escolar o início de ano se torna um sufoco pela inquietação das compras de material escolar. Primeiro são as pesquisas de preços e os cuidados com as ciladas. Nem sempre tudo é encontrado no mesmo lugar.
É uma loucura cumprir direitinho os itens da lista.
No tempo dos nossos pais e avós, nos primeiros dias de aula é que os professores das escolas públicas davam aos alunos a lista do material. Comprava-se aos poucos. Hoje é bem diferente. A lista de compras das escolas particulares é uma loucura. Os preços dos livros são proibitivos. Vi a mãe de um aluno do 6º ano do Ensino Fundamental pagar R$149,90 por uma gramática da língua portuguesa. Fico pensando como fazem as famílias carentes. E outra, por que não cobram R$150,00 de uma vez?
Estou alienado mesmo. Como pode um livro de literatura clássica, ou um best-seller, ser vendido por R$39,90 e uma gramaticazinha custar tanto? Os políticos e editoras devem ter algum motivo.
 O padrão de atendimento nas livrarias não alivia a agonia. Todos falam ao mesmo tempo, crianças choram, ar-condicionado precário, ventiladores barulhentos.
Não há, na maioria desses estabelecimentos, nenhuma cadeira, bancos, mesinhas, cafezinho, água, banheiros limpos e providos de toalhas de papel, sabonete líquido, álcool-gel – (acho que esqueci que já voltei de cidade de Gramado - RS).
Uns trinta funcionários para vender e um ou dois para receber. Cáspite! É um acinte! E ninguém aparece para ajudar com os pacotes e levar até o carro.
Comentando essa odisséia a uma amiga que mora em New Jersey, Estados Unidos, ela me disse que nas escolas americanas é bem diferente. Os alunos vão para a escola no início das aulas sem levar nada. Todo o material está lá. O material fica na escola e é reusado pelos alunos das séries anteriores. Por aqui vai para o lixo.
Quem compra e paga os materiais eu não sei se é o governo ou a instituição, ou os pais mesmo, pelos boletos das mensalidades.
O importante é que por lá essa ansiedade não existe.
Eu senti na pele esse problema. Entrei recentemente numa livraria pequena para comprar umas pastas de guardar documentos. Loja lotada. Peguei a senha 18.
Idoso não tem mais muita paciência de esperar; só quando o assunto for saúde. Aí não tem jeito.
 Perguntei, só para zoar, se havia senha preferencial.
A moça levou a sério.
– O quê? Não tem não.
Já estava meio aborrecido, e nada do meu número na tela.
- Posso ajudar? - Alguém me perguntou.
-Eu queria umas...
-Pegou a senha?
- Já.
- Precisa esperar.
O dono da loja estava no caixa. Recebia pagamentos e ao mesmo tempo, de olho na loja. Fui conversar com ele. Era um ex-professor que resolveu abrir uma loja de material escolar.
Por fim, minha vez chegou. Não tinham as ditas pastas.

Freguês sofre!!!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Um continho do fim do mundo


