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terça-feira, 6 de maio de 2014

PROFISSÃO: PROFESSOR




Margarete de Oliveira Pagotto* 

Ao ouvir o conto “A moça tecelã” de Marina Colasanti, contado no último ATPC na escola onde sou professora, lembrei-me de minha própria origem.
Nasci em um lar onde minha mãe, até altas madrugadas, tecia e tecia com agulhas de crochê, blusas, casaquinhos, onde desenhos formavam-se,  tornando os trabalhos cada vez mais admiráveis. Fui  batizada por uma costureira aposentada que também confeccionava trabalhos maravilhosos; por outro lado, sou crismada por uma professora que, com muita paciência, auxiliou  muitas crianças na arte de ler e escrever, e sou uma delas. Com muito carinho e atenção,  a “tia Otília” me tomava a tabuada e me  ensinava o abecedário, na cartilha,ela  tecia comigo as primeiras palavras. Esse é o começo....
Aos dezoito anos decidi traçar meu caminho e escolhi fazer o curso de letras, até tentei fugir dessa profissão, ao me formar trabalhei em outras áreas que não pertenciam a da educação, porém de nada adiantou, porque, talvez pela convivência com mulheres tão trabalhadoras e decididas desde a infância, iniciei, um pouco tardiamente, a arte de auxiliar outras crianças a viajar através da  leitura e transmitir sua opinião pela escrita.
Arte difícil essa, trabalhar com crianças que muitas vezes trazem de lares desestruturados problemas muito maiores que os nossos ;  a leitura e a escrita são pouco atraentes para elas. Muitas vezes,  já entro ou entrei em sala de aula desejando não estar ali,porém ao   conseguir auxiliá-los a aprender e valorizar esse aprendizado, ... de repente ,tudo se transforma ,quando dentre eles aparece um, pelo menos um, que traz um texto bem elaborado, que conta sobre um livro que leu, que demonstra que você participou de seu aprendizado, enfim,  que valoriza a educação como um meio para ter um futuro melhor.

Deparo-me então com outra grande dificuldade, como trabalhar com a maioria que vem para escola sem atenção, sem incentivo para o aprendizado?  Como atingi-los?  Sei que não há  uma resposta pronta e  que devemos tentar...tentar e continuar tentando, tecendo a cada dia uma  nova manhã, valho-me do poema de João Cabral de Melo Neto, “ um galo sozinho não tece uma manhã: “ ele precisará sempre de outros galos...para que a manhã ... se vá tecendo...” Esse tecer é o nosso aprender, o  fazer, o  transformar ...o que faz  com que todos, professores e alunos, construam   o futuro.

* Professora de Língua Portuguesa da EE Profª Catharina Casale Padovani

Um comentário:

Anônimo disse...

Minha mãe era professora,
eu lecionei durante 32 anos,
minha filha é professora,
e minha neta de 8 anos adora brincar de escolinha, mesmo ensinando tudo que aprende para alunos imaginários...
Escolhi, adorei e considero a " melhor profissão do mundo".
Parabéns pelo texto!!!!!
Dirce Ramos de Lima