As reuniões do Grupo Oficina Literária de Piracicaba são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês, na Biblioteca Municipal das 19h30 às 21h30

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Piracicaba em Traços e Cores - IPPLAP

Departamento de Patrimônio Histórico - Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba

Se uma imagem vale mais que mil palavras, transformada em arte fica muito mais eloquente. Piracicaba é conhecida e reconhecida por suas paisagens culturais, principalmente aquela paisagem ao redor do Rio Piracicaba, retratada desde o século XIX por muitos artistas. Piracicaba em Traços e Cores procura recordar cenas, paisagens e lugares da cidade na forma de arte. Com vários traços e muitas nuances de cores, vamos conhecer e reconhecer Piracicaba, que já foi cantada em verso e prosa. O Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba – Ipplap lança amanhã, 28, às 19h30, no Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, o livro “Piracicaba em traços e cores” editado pela autarquia. Na oportunidade também será aberta a exposição de ilustrações de Andrei Bressan e Renata Andia Amalfi.
Antonieta Mendes, diretora do Museu Prudente de Moraes com as escritoras Ivana Negri e Carmen Pilotto que prestigiaram o lançamento do livro "PIRACICABA EM TRAÇOS E CORES"( ilustrado pelos artistas Andrei Bressan, Renata Amalfi e Salvatore Aiala) representando a Academia Piracicabana de Letras e os grupos Literários GOLP e CLIP.
O livro é um projeto do IPPLAP e será distribuídos às escolas, instituições e bibliotecas

Componentes da mesa apresentando o livro, Marcelo Cachioni, do Departamento de Patrimônio Histórico, To Mendes, diretora do Museu e a artista Renata Andia Amalfi.

O livro, que teve coordenação editorial do Departamento de Patrimônio Histórico - DPH do Ipplap,  foi  pensado para transformar em arte algumas imagens emblemáticas da cidade, incluindo aí lugares e prédios, muitos deles que já desapareceram da paisagem, mas que estão presentes na memória de muitas pessoas, como o Hotel Central, o Teatro Santo Estevão ou mesmo o rio Piracicaba.   “A ideia foi transformar estas imagens, que já são comuns e reconhecidas, em arte”, explica Rafael Ciriaco de Camargo, Diretor-Presidente do Ipplap. “Tivemos a intenção, para quem conheceu, de trazer uma nova memória destes lugares e, em outros casos, recuperar uma memória da cidade, da paisagem cultural de Piracicaba, principalmente para as pessoas que não conheceram estes cenários como eles eram”, complementa Marcelo Cachioni, diretor do DPH.
Para elaborar o livro, houve uma seleção de série de fotos de lugares e prédios expressivos da cidade, que foram repassados aos artistas, que utilizaram técnicas variadas (água forte, aguada de nanquim, lápis, óleo sobre tela e ilustrações digitais) para produzir as ilustrações com base em fotos antigas da cidade de várias épocas. Também são utilizadas imagens de postais colorizados. Além das ilustrações, há um texto explicativo sobre estes lugares e também frases que foram ditas e publicadas em diversas épocas e que contam alguma história sobre os prédios e os lugares.
O livro será encaminhado, após o lançamento, para escolas e colégios da cidade e, segundo Cachioni, poderá ser utilizado como livro didático. “Pretendemos que ele ensine sobre estes locais para as crianças.”
A exposição, que também será aberta amanhã, é composta pelos 26 quadros que foram desenvolvidos para o livro. Ela ficará montada até dia 30 de setembro, das 9h às 17h.
O evento de lançamento do livro e abertura da exposição é aberto ao público. O Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes está localizado na Rua Santo Antônio, 641.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Premiação do 2o Concurso de Microcontos de Piracicaba

O coordenador do Salão de Humor de Piracicaba em 2012 Edson Rontani Jr entrega o troféu para a primeira colocada, Clarice Villac, de Campinas

O troféu destinado aos três primeiros colocados
Lucila Silvestre diretora de eventos culturais da Biblioteca, Edson Rontani Jr e Carmen Pilotto, revisora da antologia dos cem melhores microcontos
Clarice Villac , primeira colocada, e Ivana Negri, uma das juradas do concurso
Carmen Pilotto, Ivana Negri, Clarice Villac, Carla Ceres (jurada), Josiane de Sousa (jurada) e William Hussar (jurado)
Hermes Petrini  que se apresentou no evento

Escritoras Aracy Duarte Ferrari, Raquel Delvaje e Carmen Pilotto
Lucila entrega o troféu ao terceiro colocado, Rui Trancoso de Abreu, da cidade de Limeira
Cassio e Ivana Negri
Rui Trancoso de Abreu e esposa
Presença internacional dos jurados do Salão de Humor Vladimir Kavanevsk e esposa ( Ucrânia), Marilena Nardi ( Itália) e Marlene Pohle (Argentina) 
Carmen Pilotto, Aracy Duarte Ferrari, Lidia Sendin, Ivana Negri, Clarice Villac, Carla Ceres, Josiane de Sousa e William Hussar
Hermes Petrini e Edson Rontani
Boa música abrilhantando o evento
Clarice entre sua mãe e Lucila

domingo, 26 de agosto de 2012

INCRÍVEL AVENTURA



Lídia Sendin

Brancas figuras, seres superiores
Rondam a sala, agora silenciosa,
Vagando soltos pelos corredores,
Cheios de risos e mãos atenciosas.

