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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

DIFERENÇAS


Elda Nympha Cobra Silveira

As horas tardias, em decrescência, foram transmutando a cor do aposento, antes moldado pela penumbra da noite. A luz solar, coada nas tramas da cortina de voile transparente, foi transformando o ambiente em lindo dia de sol e insolente foi despertando a linda jovem ainda insone que, abrindo os olhos sonolentos contra a claridade, sorriu. Um sentimento de felicidade invadiu sua alma ao constatar que esse seria mais um dia pleno, na somatória de sua vida, pois ao receber de Deus o presente do sol, ganhou de brinde um friozinho para se aconchegar nas cobertas de lã de carneiro, nos lençóis perfumados de lavanda e uma mesa farta de iguarias à sua espera. O cheirinho de café coado impregnou suas narinas e aguçou seu paladar. Tudo lhe vinha de graça sem esforço nenhum, como dádivas merecidas, mas na verdade, porque merecidas? Saindo das cobertas, e tomando seu lauto café da manhã começou a pensar: - O que farei de útil nessa minha vida que passa insípida e sem valor para ninguém, pois sou como água desperdiçada escoando de uma jarra de cristal? Estou me sentindo inútil! Esse viver foi-me dado por alguma razão!
Que diferença entre o viver dela e o viver de outras moças, que fazem da rua sua moradia, negociando seus corpos, outras ou outros usando jornais como cobertor para enfrentarem o frio, que vai enregelando, não só seus membros, mas também suas almas. São muito diferentes dela, que não espera nem um minuto para saciar a fome, estar agasalhada e nem espera para receber amor. Tudo vem de graça, sem esforço nenhum, como presentes divinos.
- Meu Deus! Por que as pessoas têm vidas tão diferentes? O que teria acontecido para seguirem por caminhos tão diversos? Por que uns já nascem com privilégios e recebem dos familiares carinho, afeto e amor, enquanto outros nascem para sofrer?
Ela começou a chorar, e uma serviçal querendo consolá-la foi dizendo:
- Todos têm que evoluir na escala espiritual: uns estão permeando “caminhos nunca dantes navegados”, outros, pelos seus merecimentos, já galgaram uma posição espiritual melhor e têm outros tipos de desafios para moldar seu espírito. A meta é alcançar o divino, porque todos podem ser santos e a vida é muito breve. Vale a pena! Afinal, a vida não finda com a morte, continua num outro plano espiritual.
- Diga-me o que devo fazer? – respondeu a moça - Agradeço a Deus por essa minha vida, mas Ele deve esperar que eu tenha um objetivo mais condizente com o que Ele espera de mim. Ele me deu tantas condições materiais boas, e, portanto, tenho tempo para dedicar-me aos outros. Sou muito instruída e prendada, você sabe, devo empregar esses talentos para uma vida mais pratica, porque para mim só servem de verniz, para ser elogiada por todos e provocar o aumento do meu ego.
A serviçal a abraçou com ternura, pois a conhecia desde pequena e sorrindo disse-lhe:
- Quando você der amor, o amor virá ao seu encontro. Não espere mais, procure onde seu coração se contentará, pois “é dando que se recebe”. Deus lhe deu talentos para serem usados, da forma como preferir.
Essas palavras nortearam sua vida, e ela foi se sentindo útil.

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