Christina Aparecida Negro Silva

Paula, olhando aquela paisagem desértica, sorriu, lembrando-se de sua promessa ao terminar aquele namoro que se arrastava há quatro anos -  Vou para o fim do mundo – e lá estava ela, literalmente, no extremo sul do planeta, na Patagônia Argentina, rumo à última cidade antes da Antártida. O avião aterrissara em El Calafate em escala e ao descer parecia ouvir no vento sibilante a melodia do filme “ O dólar furado”. Viu-se em 3D, dentro da tela ,cuja paisagem, a  estepe, estendia-se a perder de vista, sem uma única árvore. Onde estaria o Giulliano Gemma ? pensou ela rindo de si mesma. Que loucura ! Justo ela, tão racional, sair de seu conhecido mundo e conforto para procurar um homem visto em um sonho ! Pipo. Quem seria ele ? Por que ela tivera aquele sonho maluco ,porém claro – Sou o Pipo, procure por mim no fim do mundo... seu personagem onírico assim se manifestava nos sonhos recorrentes de Paula. Por três vezes, ele aparecera e lhe dissera as mesmas palavras. Mistério.
Ruidosos turistas esperavam suas bagagens – uns 5 passageiros tiveram suas malas extraviadas e estavam no balcão reclamando suas perdas. Quantos brasileiros ! Gostoso ouvir sua língua no meio do burburinho espanhol. Pegou seus pertentes e rumou para o hotel Esplendor. Faria uma pausa em El Calafate antes de seguir viagem. O hotel localizava-se no alto de uma colina de onde podia avistar o lago gelado na frente e nas costas do prédio, as imponentes montanhas. Mais ao longe – os Andes com seus picos gelados. No dia seguinte, embarcou em um ônibus já cheio de turistas de seu país para visitar o famoso glacial “ Perito Moreno”. Soube que o nome era uma referência a um engenheiro que mapeou a costa da Patagônia e foi , tardiamente, reconhecido por seus feitos. O guia, falando um portunhol engraçado, comunicou aos passageiros que se olhassem à esquerda do ônibus, logo veriam o belo glacial . Eis que chega o momento esperado e ouve-se um uníssono – OH ! Tamanha beleza azul só poderia ser descrita emocionalmente assim. Uma majestade de gelo avança das montanhas rumo ao verde lago formado do derretimento das geleiras dos Andes. Da altura de um prédio de 20 andares reina por todo o ano. Mesmo no verão argentino, com temperatura oscilando entre os 09 a 13 º graus centígrados, o glacial mantém-se imponente. Impossível não agradecer a Deus por ver essa maravilha da natureza. Aos poucos, o exterior do glacial derrete-se caindo ruidosamente no lago. Um espetáculo que fazia pipocar os botões das máquinas fotográficas de todos  que ali foram conferir tanta realeza . Que fim do mundo mágico – pensou ela. Sentia-se como aquele imenso bloco de gelo, derretendo-se por dentro, procurando uma pessoa que vira em seu sonho. Derretida ? Aventureira ? Não encontrava definição para si mesma. Seu coração apenas lhe dizia para entregar-se ao novo, ao desconhecido, às novas aventuras. Começara bem, estava prestes a explodir de emoção quando chegou bem próxima, nas passarelas do parque nacional, ao “Perito Moreno”. Tanta coisa ainda por descobrir ! Jamais imaginara-se estar naquele lugar incrível. Sem expectativas, naquele instante só queria curtir a imponente montanha de gelo azulada ali à sua frente. Um grupo de turistas passou por ela. Uma baixinha falante, seu companheiro idem e outro casal mais jovem que diziam – Só dos pesos ! e riam, como eles riam ! Impossível não entrar no clima alegre que reinava ali. Pesos, a moeda argentina, equivale a 1/3 do real, quantas coisas poderia comprar se estivesse ali para isso, como as mulheres da excursão de brasileiros que de uma loja, entravam em outra. Nem mesmo o frio, o vento e a chuvinha fina que caía impediam as pessoas de brindarem o belo presente que receberam naquele dia. El Calafate, cidade pequena, nomeada pela frutinha de um arbusto espinhoso, próprio da estepe, entraria de vez em sua memória e em seu coração.
No dia seguinte, mais um vôo, agora sim para o fim do mundo ! O que esperar de Ushuaia, a última cidade porto antes do continente gelado ? Estava tão embevecida com o glacial que se tivesse que voltar naquele momento, já agradeceria a vinda até ali. Mas seu pacote incluía a procura por Pipo, então...
Ushuaia estende-se ao largo , aos pés das montanhas , uma faixa de casas coloridas  entre a baía do estreito de Benning e a Cordilheira dos Andes. Janeiro, calorão no Brasil , em Ushuaia, neve nos picos das montanhas. Nunca vira neve de pertinho. Será que teria a chance de sentir, tocar, escorregar na neve ? Por onde começar sua meta ? Seu hotel ficava na rua central e comercial da cidadezinha – Los Naranjos. Excelente localização para quem procura por um nome. Começou perguntando para os recepcionistas do hotel que lhe indicaram o centro de informações turísticas, na mesma rua, onde até poderia carimbar seu passaporte. Ah ! sim, Pipo ! Melhor pegar o trenzinho dos condenados e conferir de perto sua história – disse-lhe a mocinha do balcão  em bom português. Mais mistério.
Ao retornar ao hotel notou um rapaz sentado no hall lendo um livro – O TREM DO FIM DO MUNDO – O título chamou sua atenção,  o jovem também. Magia do olhar, ela olhando para ele que mudou a direção de seus olhos e a fitou brevemente, ambos por uma fração de segundo , analisaram-se – Paula, jovem, bonita, cerca de 30 anos, olhar travesso. O leitor, moreno, alto, rosto longo e sério. Belo. Marcou na recepção a visita à estação do trenzinho. De repente, chegaram os ruidosos turistas brasileiros, que também estavam hospedados no mesmo hotel. Notou que marcavam uma noite de vinho e queijo e bate papo animado. Será que o rapaz sério fazia parte do grupo. Opa ! Outro mistério ?