Ele, valente e dito provedor,
Parece frágil e cheio de emoção,
Pelo seu corpo passa algum tremor,
Como à procura de mais atenção.

Levanta, senta, como a vida é dura!
Já não contém tamanha ansiedade.
Na face rola a lágrima insegura,
De medo, amor ou de felicidade?

Sempre lhe dizem que homem não chora.
Mas no seu peito há como um nó de embrulho
Que desenrola um pouco a cada hora
Faltando espaço para ter orgulho.

A vida é sempre cheia de artimanhas,
Estar perdido numa simples sala...
Com essa dor que lhe fere as entranhas...
A um só tempo ela machuca e embala.

A dupla porta abre e num segundo
Toda a ansiosa aflição se esvai.
Agora ele tem nas mãos o mundo
E a incrível aventura de ser Pai!

sábado, 25 de agosto de 2012

Que livro você está lendo?



Escritora e poetisa Marisa Filleti Bueloni

Na verdade, estou relendo o "Diário" da Irmã Faustina Kowalska, já canonizada pelo papa João Paulo II. ("Diário" - A Misericórdia Divina na minha alma - Irma Maria Faustina Kowalska- 473 pgs).
Trata-se de um diário belíssimo, que a santa polonesa escreveu para divulgar a mensagem da Divina Misericórdia.
Irmã Faustina é conhecida no mundo inteiro como "a apóstola da Misericórdia de Deus" e é considerada uma integrante do grupo dos grandes místicos da Igreja.
Desde muito cedo, sentiu o chamado à vocação. Mas bateu em muitas portas de conventos até ser recebida, no dia 1º de agosto de 1925, na Congragação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia.
Nascida Helena, na Congregação recebeu o nome de Irmã Maria Faustina.
A vida de santa Faustina está muito bem detalhada neste belíssimo "Diário". Nosso Senhor concedeu muitas graças a ela, como o dom da contemplação, o profundo conhecimento do mistério da Misericórdia de Deus, as visões, as aspirações, os estigmas escondidos, o dom da profecia, de discernimento e o dom só raramente concedido dos esponsais místicos. É conhecida como a "secretária da Divina Misericórdia".
Numa das páginas de seu "Diário", escreveu irmã Faustina:"Nem graças, nem aparições, nem êxtases, ou qualquer outro dom que lhe seja concedido torna a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus. (...) A minha santidade e perfeição consistem na união estreita da minha vontade com a vontade de Deus" (D. 1107).
Faustina escreveu um diário de grande inspiração para a fé cristã, valioso também para todos os que desejam conhecer o que o Céu concede a uma alma. "A paciência,a oração, o silêncio - eis o que fortalece a minha alma" - escreveu ela. E ainda: "Se existe na terra uma alma verdadeiramene feliz, é apenas a alma verdadeiramente humilde".
Irmã Faustina faleceu em fama de santidade em 5 de outubro de 1938, aos 33 anos de idade e 13 de profissão religiosa.
A festa da Divina Misericórdia é celebrada no primeiro domingo depois de Páscoa, com o sentido teológico de mostrar a estreita união que existe entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus.
O "Diário" da irmã Faustina Kowalska é um belo clássico da literatura católica, editado pela Congragação dos Padres Marianos. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Convite para o evento na Biblioteca que premiará os autores dos 3 melhores Microcontos de Humor


A premiação do 2o Concurso de Microcontos de Humor acontece neste sábado, às16h, na Biblioteca Municipal de Piracicaba.
Será distribuída aos presentes a antologia com os cem melhores microcontos .
O evento será abrilhantado por Hermes Petrini.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

HERANÇA-Miniconto



Tarsila de Carvalho Fonseca

Minha avó passou todas as suas manhãs na cozinha de uma fazenda. Minha mãe viveu
todas as suas tardes dentro de uma fábrica. Eu respiro todas as minhas noites a fumaça de uma boate num palco verde. O cenário muda, mas a solidão de ser mulher é nossa maior herança.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

VIVER



Sylvio Arzolla

É sentir pulsar o coração no peito
É recordar um passado
É trabalhar um pensamento
É algo sublime e agradável
É recordar fatos e emoções
É trazer consigo o bem estar do espírito
É saber sorrir nas dificuldades
É sofrer, tropeçar pelo caminho sempre com esperança
É ver o amanhã resplandecer
É estar em paz com Deus
É ajudar o próximo carente e sem futuro
É olhar o irmão como a si próprio
É estender a mão sempre que possível
É ver a vida com naturalidade
É estar presente em corpo e espírito
É tratar o semelhante com amor
É ver a vida no seu variado matiz
É aquele sopro maravilhoso e divino do Criador
É uma dádiva de Deus.

sábado, 18 de agosto de 2012

Que livro você está lendo?


