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segunda-feira, 13 de maio de 2013

TIROS DE GUERRA





                                                           
            Nunca sentimos qualquer atração pela carreira militar, até por faltar-nos os requisitos da obediência e disciplina.
            Como a maioria dos pais, acompanhamos, aos sobressaltos, o alistamento dos filhos, no Serviço Militar Obrigatório, justamente quando do início dos cursinhos pré-vestibular ou de faculdades. A seleção para cumprimento do Serviço tem, para muitos, o vislumbre de danos à carreira estudantil.
            A expectativa e ansiedade dura até a última apresentação, quando é noticiada a dispensa por excesso de contingente ou efetiva incorporação. No período, não faltam boatos de que prefeitos e outros influentes podem indicar nomes à dispensa, o que subverteria a solidez do procedimento e sua própria credibilidade. Grande parte dos custos dos Tiros de Guerra são arcados pelas prefeituras.
            Na verdade, a rotina dos Tiros de Guerra acaba sendo útil a muitos jovens, que podem descobrir algum pendor pela carreira ou frequentar um ambiente de obediência e disciplina, bastante raro hoje em dia. Dizem que os horrores e sofrimentos de outrora ficaram no passado.
            As regras para dispensas e incorporações devem ser claras, evitando o incômodo da expectativa e desconfiança. É direito de todo alistado saber o enquadramento de cada decisão, eis que pública e necessariamente motivada.
            Tarda o Congresso em editar lei que trate do Serviço Civil Alternativo, constitucionalmente previsto, e que teria o condão de aumentar o benefício da prestação e diminuir o stress da ocasião.
            Sentimos, os pais que acompanham os filhos, a penúria que assola as dependências militares, e a mudança no perfil profissional. Militares tratam-nos com urbanidade, enquanto funcionários civis podem tender a hierarquizar os relacionamentos, como se detentores da altas patentes.
            A maioria dos exércitos, outrora mantida como instrumento de guerra, hoje atua como garantidora da paz. Povos desarmados atraem aventureiros os mais diversos.
            Em fases negras da história, alguns exércitos, por legalistas, garantiram regimes espúrios, enquanto outros deixaram de lado a legalidade para fundar ditaduras. Os exércitos, muitos, dedicam-se a cultuar a ciência, a tecnologia, a inteligência estratégica e um conjunto de valores. Possuem estruturas de engenharia, insubstituíveis em algumas regiões, e promovem a integração e socorro a populações distantes.
            No Brasil, os exércitos seguem pouco assistidos, mas legalistas e profissionalizados. A história insiste em creditar-lhes horrores como se a população civil, principalmente policiais e financiadores, não tivesse tido qualquer participação, e como se não houvesse existido uma guerra armada, ideológica. Para evitar uma ditadura, acabaram fundando outra.
            Militares não são clones, e possuem opiniões individuais, como humanos que são. As posturas profissionais são semelhantes, até por dever de ofício, mas cumpre notar que atrás de cada farda reside um cidadão, com direitos e deveres, alegrias e frustrações. Já é tempo de deixarmos de lado os preconceitos ideológicos e passarmos a enxergá-los como auxiliares insubstituíveis, não ameças.
            Não devemos sucumbir ao infantil e irreal sonho de vê-los prendendo corruptos e desnudando teatros políticos enganadores, pois já assistimos tal filme, e sabemos que o final é sempre imprevisto.

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