Na manhã seguinte, embarcou no mesmo ônibus dos brasileiros, rumo ao trem  do fim do mundo.  Nele também estava o moço moreno, acompanhado do livro e , coisas do destino, acabaram sentados lado a lado. O trajeto embora curto não foi impedimento para que se apresentassem e se conhecessem superficialmente. Demonstrando interesse na história do livro, Paula ouviu com atenção as explicações de Leandro - belo nome, como o dono – pensou ela. Ele explicou-lhe o porquê daquela região ser chamada Patagônia – local dos nativos pés grandes: patagons, em espanhol – ou Terra do Fogo, outro nome dado pelos espanhóis conquistadores ao local onde havia muitas fogueiras. Também ficou sabendo o  motivo de existir Ushuaia- baía virada para o oeste. A Argentina, na disputa pela conquista daquela região, enviou condenados para lá. Daí a origem do trem do fim do mundo: o transporte desses homens, presos do regime , que por 25 km iam buscar matéria prima para a construção da cidadezinha, principalmente a madeira da “lenga” na floresta nativa do local. Um terremoto, porém, ocorrido nos anos 50 do século passado, destruiu a maior parte da estrada de ferro. Apenas nos anos 90 ,um empresário interessou-se em resgatar essa história e recuperou os últimos 7 km das vias do trem do fim do mundo. A voz de Leandro era calma, quente. Paula sentiu calor nas faces, embora o termômetro do local marcasse 2º graus centígrados. Enfim, chegaram.
Trem vermelho, estreito, bem fechado, um mimo para os turistas de todas as línguas que se apertavam para comprar seus tíquetes. Separaram-se. Paula, vendo alguns  casais abraçados, pousando para fotos no belo cenário, sentiu falta de Leandro. Opa ! o estava acontecendo consigo, afinal? Avaliou sua situação – tirou férias, impulsionada por um sonho, viera até o fim do mundo, queria desvendar o mistério do tal do Pipo. Fez um amigo (?) , ouviu histórias do local, perdeu o jovem de vista e já estava sentindo sua falta ? Essa não ! – censurou-se.
Embarcou em uma cabine, rodeada por casais de muitas línguas – espanhol, português, inglês, francês – a música nostálgica e a voz gravada em tantos idiomas e em tom poético, provocaram  nela uma melancolia jamais sentida, ficou triste e sorumbática ouvindo com atenção a história contada. O trenzinho serpenteava as lindas paisagens : rios, vales, pequenas pontes, um cemitério de árvores a céu aberto, imagens de tocos, parecendo cadáveres descarnados em sua madeira branca...Um condenado tentou fugir, pulou do trem. Alguns dizem que sobreviveu e constituiu família junto a uma nativa, mas o certo mesmo é que morrera congelado. Seu nome, porém , ficou registrado na história do trem do fim do mundo, Pipo... seu coração deu um salto! Seu fantasma onírico existira de fato ! E lá estava ela, ouvindo sua história dramática. Pobre Pipo, tentou a liberdade. Daí em diante, não conseguiu ouvir mais a voz da guia. Em seus ouvidos, ricocheteavam a voz do Pipo fantasma – eu procurei a liberdade, correndo todos os riscos e você, o que procura ? O que procurava ? Não sabia responder. Tinha um bom emprego, era realizada profissionalmente. Terminara um relacionamento que a consumia por anos, queria sua liberdade, afinal. Onde a encontraria ? No fim do mundo ? Quanto mistério preparara-se para si mesma. Tão conversando consigo estava que nem percebeu que o trajeto chegara ao fim. Foi a última a desembarcar. Viu esquecida no banco uma mochila verde, levou-a para as simpáticas atendentes. Quem a esquecera, logo viria resgatá-la, pensou.  Ela também esquecera suas emoções em tantas estações ! Encontrar-se com elas naquele local foi a sua melhor sensação em anos. Onde estaria o moço moreno de voz quente ? Não queria perder essa emoção jamais. Decidiu o que faria dali prá frente.
O retorno para o hotel foi feito de ônibus. Estranhou não ter a companhia de Leandro. Ele não estava mais entre os passageiros. Por onde se escondera ? Estava ele também, como Pipo, procurando sua liberdade ? Paula já a encontrara.
Na manhã seguinte, dia de subir a montanha – Martial – para ver, sentir e escorregar na neve. O percurso incluía – táxi, teleférico e muita caminhada íngreme por terreno lamacento .Enfim, a neve ! Outra sensação indescritível para uma habitante de país tropical, cuja temperatura baixa não ultrapassa os 7º graus no inverno na cidade de São Paulo. Gosto de gelo de congelador. Aparência idem. Brincadeiras de criança. Uns atirando bolas de gelo nos outros. Gargalhadas, tombos e muita alegria. Na descida, pausa para um chá quentinho no chalé ao pé da montanha com direito a ritual - almofada, erva, chaleira e até uma ampulheta para controlar o tempo de infusão. Onde estaria  Leandro ? Tão bom seria poder dividir este momento glorioso com ele. Sua razão lhe dizia que amor à primeira vista era coisa de folhetim barato, sua emoção pulsava negando essa racionalidade. Estava apaixonada ! Sentia-se livre para amar novamente e com toda intensidade para derreter até o gelo das Cordilheiras. Riu e olhou em volta para ver se alguém havia notado sua insensatez, mas qual ! As pessoas estavam tão excitadas pela aventura que uma risada a mais não faria a menor diferença naquela imensa alegria reinante.
Já na entrada do hotel, ela o viu. Sentado no mesmo local onde o encontrara pela primeira vez, lendo seu livro. Chegou de mansinho, parando à sua frente. Leandro levantou os olhos e ato contínuo sorriu para ela  - Senti sua falta – disseram simultaneamente. E claro, riram pela tamanha coincidência. Não registrou tudo o que se passou depois, apenas que estavam sentados bem próximos, conversando como velhos conhecidos. Descobriu que ele era historiador, que escrevia para um blog e recolhia histórias surpreendentes dos povos da América Andina. Sua próxima parada seria Mendozza, partindo dali para o Chile. Um convite. Um “aceito” sem incertezas. Paula , Pipo, livres em suas decisões.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Laços do Sertão - lançamento de livro

