As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lançamento do livro "30 anos UNIODONTO Piracicaba"

Jornalista Edson Rontani Junior autografando o livro "30 Anos  UNIODONTO Piracicaba"
Diretora da Biblioteca Municipal Rosana Oriani, presidente da UNIODONTO Cláudio A. Zambello, Vitor Pires Venconvsky e Edson Rontani Junior
Diretora da Biblioteca Municipal Rosana Oriani, escritora Ivana Negri,  Diretora do Museu Prudente de Morais To Mendes e  poeta Esio Antonio Pezzato

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Convite - Mostra dos Projetos do ano letivo de 2012 dos alunos da Escola Catharina Casale Padovani

MOSTRA  DOS  PROJETOS  DA  “ CATHARINA” 


1-Gincana  da Matemática
2-Projeto Corumbataí
3- Proezas da Catharina em Cordel  Piracicabano
4-Você é o que come e o quanto come
5-Outras linguagens da HISTÓRIA
6-PIC Jr. – projetos e expectativas
7-Bate –latas “ Catharina”
8-Ginástica rítmica
9-Prevenção também se aprende na escola
DIAS  30/11 – 03,04,05 de dezembro
Horário – das 8:00 h às  20:00 h
 ( aberta ao público )

Eu erro, tu erras, ele erra



Ivana Maria França de Negri

            Erros, erratas, revisores, um assunto que sempre vem à baila nas reuniões literárias. Para um escritor, constatar um erro numa publicação, quer seja de digitação, descuido ou falta de revisão, é motivo de muita angústia, já que um deslize publicado é praticamente impossível de consertar. Mesmo que erratas sejam providenciadas posteriormente, nem todos as leem, e o erro perpetua-se quando impresso em livros com centenas ou milhares de tiragens.
            Há anos coleciono recortes de jornais, revistas e outras publicações com erros de todo tipo, até em textos de autores consagrados e famosos, e dos mais conceituados jornais como o Estadão e a Folha.
Antigamente o serviço de um revisor era de primordial importância e os deslizes, imperdoáveis. Já hoje, com o corretor de texto do Word - nem sempre confiável - e com a ajuda de programas instalados para esse fim, tornou-se dispensável o trabalho do revisor.
            Nas redes sociais a rapidez da digitação faz com que as pessoas abreviem ao máximo as palavras, e surge uma nova linguagem, totalmente deturpada e indigerível para quem gosta de um texto bem elaborado.
            Para os poetas, erros em poemas são um martírio, pois podem mudar  completamente o sentido de um verso.
            Lembro-me de um poema meu que foi publicado com um erro de quem o digitou. Uma simples inversão de letras, e saiu “olhos da lama”, quando o correto seria “olhos da alma”. Foi um desastre porque mudou totalmente o sentido da poesia. Fiquei mortificada.
            Desastre maior aconteceu quando faleceu a grande poetisa piracicabana, Maria Cecília Bonachella, e a página que ela coordenava teve edição especial em sua homenagem com poemas dos inúmeros amigos poetas. Por uma falha, até hoje não sei por qual razão, todas as palavras acentuadas desapareceram. O resultado foi catastrófico. Ninguém se conformava. Um amigo poeta, que compôs um poema especialmente para a data, me ligou logo pela manhã, assim que leu o jornal, dizendo: “não sei se rio ou se choro!”. O poema dele tinha o título “Poetando no céu”. Retirem a letra acentuada para terem a real dimensão da tragédia...
Outros poemas tinham títulos como “O vôo da poetisa” e saiu publicado “O vo da poetisa”. No dia seguinte republicaram a coluna, desculpando-se com uma pequena errata, mas a tragédia já tinha se consumado e ninguém nunca se esqueceu do episódio.
Erratas à parte, sei que eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais e eles também erram. É claro que todo mundo tem o direito de cometer um vacilo, pois somos humanos e falíveis. Mas depois deste artigo, tenho a alma (e não a lama!) lavada.
E que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um só deslize no manejo da nossa “última flor do Lácio inculta e bela”. E viva Bilac!

Ivana Maria França de Negri é escritora
(Texto publicado na Gazeta de Piracicaba)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

INVEJA – É BOM, OU RUIM?



