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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

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Luzia Stocco – escritora, professora, contadora de história, atriz, autora do recente livro de poemas selecionado pelo Fac 2013- Atemporal- e outras 7 obras. Blog www.literarteLuziaStocco.blogspot.com

Breve reflexão do livro Os melhores contos brasileiros de todos os tempos
Mais uma impressionante antologia de contos, das tantas organizadas por Flávio Moreira da Costa, esta de 2009, ed Nova Fronteira, com 792 páginas, onde o org. vai contextualizando brevemente cada autor e suas obras; claro que, outros contos sensacionais ficaram de fora pois já estão em outras antologias organizadas por Flávio; autores dos séculos XIX, XX e alguns vivos ainda no XXI, alguns mais conhecidos, outros menos ou nunca vistos por mim, mas emocionei-me com dezenas deles, e dentre os 87 contos deste livro divididos em dez seções, peço licença aos leitores para citar e enaltecer os meus 37 preferidos, um convite e sugestão a que outros os leiam pois o encantamento virá sem pedir licença.                                                                                                                                   Da 1ª seção, Conto antes do conto ou A infância da ficção, destaco o conto “E foi inventado o candomblé” (anônimo – Brasil africano); dos “Contos Fundadores ou À sombra do romantismo”, escolhi “A dança dos ossos” de Bernardo Guimarães, “Camila: memórias de uma viagem” de Casimiro de Abreu, e “Encomendas” de França Jr; dos “Contos Sem data ou Machado de Assis”: “Uns braços” (obviamente que eu o escolheria), “Missa do galo”; do capítulo “Contos pioneiros ou o nome do conto-menino” destaco “Redivivo” de Domingos Olympio, “Os brincos de Sara” de Alberto de Oliveira, e “O crime do tapuio, de José Veríssimo; dos “Contos transeuntes (1)” selecionei, a meu puro gosto, “O velho Lima” e “Banhos de Mar”, ambos de Arthur Azevedo, “Tílburi de praça” e “50$000 de gratificação”,  ambos de Raul Pompeia, “O madeireiro” de Aluísio Azevedo, “A noiva do golfinho” de Xavier Marques,  e “A caolha” de Julia Lopes de Almeida; dentre os elencados como “Contos regionalistas ou histórias do Brasil profundo”, escolho “Banzo” de Coelho Neto, e “Selvagem” de Vicente de Carvalho (bárbaro esse conto, amei); Contos transeuntes (2),  “O minuete” de Magalhães de Azevedo, “O homem que sabia javanês” de Lima Barreto, “O fim de Arsênio Godard” de João do Rio, “O comprador de fazendas” de Monteiro Lobato,  e “O legado” de Godofredo Rangel (excelente); Dos “contos modernistas ou a virada de 1922 e 1930” fiquei impressionada, e aos prantos li, me envolvi e senti a experiência de peixe “Bapo” de Francisco Inácio Peixoto, o mesmo para o já conhecido “Baleia” de Graciliano Ramos, e para “As mãos de meu filho” de Érico Veríssimo, e para “Tangerine-Girl” de Rachel de Queiroz; De “Contos modernos ou Amor e morte na cidade grande”, fui mais tocada por “O telegrama de Ataxerxes” de Aníbal Machado, “Stela me abriu a porta” de Marques Rebelo,  e “Flor, telefone, moça” de Carlos Drummond de Andrade; do último capítulo “Contos contemporâneos ou A terceira margem na hora neutra da madrugada”, envolveram-me mais “O ex-mágico da taberna Minhota” de Murilo Rubião, “Viagem a Petrópolis” de Clarice Lispector, “João Urso” de Breno Accioly (maravilhoso), e outro de Lygia Fagundes Teles; “Sorôco, sua mãe, sua filha” e “Desenredo” ambos de Guimarães Rosa, “Trem fantasma” de Moacyr Scliar, e “O arquivo” de Victor Giudice.  Quanta gente boa escreveu e ainda está escrevendo coisas muito boas, desconhecidas da maioria de nós; personagens e mais personagens criando vida e espalhados por aí, a espera de um leitor apreciador. Quantas vidas, pedaços de vidas, ficções, realidades particulares, transformadas ou não, a literatura é o terreno fértil onde se cria a selva e o jardim. Pena só aparecerem 4 mulheres. É, penso que, de fato, as mulheres tinham pouco tempo para pensar, sentir sentar e escrever, além de pouco espaço e oportunidades para avançarem. Por isso, como analisam alguns, não conseguiam competir com o homem em relação à própria maneira de verem a si mesmas, de falarem de si, coisa que os escritores homens faziam muito bem, talvez exatamente porque elas tinham mais dificuldade para conhecer-se, valorizar-se, se tocar, se enxergar, observar, a não ser pelo olhar e mãos do homem.  Leitura recomendada, então!


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