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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ESCRAVOS DA MÍDIA



Pedro Israel Novaes de Almeida

A regulação da mídia, no Brasil, parece fadada a figurar no arquivo dos temas eternamente postergados.
            Qualquer cidadão pode editar seu próprio jornal ou revista, impressa ou eletrônica, ou fundar um site de informações ou opiniões. Tais veículos não dependem de autorização oficial, e podem estar dispersos por todas as tendências do pensamento humano.
            O grande problema reside nas emissoras de TV e rádio, concessões públicas que, ao longo da história, acabaram concentradas em mãos de políticos, grupos religiosos ou seletas castas empresariais.  Meros mortais jamais acabam proprietários de tais mídias, ainda que jurem boas intenções e passado ilibado.
            Faz parte da cultura popular o simplista e imbecil ditado, segundo o qual basta desligar a TV ou rádio, para evitar que suas mazelas atinjam o cidadão e sua família. O som e imagem saem do domicílio, mas continuam presentes na desinformação, falta de recato, valores idiotas e outras quinquilharias esparramadas pela sociedade.
            Rádio e TV podem demolir ou construir valores e culturas, orientar eleições, erigir falsos ídolos, prejudicar patrimônios e imagens e tudo aquilo de que a imaginação humana é capaz. Podem, quando querem, beneficiar a sociedade, com boas e instrutivas programações.
            No Brasil, a legislação que trata do assunto mais parece um compêndio de bons enunciados e pouca efetividade. São proibidos os monopólios e oligopólios, e asseguradas as finalidades culturais, educativas, artísticas e informativas das programações, além de lembretes a respeito da adequação etária de horários. Só.
            A omissão dos governos, deixando as baixarias da TV deseducarem a população, custa caro à sociedade, que tende a repetir as asneiras de ídolos fabricados, valorizar exemplos inadequados de consumo e manifestar mais interesse pelas nádegas da famosa que pela miséria do vizinho. Bons exemplos, de seres e grupamentos humanos, acabam, quase sempre ignorados. Para a maioria dos canais de TV, parece que o cidadão normal, sem silicones, incapaz de gestos grotescamente insinuantes, sem corpo sarado ou uma extravagância qualquer, simplesmente não existe.
            A TV forma a consciência e valores coletivos, e, no fundo, acabamos tratados como desprezível massa de manobra e consumo. Estamos consolidando uma geração de idiotizados e desrespeitadores sociais e culturais. A concessão não gera poderes ilimitados e submete-se aos imperativos legais e interesses coletivos.
            Não podemos continuar varrendo o lixo para sob o tapete. O tema deve ser amplamente discutido, e as soluções implementadas, evitando a supremacia de grupelhos ideológicos e a tentação de instrumentar a mídia para manutenção de poder ou silenciar opositores. Cultura, informação isenta, educação e entretenimento, diversificados, é o que importa.
            Políticos com mandato seriam impedidos de conduzir programas, ainda que somente vereadores. Será que somos incapazes de garantir ao menos o fim das baixarias na TV, tipo BBB e Super Pop, sem escorregar para patrulhamentos ideológicos e padronização cultural ?

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