Plínio Montagner
        
A vida oferece maravilhosas ao homem. Acontece que uns desfrutam, outros não. O Sol não nasceu para todos. Para gozar do bom o homem precisa merecer. Aquele que vai à luta, prepara-se, estuda, trabalha, sua, administra decepções, terá créditos e condições de realizar suas ambições. Além de querer é preciso se qualificar para merecer.
A felicidade é possível ao pobre, ao rico, ao feio, ao bonito, ao jovem, ao velho, desde que os objetos dos desejos sejam colocados ao alcance da capacidade de cada um e, principalmente, lutar para conquistá-los, em vez de ficar esperando que alguém lute por ele.
Uma regra para o homem viver melhor, e em paz, é possuir apenas o que lhe é necessário. O homem prudente, moderado, não se inquieta porque o vizinho tem algo que ele não tem ou porque a casa dele é mais bonita.
A cobiça e a inveja doentia custam caro porque o conforto e o tempo são fatores relativos. Um castelo ou uma cabana também abrigam e protegem.
Dizem que tudo que o homem conquista sem necessidade só serve para esnobar e dar trabalho.
É claro que é bom viajar de primeira classe, ter bons planos de saúde, uma casa confortável, uma ilha, assistir a shows em qualquer lugar do planeta.  Porém existem bens mais relevantes do que posição social e riquezas. Dinheiro compra bens materiais, satisfaz prazeres, mas não compra riquezas que ninguém rouba: caráter, dignidade, bondade, conhecimento, educação e comportamento social.
O sábio não ostenta riquezas para ser feliz, nem sente invejas, porque sabe que o dinheiro e beleza não trazem felicidade.
E as invejas do dia a dia?
A inveja é um pecadinho à toa, uma alegria efêmera, mas pode fazer uma pessoa passar toda a vida insatisfeita.
Algumas invejazinhas são até necessárias porque predispõem as pessoas a evoluir.
Quem não deseja ter salários altos e empregos públicos com aposentadoria plena? Quem não tem inveja de quem come até se fartar, e não engorda nem fica doente? Quem não tem uma inveja de quem aprende cinco ou seis idiomas? É claro que invejamos os gênios da música e da poesia que compõem peças eternas sentados numa poltrona de avião ou na cadeira de um bar.
Sinto inveja, coisa boba de infância, de quem coleciona gibis antigos, dos anos 40 e 50. Eu tinha uns duzentos. Um dia minha mãe mandou uma empregada acender o forno à lenha para assar pão. Cadê meus gibis? Eram umas revistinhas velhas... 
Muitos pais ficam aborrecidos se um filho não entrar numa universidade pública mesmo fazendo cursinho, e o filho do amigo passa direto. A vida é assim. O destino é o que se herda. Nem todos aprenderão russo ou tocar piano.
No amor acontecem paradoxos inexplicáveis. Paradoxos não têm explicação. Mas como ficar indiferente se uma mulher maravilhosa, inteligente, de moral exemplar, escolher para marido um cara esquisito, não sabe fazer um prato, não lê nada, não faz nada, não estuda nem trabalha. Ela diria que o ama, e ponto.
Danuza Leão, escritora, revela num dos seus livros algumas diferenças entre ricos e pobres. Ela morria de inveja dos passageiros de primeira classe que saíam do avião e iam direto para o hotel sem passar pelos fiscais. E ela ficava de olho nas esteiras aguardando suas malas. Bagagem de celebridades e de quem é chique chega aos hotéis antes deles.
Moral da história:
Tolo e irresponsável é quem vive na ociosidade e faz da corrupção e do peculato um meio de vida. Ímprobo, infame e canalha é quem acha que o trabalho e a honestidade pertencem aos otários.
Desses tipos ninguém sente inveja. Salvo os que são da mesma laia.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Lançamento do livro de de Silvia Oliveira e Irineu Volpato

Uma legião de amigos prestigiou o lançamento de Humanity/Tessituras de Silvia Oliveira e Irineu Volpato num delicioso café literário intercalando declamação de poesias e cappuccinos. Uma tarde muito agradável  no Café Metrópolis

sábado, 24 de novembro de 2012

O que você está lendo?



Elias Salum é membro da Academia Piracicabana de Letras

Sou brasileiro, cristão e descendente do Oriente Médio, da cidade de Mãshta Síria – onde nasceram meus pais, região onde convivem grande parte de cristãos ortodoxos e mulçumanos. Tais fatos, entre outros, motivaram meu interesse em saber como se dava r se dá, hoje, a vida Muçulmana.
            Quis conhecer o convívio e a história desse povo, quando passei a ler a obra do autor Aly Mazahéri, intitulada “A VIDA COTIDIANA DOS MUÇULMANOS NA IDADE MÉDIA” (Século X e XIII), com 351 páginas.
            A obra se destina a dar ao leitor uma imagem tão fiel quanto possível, da vida cotidiana dos muçulmanos da Idade Média.
            Descreve-se, minuciosamente, de uma forma positiva os fatos e atos quotidianos dos muçulmanos desta época: sua maneira de se alimentar, de vestir, trabalhar, orar, de se distrair, de celebrar festas religiosas e folclóricas ou marcar grandes acontecimentos da vida.
            A religião ocupava um l ugar importante na vida dos muçulmanos e preenchia grande parte do dia. Celebravam na Mesquita 5 ofícios diários: o 1º. Antes do nascer do sol; o 2º. Entre meio-dia e as 2 horas; o 3º. ao fim da tarde, no momento em que o sol declinava; o 4º. Depois do por do sol e o 5º. à noite, após a ceia.
            A essas horas, o Muesin chama os fiéis à oração do alto do minarete (a palavra minarete significa o farol).
            O ano compõe-se de 12 luminações, e na 9ª. começa o Ramadan (mês do jejum).
            O califa ou sultão marcava em que jejum deveria começar, mas os crentes preferiam ver com os próprios olhos o crescente da lua, antes do começar a jejuar.
            A obra destaca que esse ritual muito religioso consistia em não comer, nem beber, nem tomar banho desde o nascer do sol até a noite, quando se comia se faziam reuniões e se passeava nas ruas iluminadas. Durava, assim, todo mês até o primeiro dia da décima luminação.
            Em Damasco (Síria) e arredores havia, igualmente, um grande número de lugares santos, onde se conserva, num mausoléu, a cabeça de Yahja, João Batista, onde eu, Elias Salum e família, visitamos em 1990 e 1998.
            Damasco sempre pretendeu ter mais riquezas do que qualquer outra cidade. A propósito, há uma cidade síria em que ainda se fala o aramaico, língua utilizada por Jesus.
            O pedido de casamento, o noivado e a cerimônia nupcial processavam-se de maneira diferente consoante as religiões.
            Na leitura do referido livro, observei que algumas pessoas fazem, por sua vez, uma ideia errada dos Haréns – a palavra Harém significa literalmente Santuário ou lugar escondido. Servia para designar parte da casa habitada pela família, isto é, pelas mulheres e pelas crianças, rigorosamente fechadas aos homens estranhos, que podiam entrar no resto da morada.
            Eis alguns pontos da referida obra que fala sobre a vida dos muçulmanos da Idade Média.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