Camilo Irineu Quartarollo

O que este romance me trouxe foi a consciência da solidariedade e compadrio que havia entre os antigos caipiras e gente simples vindo de outros continentes, se abrasileirando; mas a tentação de “fazer a América” rompeu muitos laços. Os personagens, a certa altura do romance, pareciam vivos como parentes e antepassados que queríamos conhecer. O que nos legaram? E isso que busco nesse romance. Se pensarmos em grandes riquezas não encontraremos a miudeza do cotidiano, da formação da nossa cultura, da luta pela sobrevivência, da fé como forma de amar ao próximo. Sem os recursos e benfeitorias do núcleo urbano de então, quando a maioria quase que absoluta do município vivia no meio rural. Este é o legado de Laços do Sertão.
O livro passou por inúmeras correções minhas e da Luzia Stocco, não faltando a discussão sobre os personagens e falávamos deles como pessoas reais. Este livro foi trabalhado todo em casa, somente as capas vieram da gráfica e pode ser adquirido com o próprio autor/editor pelo e-mail:

quartarollo.camilo@gmail.com ou mesmo facebook de Camilo Irineu Quartarollo


Facebook


Ivana Maria França de Negri

Muita gente que torcia o nariz para as redes sociais, e jurava que jamais iria aderir, de mansinho vai entrando, se entrosando, e em pouco tempo, já está postando fotos e comentários, opinando em debates e curtindo postagens dos amigos. Pronto, já virou um internauta. E sempre dá um jeito de dar uma espiadinha para ver quem postou, quem curtiu e o que comentaram.
Psicólogos, educadores e críticos  dizem que é preciso cautela. Facebook, assim como cigarro, refrigerante e álcool, vicia. Estamos no auge da era da informática e não há como fugir dela. As redes sociais são uma espécie de diário coletivo, um fenômeno que se espalha pelo mundo e arregimenta cada vez mais pessoas de todas as classes. Cada um posta o que bem entende, desde um bom dia, convites para eventos, poemas, o que comeu no almoço, o novo corte de cabelo ou o sapato que comprou. Donos de lojas aproveitam para fazer propaganda gratuita.
Existe o internauta que posta todos os dias mensagens positivas e belas imagens. Outros, mais mórbidos, postam tragédias e coisas ruins. Uns postam política e outros religião. Alguns são tão transparentes que abrem as portas da sua vida publicamente.
Já outros, reservados, nada postam. Até sua foto do perfil é um avatar. Como verdadeiros voyeurs, entram nos perfis dos amigos e inimigos, veem tudo mas não curtem nada e nem deixam comentários. São os espiões da vida alheia.
“Curtir” também é uma ferramenta estranha. Às vezes achamos um post horrível, e ao clicar no botão “curtir” dá a impressão de que gostamos daquilo.
Não é preciso ser psicólogo ou estudioso do comportamento humano para adivinhar a personalidade de cada um segundo o que postam.
Condenar as redes sociais é não compactuar com as mudanças e ficar parado no tempo. São essas as novas maneiras de se comunicar. Tudo tem seu lado bom e o ruim.
Tem muita coisa boa nas redes sociais. Animais perdidos são encontrados com mais facilidade. Notícias são expostas com fotos no momento exato em que estão acontecendo. Sempre tem alguém com celular na mão para fotografar e postar imediatamente. Os jornais só darão a notícia requentada no dia seguinte e as revistas, se forem semanais, só na semana seguinte ou no próximo mês.
Antigamente a gente precisava escrever uma carta, selar e levar ao correio. Hoje, a um simples toque, a mensagem segue na hora e podemos conversar em tempo real, quer a pessoa more no mesmo quarteirão ou em outro continente!E isso, ao vivo e em cores, vendo a imagem e o que ela está fazendo. Para quem tem parentes em outros países é uma bênção poder matar as saudades dessa maneira rápida, fácil e sem custos.
As redes possibilitam que divulguemos nossas ideias e ideais, e também que tenhamos conhecimento de outras formas de pensamentos, diferentes dos nossos.
É uma alegria reencontrar amigos que o tempo e a distância separou.
Pelas redes sociais podemos ver quem está viajando, ficamos sabendo quem morreu, nasceu, casou, separou, quem está doente, cortou os cabelos ou lançou um livro. Sabemos quem ganhou prêmios, o que comeu, em que praia passou as férias, e muito mais. E os bebês, assim que nascem, já tem sua carinha estampada para todos os amigos e amigos dos amigos curtirem.

Isso tudo é muito mágico! Há algumas décadas ninguém poderia imaginar que essas coisas pudessem acontecer. Fico pensando o que mais pode ser inventado nas próximas décadas. Com certeza, coisas que nem passam pela nossa imaginação agora, mas que serão corriqueiras para nossos netos e bisnetos.

domingo, 19 de janeiro de 2014

LITERATURA: FILHA ÓRFÃ?



Ludovico da Silva

               No último dia do ano passado um dos jornais da cidade – ou mais precisamente, o Jornal de Piracicaba - estampou matéria a respeito das realizações culturais da Secretaria Municipal de Cultura, oportunidade em que a senhora secretária, Rosângela Camolesi, enfatizou os eventos levados a efeito, merecedores de toda manifestação elogiosa da parte de Prosa & Verso, reconhecendo um trabalho que exige esforços de toda uma equipe na promoção de eventos e dando apoio aos mais variados segmentos que têm contribuído para colocar a cidade em destaque no conceito artístico estadual. Mas nada a respeito da literatura.
            Com certeza, foi esquecimento a não citação do concurso literário anualmente realizado, enfocando poesia, crônica e conto. É bem verdade que esse evento cultural obedece a uma lei que vem de algum tempo, constituindo-se em obrigação daquela pasta a sua promoção. Mapa Cultural é organização da Secretaria Estadual, com extensão para o interior do Estado. Até parece que a literatura em Piracicaba é uma filha órfã, que não recebe atenção e carinho e está fora da conceituação como manifestação artística.

