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sábado, 8 de novembro de 2014

Líquido precioso

(Rio Piracicaba foto Ivana Negri)

Ivana Maria França de Negri

Não é segredo para ninguém que a escassez de água no planeta será um dos gravíssimos problemas a serem enfrentados pelas nações. Num futuro bem mais próximo do que se imagina, devem ser regulamentadas normas para conter o consumo mundial. Mas a cultura do desperdício ainda permanece. Esbanjam o líquido precioso, e  das mangueiras jorram litros e litros de água tratada que deveriam ser usados para finalidades prioritárias. A boa e velha vassoura deveria ser utilizada com mais frequência.
As guerras do futuro serão pela disputa da água. Veremos grandes nações querendo se apossar das reservas que ainda restarem. A água será o novo petróleo, fator de guerras e disputas.
Uma das primeiras guerras da história foi travada por causa de água, há 4.500 anos, entre duas cidades à margem do rio Eufrates, região onde fica o atual Iraque. Conta-se que Urlama, rei da cidade-estado de Lagash, desviou o curso de um rio deixando a outra cidade-estado sem água.
Aqui em Piracicaba, nosso pobre rio, em outros tempos tão majestoso, quando exibia fartas cascatas de água borbulhante e que sempre foi o nosso orgulho, agora mostra-se como um insignificante fio d’água, deixando à vista um esqueleto de pedras. O líquido pardacento escorre tímido entre embalagens plásticas que bóiam em sua superfície. O espetáculo é deprimente. Às vezes apresenta uma espuma branca e malcheirosa, produto de organismos em decomposição ou gerada pelo acúmulo de detergentes que sua pouca vazão não consegue diluir. É muito triste essa visão desalentadora para quem ama a cidade e seu rio.
Enquanto o milagre da chuva não acontece, há que se tratar a água como se fosse um tesouro, um diamante muito valioso. E mesmo quando as águas verânicas chegarem, o solo vai absorvê-las por um bom tempo, tão ressequido está. Só depois de encharcado o solo, os rios começarão a recebê-las. E isso se chover muito!
A camada de ozônio está desaparecendo, a temperatura da terra subindo alguns dígitos a cada ano, resultado do desmatamento. O mau uso dos recursos naturais, o desperdício de água, a condenação de espécimes animais e botânicas à extinção, o meio ambiente praticamente assassinado com a destruição impiedosa de ecossistemas, as  queimadas, a derrubada de imensas florestas para dar lugar a pastos para criar mais gado e abastecer os fast-foods americanos e europeus, a Amazônia encolhendo, tudo isso causando a desertificação de imensas áreas.
Uma das atividades que mais utiliza água é a pecuária. Se as pessoas comessem menos carne, ajudaria muito. Talvez chegue um dia em que a humanidade terá de fazer sua escolha: ou come carne ou fica sem água.
Se nada for feito no presente, nossos netos e bisnetos pagarão juros altíssimos no futuro. A aridez tomará conta da Terra que se transformará num imenso e infértil deserto.
Só gostaria que minhas previsões não se concretizassem, para o bem de todos. Mas nunca é demais alertar e prevenir. O povo entenderá e fará a sua parte.

Água é vida e devemos usá-la com consciência e preservá-la para as gerações futuras.

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