QUINZE ANOS



                Sonia Amaral

Anos se passaram
Deixou a boneca e a bicicleta
Hoje é balada, computador.
Aproveite a adolescência
Curta-a dia a dia
Não queira ser adulta antes do tempo
Adulto seremos por toda a vida.
Deixe a música te embalar
Torça pelo seu time sem discutir
Ame os animais e as pessoas
Observe as flores e toda natureza
Você é e será sempre
A nossa menina, que desabrochou,
Trazendo ao mundo
Alegria e felicidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Convite - Lançamento de livro Bilíngue

Irineu Volpato e Silvia Oliveira
(foto Ivana Negri)

Neste sábado, 24 de novembro, a partir das 15h, no Metrópolis Café Piracicaba - R. Alferes José Caetano, 1048 - Centro, será lançado o livro de poemas bilíngue, Humanity/Tessituras, de Sílvia Oliveira, autora em inglês e Irineu Volpato, parelhado em língua nacional

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PRIMAVERA


Esther Vacchi Passos

Estação que encanta nossos olhos 
pela beleza das flores, o canto dos pássaros
 e onde tudo se renova.
O jacarandá mimoso e perfumado com flores em tom azulado, 
a sibipiruna com centenas de cachos dourados.
Brancas são as flores da acerola 
trazendo frutos vermelhos e saborosos.
O flamboyant também está alegrando o jardim 
com seu colorido rubi.
Na palmeira, orquídea lilás entrelaçada, 
onde um pequeno pássaro fez seu ninho.
Também podemos ouvir o canto do sabiá no alvorecer e ao entardecer.
E a cigarra vem com seu canto 
trazendo saudades de outras primaveras coloridas
 e das pessoas queridas que fizeram parte de nossas vidas 
nesta estação tão florida.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O que você está lendo?


Escritor Plinio Montagner


Estou lendo Faça como Warren Buffett (*), um guia bastante acessível e capaz de proporcionar aos leitores uma visão de como Warren Buffett administrou sua vida, pessoas, negócios e construiu seu império.
O tema de suas ideias se aproxima de uma analise filosófica dos processos de tomadas de decisões, estratégias, fórmulas administrativas e princípios de gestão que o conduziram ao posto de segundo homem mais rico de nossa época e de o maior investidor do mundo.
Entre as muitas lições de administração está foco de Warren Buffett na paixão humana, assim consagrada: contatar pessoas que amam o que fazem; evitar fazer críticas que provocam ressentimentos; vender barato e dizer a verdade.
Uma máxima curiosa:
“Uma boa ideia pode complicar sua vida muito mais do que uma má ideia”.
W.B.

(*) Faça como Waren Buffett, Mary Buffett & David Clark.
     Texto Editores Ltda (2009).



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aparecer offline : Um desafio contemporâneo



 Thiago da Cunha Martins Casarim 
(aluno do 2º Ano EM – Colégio Dom Bosco  Assunção – Aulas de Redação da Profª Christina A. Negro Silva)

Crescente se faz a importância da conexão virtual entre as pessoas nos dias atuais. Não fazer parte das redes sociais equivale a ser um excluído da sociedade. Isto provavelmente é o bastante para declarar o acesso à rede um direito essencial ao ser humano, certo? Errado. No contexto dos países desenvolvidos/em desenvolvimento, talvez. E quanto aos locais onde não se tem nem a garantia de provisões para o amanhã? Ondas de sinal de internet certamente não preenchem estômagos...
Comunicar-se é algo essencial ao ser humano, afinal, “O homem é naturalmente um ser social”. Quanto mais a integração aumenta, menos se fazem presentes as barreiras entre os saudosos. No entanto, estar conectado ao PC pode desconectar o indivíduo da vida real, cuja relação com as pessoas se deteriora aos poucos, e sua vida torna-se movida à base do que está em foco no Facebook ou no Twitter...
Com toda esta dependência da rede, é preciso tomar cuidado com o quanto se revela sobre si mesmo ou algum conhecido online. Afinal, uma simples senha não nos protege de hackers profissionais. Além disto, a internet é uma mídia permanente. Uma simples publicação mal formulada e...zas, está comprometida por completo a reputação de alguém.
Felizmente, para toda ação há uma reação, portanto ao mesmo tempo em que as massas adentram à internet, surge um novo tipo de polícia virtual, responsável por rastrear e punir os infratores de termos de uso dos websites, principalmente pela transgressão de privacidade cometida por estes.
Ocasionalmente, ocorrem casos semelhantes com famosos, tais como Scarlett Johansson, Miley Cyrus, Carolina Dieckman... Suas reputações ficam marcadas negativamente por muito tempo, prejudicando tanto suas carreiras como vida pessoal. A estas situações foram dadas soluções rápidas, tendo os responsáveis sido rastreados e indiciados por seus crimes virtuais. No entanto, é bem provável que com pessoas menos importantes, a circunstância não se desenrole com tal eficiência...
Por conseguinte, é necessário à “geração Facebook” discernimento, para decifrar o limite entre o publicável e o secreto, de modo a não se repetirem casos como os que ocasionalmente circulam nos tabloides, cujas reputações ficam manchadas e prejudicam suas vidas profissionais e pessoais, devido a este lamentável episódio. Por isto, é passível concluir ser ótimo estar conectado aos amigos sempre que possível; prático, inclusive. Contudo, aí entra o dito discernimento; é preciso ter equilíbrio entre as vidas virtual e real de cada indivíduo, para o mesmo não sofrer com exclusão ou superexposição social. Se a vida offline for levada mais em conta, certamente a integração social será mais profunda, incidentes arruinadores-de-reputação serão evitados, sendo, desta forma, a vida melhor aproveitada. Basta uma atitude: equilíbrio.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cale a boca já morreu


