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sábado, 10 de agosto de 2013

Derradeira Plumagem, de Irineu Volpato (por Silvia Oliveira)



Derradeira Plumagem, de Irineu Volpato
 por Sílvia Oliveira

“Esbanjo de sentimentos, emoções e pensares, falas, criam eco...” (também) “em mim”, Sarita (professora e poetisa de Bagé, RS) pois que os versos-motemas de Irineu igualmente não me assombram como antes, há duas décadas quando nos conhecemos.
Olhos meus, de ver e sentir seus dizeres são agora mais acostumados às suas desconstruções linguísticas, aos seus movimentos repentes que combinam sensações, culminando em sentimentos amplos no abrir de asa Volpatiano.
Começarei do motema seu último:  “bom de às vezes se entregar a efêmeras loucuras descansando nosso senso verdadeiro”.  E não é essa justa e “apenasmente” o trabalho do escritor, desse poeta em especial - o de se entregar ao não usual e descansar-se em senso de outras “verdades” ?  O sentido normal das palavras definitivamente não faz bem ao poema, aqui lembrando as palavras do poeta Manoel de Barros.  E Volpato significa isso a cada (re)lance de sua obra.
A regra de “scrivere breve” apresentada por Italo Calvino (em Lições Americanas. Multiplicidade - p. 116-117) considera a idéia, a feitura dos versos que se desprendem do temperamento de “escrever breve” pois que essa estrutura permite ao poeta unir a concentração na invenção e na expressão com o sentido da potencialidade infinita. Característica essa própria deste poeta-pássaro.
Irineu é meu “partner”, parceiro-parelho no livro bilíngüe “Humanity/Tessituras” que hoje apresentamos.  Quando o convidei para não simples ou propriamente traduzir meus versos ingleses para a língua nacional, mas que se fizesse à vontade para que ele próprio se fizesse nesse trabalho, ao qual chamou de “parelhamento”, não tinha a dimensão do que poderia se mostrar a partir daí.  Então seus versos foram acontecendo, atingindo níveis fiéis - ora mais, ora menos - à ideia e imagem originais dos poemas surgidos na língua inglesa.  Desapeguei-me por completo das vezes em que o poeta partiu num voo “solo” e o admirei por sua envergadura tão diferente quanto similar à minha.

E aqui nesta plumagem que nunca se faz derradeira pois o poeta permanece nas asas de quem o lê, agradeço por compartilhar letras e sentimentos na amplidão do universo pessoal e literário.

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