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quarta-feira, 8 de maio de 2013

O SUCESSOR




Henrique Borlina de Oliveira

Elegeu-se prefeito. Diplomado, estranhou a ausência do antecessor na posse. No dia três do primeiro mês do mandato chegou ansioso à prefeitura. Um homem veio abrir a porta. Pediu que entrasse, cumprimentando o prefeito pela eleição e desejando-lhe sucesso na gestão da cidade.
A prefeitura estava vazia e silenciosa, mas achou por bem não comentar nada ao homem que mostrava ao prefeito o caminho do gabinete como se não conhecesse; afinal, pensou que estivesse chegado muito cedo para as atividades.
Caminhou por passos lentos, seguindo o funcionário. As paredes escuras do corredor o espreitavam. A sala onde antes havia a recepção estava desocupada. No chão, os fios soltos do sistema de telefonia.
- O gabinete é ali, doutor! – disse o homem indicando a porta escura e fechada à sua frente. – Pode entrar, não está trancada. Levaram embora a maçaneta.
Empurrou a porta devagar. Estendeu o braço para alcançar o interruptor. O homem adiantou-se.
- Não há luz. Está cortada faz tempo.
E foi puxando uma a uma as lonas escuras que cobriam as vidraças do gabinete.
Não havia móveis algum na sala. Nem mesa, nem computador, nem telefone, nem armários. Apenas uma cadeira com os estofados esturricados fora deixara para trás.
- Deixaram apenas a cadeira – disse o prefeito com a intenção de aproximar-se. O homem o deteve, segurando-o pelo braço.
- Cuidado prefeito, o buraco!
Sentiu um arrepio na espinha quando viu o buraco no meio da sala e por pouco não caíra dentro.
- Pensei fosse o desejo de um mosaico no piso.
Da beirada tentou enxergar o fundo, mas a parede imunda foi escurecendo a medida que se aprofundava até mergulhar de vez na escuridão do buraco.
- Para que serve este buraco aí? – perguntou o prefeito.
- Não me disseram não senhor! Mas ele está aí, do jeito que deixaram.
- Pelo menos ficou uma cadeira – disse voltando-se para o objeto deixado no canto.
- Fosse o senhor, não sentava nela não!
- E por quê? Preciso de um lugar para despachar...
- Esta cadeira, doutor, é amaldiçoada. Quem senta nela, nunca mais quer sair de cima...
O prefeito sorriu olhando novamente para a cadeira.
- Se der uma reformada, fica novinha em folha!
E quando se voltou para o homem já não estava mais ali. Tragado que fora pelo buraco.

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