É curioso notar como o advento da mídia online reacendeu na classe política, como um todo, o desejo de censura. A liberdade de expressão e a pulverização maciça e imediata da opinião e dos fatos – seja por parte do cidadão comum, seja por parte da imprensa especializada – expuseram os políticos a uma vitrine perigosamente demolidora. No plano internacional, a velocidade da informação no meio virtual e sua abrangência quase universal também trouxeram à tona muito da sujeira acumulada debaixo do tapete dos grandes escalões do poder político de variados países. Força nunca antes vista, postagens online conseguiram unir pessoas em torno de ideias de justiça capazes de derrubar sangrentas ditaduras em territórios dantes nunca violados – e colocaram em alerta os poderosos que, em torres de marfim, viram-se ameaçados por movimentos populares inesperados e até mesmo fatais.
O que teria sido, por exemplo, da primavera árabe se não fosse o poder avassalador da rede mundial de computadores? Quanto da sórdida política internacional só foi revelada ao mundo porque alguém teve a coragem de criar um site chamado WikiLeaks? Como não considerar a importância da mídia online e das redes sociais na difusão de casos de corrupção em nosso país, como o tão propalado “mensalão”? Por outro lado, é notável observar também como ganharam força as campanhas políticas e seus respectivos debates e desdobramentos veiculados via Twitter e Facebook (Barack Obama, seja dito, soube como poucos valer-se da internet para atingir o coração de seus eleitores, especialmente em sua primeira campanha). Incontrolável, a informação cibernética prima por preservar – até certo ponto indevidamente – a pessoa por trás da mensagem, dando-lhe a segurança necessária para expressar-se sem medo de perseguições e revides – tão comuns de serem sofridos por quem veicula suas ideias em suportes impressos. Perigo declarado na mente de covardes e boçais, por outro lado é a internet uma arma letal contra os ditames da opressão e da omissão da sociedade em relação ao que acontece à sua volta.
Não à toa, políticos do mundo todo – incluindo aí os de nosso país, é claro – estudam maneiras de controlar e cercear aquilo que se despeja diariamente de conteúdo na web. Ao tentarem censurar o material produzido por amadores ou profissionais, os governos querem voltar a se preservarem dos inúmeros arranhões que a vida pública de cada um deles pode sofrer na rede mundial. Nesse sentido, vale dizer que até mesmo em nossa cidade – tupiniquim em suas relações e formas políticas – muitos vêm procurando na lei (que obviamente não dá conta de legislar sobre boa parte do que se mostra online) um respaldo que permita inibir ou mesmo coibir o povo e a imprensa de expressarem o seu desejo e inconformismo na grande rede (e também em jornais impressos, diga-se de passagem). Afinal, movimentos como o “Reaja-Piracicaba,” por exemplo, ao ganharem força na internet, colocam sob suspeita a aura dourada da política piracicabana. E, por conta disso, surgem agora ameaças da abertura de processo judiciais contra os “revoltosos.”
Espaço aberto a todo tipo de mensagem e crítica – seja a fundamentada em fatos concretos ou a absolutamente pautada em ofensas e mentiras – é fato que o mundo da web e de suas redes sociais nem sempre caminha pela trilha da verdade e da justiça. Por isso mesmo, crimes cibernéticos envolvendo – sobre tudo – sexo, calúnias, injúrias e difamações devem ser punidos com rigor da lei comum. É evidente. Mas censurar a livre expressão  de quem quer que seja (em especial no tocante a questões e opiniões políticas) é uma ação tenebrosa que lembra os cruéis anos de chumbo da ditadura. E a História está aí para, ao nos mostrar o passado, nos auxiliar a projetar nosso futuro, basta olhar para ela e estudá-la mais atentamente. Pois, quando puxamos pela memória e descortinamos a esteira dos tempos cinzentos da opressão militar (no Brasil, na Argentina, no Chile e por aí afora), relembramos também o fechamento de inúmeros jornais e a perseguição e morte de tantos jornalistas e repórteres. Infelizmente, é imperativo que se diga – e as ditaduras mostraram isso – que o combate à imprensa não é novidade – nem exclusividade de nosso país.
Pelo viés da memória, no entanto, sempre é muito reconfortante lembrar que o “cala boca” da ditadura há muito já morreu. Ditadura nunca mais! Por isso, se os políticos do mundo todo se sentem ameaçados pela rede mundial de computadores, que façam também uso dela para expressarem seu ponto-de-vista e defenderem democraticamente suas opiniões e ações (sites como o Diário deixam permanentemente aberto um espaço para a manifestação de seus leitores. Quem não concordar com algo do que aqui se diz, pode e deve responder aqui mesmo no site, logo ao final dos textos!). Mesmo porque, quem age na verdade e com justiça não tem o que temer. Mas parece que muitos (especialmente em nosso mundo latino-americano) ainda não querem aceitar isso.