            Bem a propósito, Prosa & Verso tem lembrado a falta de uma programação anual inteiramente dedicada à literatura, como acontece em muitas cidades, inclusive de pequeno porte, mas que frequentemente promovem semanas dedicadas a essa arte, registrando a presença de escritores dos mais conceituados na área. Por isso mesmo, causa estranheza a falta de maior ênfase da Secretaria de Ação Cultural para com a literatura.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Carta aberta para Simone de Beauvoir*


Olivaldo Junior


            As mulheres aí estão, Simone, ainda sofrendo abusos, sinais de um tempo que parece eterno, o da subjugação do sexo feminino pelos homens. Soltam-se as amarras, mas a marca da violência se incorpora nos braços que embalam as crias da humanidade. Humano não é sinônimo de compaixão. Humano é sinônimo de barbárie, quando muito controlada, pois o mundo, embora fêmeo na essência, se deixa externar sob a máscara infértil dos homens da Terra. A Terra, a vida, a alma, tantos substantivos de raiz feminina, mas o mundo, Simone, quer a marca dos falos, a mística falsa dos grandes senhores em terras de escravos e de “mulherzinhas”, suas senhoras. Ora, ora, o tempo é uma bússola que se encabula. E, mesmo que as vírgulas sobre os prós e os contras de um e de outro sexo se despetalem da Filosofia, um e outro, Simone, deveriam ser grandes, porque ambos são unos, mas muitos não entendem que as mulheres são donas e mandam na casa que a Vida forjou. Forjara sua vida, Simone, com as tábuas de um amor que perdurou toda a existência. Experimentou as pessoas e fora experimentada por elas, num banquete explícito de vida, vida e mais vida, que só a vida aos vivos cabe. Coubera no quarto das mulheres que a leram, na sala dos homens que a souberam, na rua dos tantos movimentos, feministas e contra o oposto sem nexo que oprime, subtrai e maltrata a quem os dera à luz. Luz, Simone, é de que o mundo, ensolarado e sem óculos, precisa e precisará por um bom tempo. O tempo é a bússola de que se deve abusar, para que se aprume o rumo das musas que descem do Olimpo e querem só ser.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Convite - Lançamento do livro de Caio Carmacho

Mais sobre o livro aqui

domingo, 12 de janeiro de 2014

CRIANÇAS e DINHEIRO


         Dirce Ramos de Lima

Crianças e dinheiro
existem no mundo inteiro,
só mudam de valor
e de cor...
Estão sempre nascendo;
crescendo,
vivendo...
E não é o amor que movimenta o mundo?
Exatamente assim!
Enquanto houver muitas paixões e ganância,

Nosso planeta não terá fim!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sobre o burrinho azul

Olivaldo Junior


"O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar. (...)

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)"
Cecília Meireles, in O menino azul



            Nunca tive um burrinho azul. Mas, algumas vezes, pensei que o tive. Um burrinho azul é um amigo a quem se contam as coisas do mundo interno, o mundo inteiro de si. Um amigo é um burrinho azul que se fez gente para encantar alguém. Bem que eu sabia existir um burrinho desses, no entanto, me engano, não há. Há burrinhos de cores sem a cor do céu claro de dias assim, quentes e plenos de luz, luz da amizade.
            Amigos são coisas que existem, mas nunca se encontram, como um burrinho azul. Você já viu um? Há burrinhos que tem cor de burro quando foge, e, desses, tenho visto muito. Outros são burros de cor de burrinhos de carga, os mais comuns, nem um pouco azuis. Azul, sem nuvem, apenas o ensejo de ter um amigo assim. É, deve ser bom ter um amigo que o venha ver no Natal e no Ano Novo e lhe dê o ar da graça sempre que possa, para que, juntos, cantem um pouco de música antiga, de Tom e Vinicius, ou de modas caipiras, que, no meu peito, também mora um caboclo, um burrinho azul.
            Um amigo, meu amigo, é o que pensei que fosse: uma aquarela doce, com as cores todas de um grande abraço. Sofro, amigo, e o coração, escuro, não fica azul. Há julgamentos frios sobre o que escrevi, sobre minhas trovas e meu jeito obscuro de me deixar ser. Sou, amigo, o que se fez amigo. Não o bastante para que um burrinho da cor do mar se fizesse amigo. Azul, o dia se perde em outras cores. Onde meu burrinho?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

SIMPLICIDADE


Plinio Montagner


É bem simples a alegria e levar a vida numa boa. Basta não complicar, não inventar.
Um estado de espírito tranquilo é uma resposta de que a vida vai bem. Projetos, sonhos, conquistas, dinheiro, poder, é claro que tudo isso é bom, mas não é receita cem por cento segura para se ficar rindo à toa.
A verdade é que quanto mais se tem mais problemas aparecem. Só mesmo na idade da reflexão é que as pessoas percebem que as alegrias vêm quando menos se espera, e brotam nas coisas simples. Quem não aceita, ou não gosta, de um abraço, um beijo, um telefonema, uma piada, um cartão delicado? E tudo isto é barato e não custa nada.
Um professor de melancolia me disse que as melhores coisas da vida são de graça.
Tive um amigo excêntrico. Exibia a simplicidade de mendigo e ao mesmo tempo arrogância de rico incivilizado. Não perdia oportunidade de se gabar - seu saldo bancário, suas aplicações e bens. Chinelo de dedo, camiseta furada, short velho, cabelo desalinhado. Vivia assim.
Sua casa enorme não abrigava pessoas, nem amor, nem flores. Era silenciosa, vazia. Vestia-se como miserável, não por humildade, mas por avareza.  Morreu aos 74 anos, sozinho, encontrado pela faxineira.
Sua esposa e filhas não compartilhavam essa idiossincrasia esdrúxula. De que valeram a opulência e o egoísmo?
A fortuna oferece muito pouco, ou nada, a quem não ama, nem é amado. De que vale um vagão de ouro se a doença nos pega?  Existe algo melhor a quem não tem dor nenhuma?
Resumindo: As alegrias da vida começam com a saúde, paz familiar e na convivência com amigos. O lema da sabedoria é esse: Viver intensamente o hoje; o futuro é incerto e, com certeza, não será longo para todos. Por que não fazemos como os sábios que se arrebentam de alegria só por estarem vivos?
Esta citação é da escritora Clarice Lispector: “Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre.”
Aprende-se que não é preciso ir longe para se sentir bem. Pode estar em nosso quintal, não em Machu-Picchu.
Outro amigo querido diz que uma das coisas de que mais gosta é pescar numa lagoinha, ou num pegue-pague, enquanto outros preferem a Patagônia.

