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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tempo de aprendizado



                                                                           Pedro Israel Novaes de Almeida

                     A escolarização corre contra o tempo.
            Adquirir conhecimentos, frequentando escolas e nichos que valorizam a cultura humana, é importante para todos, mas fundamental para crianças e adolescentes. Houve um tempo em que o ensino médio era dividido em áreas distintas: Científico, Clássico, Normal e até Contador.
            A opção era prematura, exigida antes do aluno perceber sua real vocação, se voltada à área das ciências humanas ou exatas. O ciclo genérico, que cuida ao mesmo tempo de todas as áreas, acabou prevalecendo.
            O ensino médio funciona como passaporte a concursos e cursos superiores, e é, na maioria dos casos, não profissionalizante. Ocorre que o tempo de escolarização costuma ser pequeno e mal aproveitado.
            Nossos alunos passam, em média, menos de quatro horas por dia, na escola, aprendendo que uma prima de D. João VI era namoradeira, e que existe, na Antuérpia, um rio chamado Sdruvs. Em matemática e outras ciências exatas, somos tradicionais perdedores, em testes internacionais de aprendizado, enquanto a língua pátria é diariamente violentada.
            Chegamos ao vestibular com reduzido conhecimento, e só entra para o curso de História, Sociologia ou Direito o aluno que conseguir acertar a questão pertinente à divisão de células. Por outro lado, engenheiros natos e médicos vocacionados devem responder questões a respeito da filosofia de Chutonaredê ou minúcias da Grécia antiga.
            Não será com um tempo inferior a quatro horas por dia, na escola, que nossos alunos conseguirão assimilar o enorme conhecimento geral que necessitam. Outros povos, de maior cultura e conhecimento, passam até o dobro do tempo na escola, e alguns acumulam cursos profissionalizantes, ao mesmo tempo em que frequentam cursos genéricos.
            As tão discursadas escolas em tempo integral, necessárias mas ainda raras, tornam-se um martírio e são desestimulantes, caso não possuam estruturas e ensinadores capazes de ocupar o tempo de maneira construtiva e atraente. As escolas em tempo integral ainda são raras até na rede particular de ensino. São poucos os alunos que presenciaram, na escola, esclarecimentos a respeito de drogas e cidadania.
            Em nosso dia-a-dia, a escola é vista como um mal necessário e tempo de sacrifício diário, pela maioria dos alunos. Ainda existem professores que lecionam conteúdos tipicamente partidários, ensinando e desinformando ideologias as mais diversas.
            No Brasil, o tempo na escola diminui à medida em que o aluno vai passando da pré-escola à faculdade, invertendo a lógica do aprendizado e especialização. O pouco tempo de estudos também é realidade nos cursos superiores, a maioria de péssimo desempenho.
            Um modelo eficiente de ensino envolve gastos bem superiores aos atuais, e os governos parecem contentes e satisfeitos com resultados pífios de aprendizado, como se a meta fosse preencher estatísticas e não formar cidadãos. As próprias famílias pouco educam no sentido de valorizar a escolarização, e as escolas não conseguem escolarizar os que chegam deseducados.
            Mas convém lembrar que somos o país do samba, carnaval e futebol, e também da corrupção, ineficiência e maus exemplos. Estudar só atrapalha !!!

                                                                                        

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