LENDO DRUMMOND



Lídia Sendin

Uma pedra no caminho, todos têm.
Mas só ele falou dela e tão bem!
De ausência e de falta,
Escreveu algumas linhas,
Sem falar, mas em voz alta,
Pôs na pauta essa dor que é bem comum.

O poeta me intriga quando fala da partida
Do amor de qualquer um,
Que saudade vira amiga
E a ausência dá guarida...

Eu pergunto à minha musa:
A ausência não tem fim?
E saudade não se esconde?
Fico ainda mais confusa,
Pois Drummond é quem responde:
Sua ausência?  “ninguém a rouba de mim.”

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O PODER DO ELEITOR



Cecília Franco Mendes
(Aluna do 2º ano EM do Colégio Salesiano Dom Bosco –Assunção – aulas de redação da profª Christina A. Negro Silva)

            Diversos filósofos na história da humanidade criaram teorias a respeito do Estado e de como e por quem ele deve ser dirigido. Hobbes cria o Estado Moderno, Montesquieu a divisão dos três poderes e a ideia de uma sociedade democrática, por fim Platão com a teoria de que apenas os mais preparados deveriam assumir o poder e renunciar a todos os seus interesses para isso. Nesses casos, a figura do povo é irrelevante, pois ele é considerado inferior e incapaz. O direito do voto foi garantido a toda população recentemente, como reflexo de várias lutas e conquistas e agora é a nossa decisão que tem o poder de fazer mudanças. Mas será esse poder verdadeiro?
            Segundo os direitos do cidadão sim, esse poder é legítimo e está plenamente em nossas mãos. A questão principal é que muitas vezes não temos consciência dessa responsabilidade, pensamos individualmente lavando as mãos de quaisquer consequências. E assim somos controlados por uma ideologia vazia que manipula essa liberdade de escolha, nos faz acomodados e influenciáveis, controlando aos poucos nossa vida.
            As informações necessárias para escolhermos de maneira responsável os candidatos estão acessíveis à maioria, para que possamos eleger alguém que realmente nos represente, coloque os interesses do povo antes dos próprios, alguém de bom caráter, que não usará seu cargo e seu poder contra nós, como diz Raquel de Queiroz, em crônica veiculada em “ O Cruzeiro” em 1947, “ votar representa o ato de fazer governo” ( ideias bem atuais, embora a frase tenha mais de sessenta anos ! )
            É  preciso, pois,  lutar contra a massificação das grandes redes para cumprir o papel de cidadão e eleitor, exigindo e fiscalizando para termos uma política cada vez mais justa e igualitária. Acabadas as eleições em todo o país, resta-nos aguardar para ver , na prática , o poder do povo em funcionamento “fazendo o governo” que escolheu.

sábado, 10 de novembro de 2012

O que você está lendo?



Escritor e advogado Milton Martins

Estou lendo “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda, edição da Companhia das Letras de 2004, com 220 páginas (a 1ª edição é de 1936).
Trata-se de uma obra que exige concentração mais apurada na leitura de tal modo que se obtenha o preciso sentido dos conceitos emitidos pelo autor. Creio mesmo que terei que fazer uma segunda leitura do livro – que ainda estou lendo -, como preciso fazer de “Os Sertões” de Euclides – compromisso que estou em débito.
A referência às raízes do Brasil, significa que o autor voltou aos tempos da colonização portuguesa e bom que se diga que não é ele crítico na medida em que afirma que não é (sempre) possível subestimar a “grandeza dos esforços” de Portugal na exploração das novas terras, embora não nega que tudo se fez “com desleixo e certo abandono”.
No livro ainda se descobre que nas terras paulistas a língua falada era, predominantemente, a indígena segundo, entre outras fontes citadas pelo autor, as observações do padre Antonio Vieira: “É certo que as famílias dos portugueses e índios de São Paulo, estão tão ligadas hoje umas às outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que as ditas famílias se fala é a dos índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender à escola.”
Há um sentido crítico à “cordialidade” que sempre prevaleceu por aqui e até hoje visitantes de outros países ressaltam essa característica brasileira que nem sempre seria saudável naquilo que se chamam relações impessoais, isto é, a do Estado político. A observação é minha trazendo esse aspecto para o presente: o denominado mensalão não tem algo da permanência do “estado cordial”?
Bem, paro por aqui. Há mais a ler, entender e desvendar na obra. Por isso me obrigo, lida da primeira vez, daqui a um tempo relê-la.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Prêmio Buriti - Américo Brasiliense SP - Primeiro lugar



Lidia Sendin

A escritora e poetisa Lidia Sendin obteve o primeiro lugar no  Terceiro Concurso Literário Nacional Prêmio Buriti – Américo Brasiliense/SP
Organizadora: Rita Bernardete Sampaio Velosa

Do outro lado do espelho.
Lídia Sendin
A vida, como fumaça,
Escorre por entre os dedos,
Subindo pro céu escapa
Causando arrepio e medo.

Ontem havia flores,
Hoje a grama desbota,
Ficam mais fracos os odores
Até o olhar nos sabota.

Mas, do que é bom não se esquece,
E a cada dia se aprende,
Que enquanto o sol desvanece
Na terra mil luzes se acendem.

E a cada noite vivida
Entre os sonhos do desejo,
Passo um dia de fingida
Na busca de amar o que vejo.