Cada um se diverte com o que tem e como pode. E com o juízo que assimilou.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TRANSIÇÃO



Eunice Zem Verdi

Hoje, meus pensamentos,
voltados para a vida,
sua brevidade e finitude.
Estamos sempre no limiar,
das chegadas e partidas,
encontros e despedidas,
permeados de sonhos,
esperança, realizações...

E o tempo, marcador veloz,
arrasta lembranças...
frustra a ilusão.
Não há porque adiar...
Cada dia uma lição,
um convite à reflexão!

Lanço um olhar ao ontem...
Já vai tão distante!
Detenho-me no presente,
vivo-o intensamente,
sorvo cada gota,
cada instante de felicidade!

O amanhã, está por vir,
com toda surpresa...
Mistério a ser revelado!

Seria a vida um sonho?
Ou uma grande ilusão?
Assim viajo pela vida,
em busca de novos caminhos.
cada ponto de partida,
sempre alguém está chegando,
Outros seguem o destino,
somos sempre passageiros,
companheiros a transitar!
Ideais a partilhar!

sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013 - Literatura em Piracicaba

(fotos do acervo de Ivana Negri)
Dia da Poesia
Março
14 de março - Dia da Poesia – aconteceu a tradicional distribuição de poesias em vários locais da cidade
15 de março - Lançamento do livro de poesias para crianças “Brinca, brinca e faz poesia”  das escritoras Ana Marly Jacobino, Raquel Delvaje, Leda Coletti, Lidia Sendin, Luzia Stocco e Madalena Tricânico
30 de março - em reunião do Clip Ivana Negri falou sobre a vida e obra de Lygia Fagundes Telles

Lançamento do livro em Braille para crianças
Abril
Lidia Sendin ganhou 1º lugar no Concurso de Poesias de Capivari
12 de abril - Ivana Negri, Carmen Pilotto, Leda Coletti e Maria Emília Redi ( in memoriam) lançaram o livro infantil em Braille “4 contos em 4 cantos” no Museu da ESALQ. O livro, patrocinado pela FEALQ foi doado a instituições que trabalham com deficientes visuais
27 de abril - a escritora Maria Cecília Figueiredo falou sobre a vida e obra de Monteiro Lobato na reunião mensal do CLIP
Medalha MMDC
Medalha MMDC
Maio
17 de maio - Henrique Borlina autografou seu livro “Com as borboletas, à noite”, na Biblioteca Municipal
Armando Alexandre dos Santos falou sobre a vida e obra de Brasílio Machado no POESIA AO VENTO
25 de maio – a escritora Carmen Pilotto falou sobre Cora Coralina no CLIP
23 de maio - Ivana Negri e Cesário de Campos Ferrari foram agraciados com a Medalha de Mérito Cultural pelo Núcleo MMDC/Piracicaba
Lançamento da  7a revista da APL
Junho
21 de junho – Irineu Volpato falou sobre vida e obra de Nhô Serra
29 de junho - João Athayde falou sobre Castro Alves no Clip
28 de junho – Lançamento da 7ª Revista da Academia Piracicabana de Letras

