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sábado, 11 de janeiro de 2014

Sobre o burrinho azul

Olivaldo Junior


"O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar. (...)

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)"
Cecília Meireles, in O menino azul



            Nunca tive um burrinho azul. Mas, algumas vezes, pensei que o tive. Um burrinho azul é um amigo a quem se contam as coisas do mundo interno, o mundo inteiro de si. Um amigo é um burrinho azul que se fez gente para encantar alguém. Bem que eu sabia existir um burrinho desses, no entanto, me engano, não há. Há burrinhos de cores sem a cor do céu claro de dias assim, quentes e plenos de luz, luz da amizade.
            Amigos são coisas que existem, mas nunca se encontram, como um burrinho azul. Você já viu um? Há burrinhos que tem cor de burro quando foge, e, desses, tenho visto muito. Outros são burros de cor de burrinhos de carga, os mais comuns, nem um pouco azuis. Azul, sem nuvem, apenas o ensejo de ter um amigo assim. É, deve ser bom ter um amigo que o venha ver no Natal e no Ano Novo e lhe dê o ar da graça sempre que possa, para que, juntos, cantem um pouco de música antiga, de Tom e Vinicius, ou de modas caipiras, que, no meu peito, também mora um caboclo, um burrinho azul.
            Um amigo, meu amigo, é o que pensei que fosse: uma aquarela doce, com as cores todas de um grande abraço. Sofro, amigo, e o coração, escuro, não fica azul. Há julgamentos frios sobre o que escrevi, sobre minhas trovas e meu jeito obscuro de me deixar ser. Sou, amigo, o que se fez amigo. Não o bastante para que um burrinho da cor do mar se fizesse amigo. Azul, o dia se perde em outras cores. Onde meu burrinho?

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