Não olhar é o meu conselho,
Nem tudo que vejo encanta,
Pois do outro lado do espelho
Há uma velha que me espanta.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

FADAS




Olivaldo Junior

Mais uma noite de sábado, como tantas outras, sempre só, e nasce o esboço de uma análise de Fadas, composição de Luiz Melodia, lançada em 1978.

Se houver interesse de sua parte, dê uma lida no que escrevi. O texto não é curto, mas sempre se pode apreender (ou não) qualquer coisa para si mesmo.

Gosto muito de analisar, de pensar em como as letras e os poemas foram feitos. Decerto, será sempre a visão de um estrangeiro sobre o país alheio. Amém.

 Olivaldo Júnior

Esboço de uma análise de Fadas, composição de Luiz Melodia

            Fadas, composição de Luiz Melodia, foi lançada no terceiro disco do cantor e compositor carioca, o álbum Mico de Circo, lançado em 1978.
            Luiz Melodia tem tido uma carreira de sucesso, colaborando, desde 1973, com a criação de clássicos para a MPB, dentre eles, Pérola Negra, Juventude Transviada e (por que não?) Fadas, que, inclusive, foi gravada por Elza Soares, brasileira eleita cantora do milênio pela Rede BBC de Londres, em 2000.
            A primeira versão da música (diferentemente da segunda, que ficou mais conhecida) é do já citado Mico de Circo, e tem um andamento bem mais lento do que a gravação do disco Acústico ao Vivo, de 1999.
            Bem, comecemos a ler nas entrelinhas da composição Fadas o que ela nos diz, ou o que suponho que ela nos diz. Vamos lá.

Fadas

O nome Fadas evoca os símbolos de divindades femininas do reino dos elementais, ou seja, espíritos da natureza, guardiões dos quatro elementos, água, fogo, terra e ar. Na canção de Luiz Melodia, a acepção desse termo pode, em vez de simplesmente fadas, sugerir mulheres, como símbolos do feminino e da arte.

Devo de ir, fadas

Logo ao primeiro verso, o eu-lírico da letra, quase inquestionavelmente masculino, despede-se, dizendo às fadas, interlocutoras desse eu-lírico, que ele “deve de ir”, ou seja, ele parte, vai-se embora, porque seria um “dever” que se lhe impõe agir assim. Tal forma de pensar é própria do artista, que se despede, mesmo que simbolicamente, da família (substantivo feminino), a fim de seguir carreira.

Inseto voa em cego sem direção

Ao partir, ainda que em “missão”, cumprindo um dever, o eu-lírico se põe na condição de inseto, pois “voa em cego sem direção”, tal e qual aquele “bichinho” que, ao ver a luz, é seduzido por ela e, indo de encontro àquela “maravilha”, acaba morto pelo próprio desejo de iluminação. Na letra de Melodia, isso fica bem evidente, mas, ao contrário do que acontece com tais insetos cotidianos, o inseto descrito por Melodia não fica cego ao se chocar com as luzes (ou fadas), mas ao ser afastado desses sóis. É preciso que se tome a palavra inseto como artista, que nada mais é que um polinizador.

Eu bem te vi, nada
Ou fada borboleta, ou fada canção

“Eu bem te vi, nada”. Tal verso é ambíguo. Pode-se entendê-lo como uma explicação a uma pergunta anteriormente feita e não mencionada, mas, sim, subentendida, pela qual o eu-lírico afirma que não viu bem vista a luz das fadas, ou, então, que não é bem-te-vi coisa nenhuma, que é mesmo, como o verso seguinte apregoa: “ou fada borboleta, ou fada canção”, tendo o seu ser mesclado ao das interlocutoras, fadas.

As ilusões fartas
A fada com varinha virei condão

A segunda estrofe começa com uma espécie de desabafo, em que Melodia, ou o eu-lírico dele, declara que, devido às “ilusões fartas”, virou, ele, eu-lírico, não fada, mas condão, palavra que significa dom, virtude, ou poder (sobrenatural). De certa forma, por ter adquirido também poder, o eu-lírico, volto a dizer, se confunde com as interlocutoras, fadas, de qualquer jeito.

Rabo de pipa, olho de vidro
Pra suportar uma costela de Adão

Os dois versos que completam a segunda estrofe, tão irônicos quanto toda a letra, fazem alusão a dois itens que visam suprir a falta de algo a fim de que esse algo possa seguir em frente. “Rabo de pipa” sugere a imagem da rabiola, que busca, numa pipa, dar melhor estabilidade a esse objeto, durante o voo. “Olho de vidro”, por sua vez, evoca a ideia de “camuflagem” de um defeito, de algo que se perdeu – no caso, os olhos, a fim de que não se deixe causar estranhamento a quem pudesse ver a cavidade ocular sem o devido globo –, transmitindo, pela complementação do verso seguinte, “Pra suportar uma costela de Adão”, que é preciso algo mais para se suportar a presença “ditatorial”, imarcescível, eterna, do feminino (“uma costela de Adão”, referência bíblica ao livro da Gênese) na vida dele.

Um toque de sonhar sozinho
Te leva a qualquer direção

Retomando a figura implícita do inseto, o refrão anuncia que “um toque de sonhar sozinho”, nos “leva a qualquer direção”, corroborando à sensação de prisão e liberdade, presente em todas as divagações do eu-lírico. Vem-me à cabeça a imagem do Flautista de Hamelin, que seduziu os ratos em direção à música (luz), afogando-os no Rio Weser, da mesma forma que as fadas (luzes) afogam os insetos (artistas) que se envolvem com seu brilho, com seu franco poder de encadeamento. A alusão à personagem do conto dos Irmãos Grimm é reforçada pela primeira palavra do seguinte verso: “flauta”.