Dia do Escritor 2013
Julho
Foram selecionados para o Mapa Cultural Paulista: Carmen Pilotto, Leda Coletti, Ivana Negri, Newman Ribeiro Simões, Raquel Delvaje, Caio Carmacho, Camilo Quartarollo e Luzia Stocco.
25 de julho Dia do Escritor – foi comemorado na Rua do Porto com a presença de diversos escritores piracicabanos com distribuição de livros autografados e outras atrações
Adolpho Queiroz autografando junto com Letícia Ciasi o livro "Balas não matam ideias"
Edson Rontani Jr e Evaldo Vicente - Nhô Quim
Irineu Volpato e Silvia Oliveira
Agosto
20 de  agosto - Lino Vitti recebeu a medalha de mérito cultural da SEMAC
24 de agosto - Lançamento dos livros "Nhô Quim" de Edson Rontani Jr e "Balas não matam ideias" de Adolpho Queiroz e Leticia Hernandez Ciasi
26 de agosto - Irineu Volpato e Silvia Oliveira lançaram respectivamente os livros “Derradeira Plumagem” e “Tessituras”
Leda Coletti lançou o livreto de poemas “Louvar e agradecer” com prefácio do Monsenhor Jamil Abib
lançamento do livro Paulistenses de João Umberto Nassif
Setembro
2 de setembro - Raquel Delvaje falou sobre vida e obra de Florbela Espanca
11 de setembro - Elias Jorge Autografou seu livro “Sempre haverá um novo dia”
13 de setembro -  Lia Helena Gianechini lançou seu livro “Doido, eu?”
27 de setembro - João Humberto Nassif lançou o livro  PAULISTENSES em dois volumes
Escritores piracicabanos participaram pela primeira vez do evento nacional “Um poema em cada árvore”, simultaneamente em diversas cidades brasileiras
Um poema em cada árvore
Outubro
Elda Nympha Cobra Silveira recebeu Menção Honrosa no Prêmio Escriba de Contos
Cassio Negri premiado no Concurso de Contos da Associação Médica Brasileira
Elda Nympha Cobra Silveira foi finalista no concurso de  Poesias sem Fronteiras. José Airton Mellega foi selecionado no mesmo concurso
Cassio  Negri foi classificado em terceiro lugar no Concurso de Contos da Associação Médica Brasileira (AMB)
Lançamento da revista no 8 da APL
Novembro
Elda Nympha Cobra Silveira ganhou menção honrosa no Escriba de Contos
29 de novembro foi lançada a 8ª Revista da Academia Piracicabana de Letras
Lançamento do livro de Samuel Pfromm Netto “Dicionário de Piracicabanos”

Luzia Stocco - lançamento do livro de poesias "Atemporal"
Dezembro
13 de dezembro- Luzia Stocco autografou seu livro “Atemporal” no Ponto de Cultura Garapa
14 de dezembro - Confraternização de final de ano dos grupos literários
Confraternização de final de ano

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Recomeços


 Adenize Maria Costa 

Por várias vezes a vida nos impele ao recomeço, nas suas mais variadas formas, seja pela perda de uma pessoa querida, seja por uma situação de desemprego, fim de um namoro ou talvez por uma simples mudança de residência... Não importa, pois no fim das contas é sempre uma oportunidade de recomeço.
O problema é como reagir a esses acontecimentos, nem sempre sabemos e muitas vezes sofremos demasiadamente e no fim chegamos à conclusão que não foi tão difícil assim, que era só uma questão de tempo... Costumo dizer que o tempo é o senhor de muitas curas; como dizia minha avó: “o vento do tempo sopra e faz esquecer o tanto que sofremos”.
Refletindo sobre meus parcos projetos para o ano que acabou de começar lembrei-me que, na minha infância, quando ia passar férias na casa da minha mãe, pegávamos o trem "das quatro e quinze" (horário que passava o trem lá em Tupi). Lembro-me que entrava no trem chorando copiosamente pensando em tudo eu estava deixando pra trás, principalmente nas pessoas que ficavam: minha avó, minha tia, meus amigos de infância, pensava nas nossas brincadeiras, em nadar no lago ou Rio Piracicaba, não podia imaginar que se divertissem sem mim. Esse sofrimento se estendia até pouco depois da partida do trem... Assim que ele começava fazer a grande curva do bairro "Quebra-Dente" eu já começava a pensar no que me esperava lá em São Paulo: minha mãe estaria me esperando, minhas irmãs estariam lá para nós brincarmos, ouvir as histórias que minha irmã Adriana contava (e conta histórias até hoje); antes de chegar à estação de Caiuby o choro já tinha parado e já pensava em chegar logo na Estação de Vinhedo onde eu teria o luxo comprar uma coxinha e guaraná-antártica e assim de estomago cheio e agradecido por tão luxuoso lanche, com a alma cheia de expectativa e de saudades lá ia eu em férias para a capital...
Acredito que essa recordação que me ocorre nesse momento é totalmente pertinente já que muitas oportunidades surgirão no ano de 2014. Haverá insegurança e sofrimento, sem dúvida. Se o sofrimento nos visitar, lembremos que as dores da insegurança ou da despedida serão muito fortes enquanto o trem estiver parado nessa estação, não tem jeito... Mas posso lhe garantir que depois da primeira curva o coração já começa a encher-se de esperança porque algo novo nos espera na próxima estação... Esse é o bom da vida! Através dos recomeços a possibilidade de vislumbrar algo novo e sempre haverá a possibilidade do novo se nos colocarmos nas mãos Daquele que faz novas todas as coisas. Que seja um bom ano! De muita paz, saúde e de muitos recomeços pra todos nós!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Adelle


