As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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terça-feira, 18 de março de 2014

ESTOU TRISTE...

(foto Del Rodrigues)
Danilo Favarim

Para vocês entenderem o que estou passando, vou contar desde o início. 
Nasci em 1986 na cidade de Piracicaba, e na mesma cresci e vivo até hoje. Me recordo quando criança dos passeios que fazia na beira do rio.
Todo mês de janeiro meu pai me levava para ver as enchentes ou o alto volume de água. Achava lindo ver o rio cheio, e sempre gostei de ouvir histórias. 
Minha mãe, já falecida, nasceu e cresceu na Rua do Porto e sempre me contava inúmeras histórias das mais variadas, até uma trágica, que ela se emocionava em relatar, era sobre a morte de seu pai (meu avô) que se afogou no rio ainda quando ela era uma criança. Fui crescendo rodeado de contos, morei em um bairro da cidade onde todas as ruas tem nomes de peixes, a minha se chamava rua dos Dourados.
Já adolescente me arriscava a nadar, pescar, e ia curtir noitadas na Rua do Porto.
Quando comecei a namorar minha esposa, o nosso primeiro encontro foi na Ponte Pênsil. Me enchia de orgulho toda vez que minha cidade era citada na TV, pela beleza de seu rio, por sua economia, pelo XV de Piracicaba, resumindo, simplesmente aprendi a amar e me orgulhar dessa cidade do interior paulista com seu povo de sotaque caipira e cheia de beleza e magia.
Quando viajo para outras cidades sinto orgulho em dizer que sou piracicabano, porém hoje, eu vi o quanto realmente amo esse lugar. Passei às margens do nosso rio Piracicaba e vi dezenas de pessoas dentro do seu leito, que estava vazio, com mau cheiro e cheio de peixes mortos. Na hora me bateu uma baita de uma tristeza, que cheguei até a chorar. Com 27 anos de idade, nunca vi um período de estiagem tão longo e nem mesmo tão cruel da maneira que está acontecendo com o Piracicaba.
A única coisa que quero neste momento é o meu Rio de volta...



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