De flauta, remo ou moinho
De passo a passo passo...

            O penúltimo verso trabalha com três figuras: “flauta” (encantamento), “remo” (trabalho) e moinho (dificuldade, cuja imagem remete à clássica O mundo é um moinho, do mangueirense Cartola). Ou seja: de qualquer modo, o eu-lírico atinge a meta, que é a meta comum a todos nós: passar por essa vida, esse misto de encantamento, trabalho e dificuldade que nos aninha e nos expulsa a todo instante do colo, do “quentinho” das horas, especialmente as vividas ao lado de quem se ama (ou, por isso mesmo, se repele).
            A canção como um todo pode ser vista como metalinguística, pois a imagem das fadas simboliza o encanto que o elemento artístico proporciona a quem se rende (se move) em direção ao brilho, quase sempre mortal, da (im)possível imortalidade.
            O aspecto harmônico das gravações, tanto a de 1978 quanto a de 1999, por seu dedilhado inicial característico, faz com que se imagine o “voo em cego e sem direção”, mencionado na letra pelo eu-lírico de Melodia, complementando a imagem de seres alados (musas e artistas), que se buscam, mas se quedam quando juntos. A levada do arranjo de 1978 é mais jocosa, brincalhona, que a de 1999, sendo a segunda bem mais ágil e notadamente enfática nos riffs, reforçando a sonoridade simulando “voo”.
Não se pode esquecer, embora a conotação não me pareça propriamente essa, do período em que fora composta essa música. A repressão, em 1978, ainda que em plenos rumores de anistia, ou seja, de abertura política, era evidente no Brasil. A música fala sobre partida. Seria uma canção do exílio “tardiamente” registrada pelo artista? 
Enfim, fazia um tempo que queria escrever algo sobre essa música. Tomara que o que escrevi o tenha feito pensar um pouco e dialogar com as preposições que exponho agora frente aos olhos e julgamento de quem possa se interessar por esse esboço de análise de Fadas, composição de Luiz Melodia, que julgo importante e tão bela.

Referências

Luiz Melodia – Site Oficial. Disponível em: http://www.luizmelodia.com.br/

Biografia de Luiz Melodia. Site Som13. Disponível em: http://som13.com.br/#/luiz-melodia/biografia

Biografia de Elza Soares. Site Cliquemusic. Disponível em: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/elza-soares

Etimologia da palavra Fada. Wikipédia. Disponível em:

Etimologia da palavra Condão. Dicionário Priberam de Língua Portuguesa.

O Flautista de Hamelin. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Flautista_de_Hamelin

FADAS




Olivaldo Junior

Mais uma noite de sábado, como tantas outras, sempre só, e nasce o esboço de uma análise de Fadas, composição de Luiz Melodia, lançada em 1978.

Se houver interesse de sua parte, dê uma lida no que escrevi. O texto não é curto, mas sempre se pode apreender (ou não) qualquer coisa para si mesmo.

Gosto muito de analisar, de pensar em como as letras e os poemas foram feitos. Decerto, será sempre a visão de um estrangeiro sobre o país alheio. Amém.

 Olivaldo Júnior

Esboço de uma análise de Fadas, composição de Luiz Melodia

            Fadas, composição de Luiz Melodia, foi lançada no terceiro disco do cantor e compositor carioca, o álbum Mico de Circo, lançado em 1978.
            Luiz Melodia tem tido uma carreira de sucesso, colaborando, desde 1973, com a criação de clássicos para a MPB, dentre eles, Pérola Negra, Juventude Transviada e (por que não?) Fadas, que, inclusive, foi gravada por Elza Soares, brasileira eleita cantora do milênio pela Rede BBC de Londres, em 2000.
            A primeira versão da música (diferentemente da segunda, que ficou mais conhecida) é do já citado Mico de Circo, e tem um andamento bem mais lento do que a gravação do disco Acústico ao Vivo, de 1999.
            Bem, comecemos a ler nas entrelinhas da composição Fadas o que ela nos diz, ou o que suponho que ela nos diz. Vamos lá.

Fadas

O nome Fadas evoca os símbolos de divindades femininas do reino dos elementais, ou seja, espíritos da natureza, guardiões dos quatro elementos, água, fogo, terra e ar. Na canção de Luiz Melodia, a acepção desse termo pode, em vez de simplesmente fadas, sugerir mulheres, como símbolos do feminino e da arte.

Devo de ir, fadas

Logo ao primeiro verso, o eu-lírico da letra, quase inquestionavelmente masculino, despede-se, dizendo às fadas, interlocutoras desse eu-lírico, que ele “deve de ir”, ou seja, ele parte, vai-se embora, porque seria um “dever” que se lhe impõe agir assim. Tal forma de pensar é própria do artista, que se despede, mesmo que simbolicamente, da família (substantivo feminino), a fim de seguir carreira.

Inseto voa em cego sem direção

Ao partir, ainda que em “missão”, cumprindo um dever, o eu-lírico se põe na condição de inseto, pois “voa em cego sem direção”, tal e qual aquele “bichinho” que, ao ver a luz, é seduzido por ela e, indo de encontro àquela “maravilha”, acaba morto pelo próprio desejo de iluminação. Na letra de Melodia, isso fica bem evidente, mas, ao contrário do que acontece com tais insetos cotidianos, o inseto descrito por Melodia não fica cego ao se chocar com as luzes (ou fadas), mas ao ser afastado desses sóis. É preciso que se tome a palavra inseto como artista, que nada mais é que um polinizador.