Christina Ap. Negro Silva

Abriu uma porta. Nada. Outra e mais uma. Nada. Ouvira  aquele barulho novamente e vinha do andar de cima. Parecia o ronco de um despertador do celular – há dias o escutava e não conseguia identificar sua localização. O que seria aquilo? Não se lembrava de ter deixado  nenhum aparelho ligado nos cômodos da casa. Era sim uma casa grande e velha, já estava mobiliada quando se mudara ali há tantos janeiros, que nem mais se lembrava com exatidão do ano. Àquela época, tinha verificado em todas as gavetas, portas de armários e não se lembrava de ter visto nada além do mofo nas paredes. Estava só, completamente só. Este incidente, porém, até trouxera-lhe algum alento – tinha algo para ocupar –se : descobrir o causador do barulho.
O que parecia uma brincadeira, com o passar dos dias, tornou-se uma obsessão – era preciso encontrar a COISA SONORA a qualquer custo. Planejou com cuidado de detalhes sua inspeção pela casa – ou melhor, pelo andar de cima, pois tinha certeza de que o som vinha dali.
Primeiro o banheiro, palmo a palmo vasculhado – dentro do armarinho, encontrou apenas a pasta e escova de dentes e um velho aparelho de barbear – Será que funciona ?  pensou, enquanto o colocava na tomada ... rooommm – gemeu o dito sob suas mãos . Como o jovem imberbe que anseia por fazer sua primeira barba, levou-o com cuidado à face enrugada. Sensação boa, lembranças de um tempo engravatado, trabalho de abotoaduras, vida apressada em pasta de couro. Desligou-o e voltou à sua obstinada tarefa. No banheiro não estava.
O quarto da filha, sua próxima parada. Entrou devagar, talvez com receio de acordar as recordações que ali jaziam. A filha tinha casado há dois anos, mas seu perfume ainda rescendia nas paredes. Parou um instante para observar ao redor – teto claro, chão limpo e encerado, cama arrumada, escrivaninha organizada, penteadeira vazia. Onde havia guardado a imagem da filha na moldura do espelho que lhe sorria? Agora, parecia que a via ali, presa em um tempo-espaço de sempre – atenciosa para com ele quando  a procurava para uma conversa, uma dúvida, um carinho em palavras. O silêncio, porém, reinava implacável. Vasculhou tudo, nada encontrou. Receoso, foi andando de fasto, pés  para trás, para não se despertar daquela memória: a filha sorrindo, penteando seus cabelos, passando o batom, o som cálido de sua voz de menina-moça. Chacoalhou a cabeça, ele tinha um propósito, não devia dar-se ao desfrute de sentir essas sensações todas, não depois de tudo o que lhe havia ocorrido.
O quarto do casal – nunca mais tivera coragem de penetrar seu corpo naquele recinto, sua alma o visitava com frequência, isso sim, mas a carne, o sangue, todo seu ser, arrepiava-se ao tocar na maçaneta da porta. Mas agora, não tinha jeito, ele precisava encontrar a COISA SONORA. Fechou os olhos por um instante e tocou a porta, empurrando-a com força. Talvez quisera espantar a imagem que tinha diante dos olhos da sua recordação – a mulher sem vida jazia naquela imensa cama, seus brancos cabelos emolduravam seu rosto pálido e sereno. De um salto, pulou sobre a cama vazia, chorando como uma criança que tem seu brinquedo arrancado à força. Que saudades ! Quanta falta sentia dela. Quantos beijos secos, abraços estragados, palavras ocas ,  o tempo – este inexorável senhor – levou embora ? ! A solidão era sua melhor companhia, se não fosse aquele terrível barulho a tirar-lhe da zona de conforto que sua nova amante lhe propiciava, ele jamais teria entrado no quarto do casal.
Tramm- trammm- ouviu o som tão perto. Ah, então era ali que ele brincava de pique esconde ? Foi aproximando-se mais e mais do criado mudo. O diário da esposa cuidadosamente deixado sobre o tampo, seus óculos de leitura ao lado, a gaveta entreaberta e ... ali estava o que tanto procurava ! Um pequeno porta-joias de madrepérola – trammm- trammmm  - tremeu o maldito. Até que enfim, a busca estava terminada. Mas o mistério persistia. Depois de tantos anos , como a corda ainda funcionava ? ou melhor, emperrara , provocando o barulho do desassossego ? Pegou o objeto nas mãos e deu-lhe cordas – uma melodia, uma valsa vienense ou algo parecido, encheu o quarto. Ele deixou-se bailar nos pensamentos. Viu-se jovem, elegantemente trajado,  tirando a menina de cabelos encaracolados para dançar. Valsou pelo salão, sussurrou-lhe palavras de amor...Valsou pela cidade, viu-se bem sucedido em seu negócio. Valsou pela vida – viu-se novamente só, sem a mulher amada, sem qualquer humana companhia, tocou o diário e ato contínuo, viu-se abrindo o caderno e lendo o último registro feito – Querido, sei que um dia você acabará por encontrar-me (...) aqui , você estará com meu amor em palavras escritas. Eu sabia que partiria antes de você, (...) não fique triste, vivemos felizes e isso é tudo o que importa. Por favor, nunca se esqueça de mim, de nós, do que fomos (...) Com carinho, tua Adelle.

Meu Deus ! Ela já sabia que estava morrendo. Ele fizera segredos, proibira as visitas dos parentes, ela fora tão forte. Chorou, soluçou, chamou-a pelo quarto vazio, passou não se sabe quantos minutos naquele estado de descoberta e saudade. Por fim, carregando o diário e o  porta joias, desceu para o primeiro pavimento. Agora teria sua Adelle a fazer-lhe companhia. Uma vírgula, porém, interpunha-se nesta sua nova fase de lobo solitário – como a corda do aparelho voltou a funcionar / emperrar depois de tanto tempo ?

ANO NOVO


Elda Nympha Cobra Silveira
                                  
Os Fogos de artifício
Explodem nos negros céus.
Traduzindo a alegria do povo.
É o ribombar da catarse,

Da esperança de algo bom
que abra os corações,
                       traduzindo novos anseios                      
que possam nos fazer
esquecer o que passou.

Junto a esse rojão
quero chegar mais perto de Deus
e dizer-lhe que olhe
por todos os filhos seus.