Eu bem te vi, nada
Ou fada borboleta, ou fada canção

“Eu bem te vi, nada”. Tal verso é ambíguo. Pode-se entendê-lo como uma explicação a uma pergunta anteriormente feita e não mencionada, mas, sim, subentendida, pela qual o eu-lírico afirma que não viu bem vista a luz das fadas, ou, então, que não é bem-te-vi coisa nenhuma, que é mesmo, como o verso seguinte apregoa: “ou fada borboleta, ou fada canção”, tendo o seu ser mesclado ao das interlocutoras, fadas.

As ilusões fartas
A fada com varinha virei condão

A segunda estrofe começa com uma espécie de desabafo, em que Melodia, ou o eu-lírico dele, declara que, devido às “ilusões fartas”, virou, ele, eu-lírico, não fada, mas condão, palavra que significa dom, virtude, ou poder (sobrenatural). De certa forma, por ter adquirido também poder, o eu-lírico, volto a dizer, se confunde com as interlocutoras, fadas, de qualquer jeito.

Rabo de pipa, olho de vidro
Pra suportar uma costela de Adão

Os dois versos que completam a segunda estrofe, tão irônicos quanto toda a letra, fazem alusão a dois itens que visam suprir a falta de algo a fim de que esse algo possa seguir em frente. “Rabo de pipa” sugere a imagem da rabiola, que busca, numa pipa, dar melhor estabilidade a esse objeto, durante o voo. “Olho de vidro”, por sua vez, evoca a ideia de “camuflagem” de um defeito, de algo que se perdeu – no caso, os olhos, a fim de que não se deixe causar estranhamento a quem pudesse ver a cavidade ocular sem o devido globo –, transmitindo, pela complementação do verso seguinte, “Pra suportar uma costela de Adão”, que é preciso algo mais para se suportar a presença “ditatorial”, imarcescível, eterna, do feminino (“uma costela de Adão”, referência bíblica ao livro da Gênese) na vida dele.

Um toque de sonhar sozinho
Te leva a qualquer direção

Retomando a figura implícita do inseto, o refrão anuncia que “um toque de sonhar sozinho”, nos “leva a qualquer direção”, corroborando à sensação de prisão e liberdade, presente em todas as divagações do eu-lírico. Vem-me à cabeça a imagem do Flautista de Hamelin, que seduziu os ratos em direção à música (luz), afogando-os no Rio Weser, da mesma forma que as fadas (luzes) afogam os insetos (artistas) que se envolvem com seu brilho, com seu franco poder de encadeamento. A alusão à personagem do conto dos Irmãos Grimm é reforçada pela primeira palavra do seguinte verso: “flauta”.

De flauta, remo ou moinho
De passo a passo passo...

            O penúltimo verso trabalha com três figuras: “flauta” (encantamento), “remo” (trabalho) e moinho (dificuldade, cuja imagem remete à clássica O mundo é um moinho, do mangueirense Cartola). Ou seja: de qualquer modo, o eu-lírico atinge a meta, que é a meta comum a todos nós: passar por essa vida, esse misto de encantamento, trabalho e dificuldade que nos aninha e nos expulsa a todo instante do colo, do “quentinho” das horas, especialmente as vividas ao lado de quem se ama (ou, por isso mesmo, se repele).
            A canção como um todo pode ser vista como metalinguística, pois a imagem das fadas simboliza o encanto que o elemento artístico proporciona a quem se rende (se move) em direção ao brilho, quase sempre mortal, da (im)possível imortalidade.
            O aspecto harmônico das gravações, tanto a de 1978 quanto a de 1999, por seu dedilhado inicial característico, faz com que se imagine o “voo em cego e sem direção”, mencionado na letra pelo eu-lírico de Melodia, complementando a imagem de seres alados (musas e artistas), que se buscam, mas se quedam quando juntos. A levada do arranjo de 1978 é mais jocosa, brincalhona, que a de 1999, sendo a segunda bem mais ágil e notadamente enfática nos riffs, reforçando a sonoridade simulando “voo”.
Não se pode esquecer, embora a conotação não me pareça propriamente essa, do período em que fora composta essa música. A repressão, em 1978, ainda que em plenos rumores de anistia, ou seja, de abertura política, era evidente no Brasil. A música fala sobre partida. Seria uma canção do exílio “tardiamente” registrada pelo artista? 
Enfim, fazia um tempo que queria escrever algo sobre essa música. Tomara que o que escrevi o tenha feito pensar um pouco e dialogar com as preposições que exponho agora frente aos olhos e julgamento de quem possa se interessar por esse esboço de análise de Fadas, composição de Luiz Melodia, que julgo importante e tão bela.

Referências

Luiz Melodia – Site Oficial. Disponível em: http://www.luizmelodia.com.br/

Biografia de Luiz Melodia. Site Som13. Disponível em: http://som13.com.br/#/luiz-melodia/biografia

Biografia de Elza Soares. Site Cliquemusic. Disponível em: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/ver/elza-soares

Etimologia da palavra Fada. Wikipédia. Disponível em:

Etimologia da palavra Condão. Dicionário Priberam de Língua Portuguesa.

O Flautista de Hamelin. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Flautista_de_Hamelin