 Escritora e poetisa Eunice Zen Verdi
O FUTURO DA HUMANIDADE
 Autor: Augusto Cury
Editora Sextante - 251 páginas;

Conta a trajetória de Marco Polo, um jovem calouro de medicina, de espírito livre e corajoso como o do navegador veneziano do século XIII, cujo nome serviu de inspiração e lhe foi dado por seu pai. 
Marco Polo, como calouro de medicina, deu os primeiros sinais de incorformismo e indignação, ao se recusar a tocar nos cadáveres na aula de anatomia.
Contraria as regras do médico chefe do Departamento de Anatomia, professor e Dr. George, quando interrompe a aula para saber a identidade dos cadáveres ali expostos para serem dissecados.
Percorre as praças à procura dos mendigos que ali viviam, em busca das informações tão necessárias para sua carreira - a psiquiatria.
Um deles, o Falcão, torna-se seu amigo e recupera a alegria de viver através dessa amizade com o jovem e sonhador Marco Polo.
Falcão estimula o jovem calouro a tentar uma nova abordagem sobre a medicina psiquiátrica.
Uma intrigante história, cujo tema apaixonante leva o leitor a questionar os valores, conceitos e a humanização da medicina.
Leia e viaje com Marco Polo!


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O JARDIM



Olivaldo Júnior

            Era um homem cujos olhos tinham ficado sem outros para contemplá-lo. O preço de ser homem é ter que existir, de um jeito ou de outro. O mundo não se acaba, mas a gente sim. Sim, o homem tinha um jardim. O jardim que ele havia cuidado por muitos anos, onde estavam muitas flores, ou o que tinha restado delas. Elas, as flores, podem ser matéria ou mesmo etéreas, não importa: flores são símbolos do que já floriu.
            As flores daquele homem sabiam bem de onde haviam nascido. Nascer é mais que ser dado à luz, ou a cruz, de cada dia. Nascer é crescer depois de cada corte. Sorte das flores, tadinhas, que nunca sabem quando lhes vão cortar os ramos, caules, nada que lhes seja ornamental. Pensando bem, também não sei quando é que me vão cortar os ramos, caules, tudo que seja essencial. As flores do jardim do jovem homem nasceram de todas as doçuras e favores que ele teve. Havia uma flor para cada pessoa que tivera.
            Havia uma flor para a mãe, outra para o pai e uma para o irmão do triste homem. A mãe e o pai, o cravo e a rosa, brigaram e, por fim, se separaram. O irmão, a flor do irmão fugira em pétalas para outro inóspito canteiro. As flores dos parentes, mais ausentes, murchando foram a cada estranho vento que as condenavam ao cimento. O vento, o mesmo de sempre, arruinava as flores de cada amigo daquele canto, canteiro exangue de esperanças, frio de alegrias, tão sem vida em meio aos versos que o jovem homem arranjava. Versos são gotículas de tempo que se vertem sobre as páginas, virtuais ou virtuosas, de quem serve. Assim, as flores que tanto amava foram morrendo. Havia uma flor para o amigo músico, para o amigo máximo, para o amigo médio, para o amigo mínimo, para o amigo módico. Cada uma, pouco a pouco, foi perdendo as cores, ficando cinza, virando pó. A posse do jardim foi perdendo propriedade. O homem foi ficando ainda mais triste do que já era. Estava longe a primavera. O jardim morreria só.
            A sobra dos dias já não mais alimentava o que restava no jardim. O homem ficava mudo, não mudava nem as coisas do seu quarto de lugar. Não tinha mais ninguém para ligar. O lugar da alma é onde as flores são mais vivas. O vidro da vida estava espesso demais. O jardim estava frágil. As flores viravam torres, vasos solitários.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CARTA DE AMOR



Elda Nympha Cobra Silveira
Querido Armando.

Se você me escrevesse, pelo menos uma vez, para saber se eu tenho algum significado em sua vida, eu compreenderia. Espero o carteiro todos os dias na porta da casa onde estou hospedada. Fico observando o jardim cheio de flores e uma trepadeira azul salpicada de branco, que serpenteia pelas paredes de pedra, em direção a janela do meu quarto fazendo a saudade apertar. Nos meus pensamentos, nas minhas fantasias, imagino que você enfrentaria tudo e a todos e ardendo de paixão por mim, seria essa trepadeira se esgueirando furtivamente até a minha janela na ânsia de me tomar em seus braços. Na minha saudade, fico imaginando como seria estar junto de você, ouvindo suas juras de amor e usufruindo dos seus carinhos.
Detenho meu olhar nas flores do jardim e o amor-perfeito se destaca dentre todas. Será que o amor perfeito é aquele que dá sem receber nada em troca? Será amor perfeito, amar em vão, sem reciprocidade entre nós? Será perfeito esse amor, eu sempre enviar uma carta e nunca receber uma resposta sua? 
Já que é assim, deixe que eu pare de sofrer e coloque um basta nesse círculo vicioso que tanto me atormenta, deixe que eu tente esquecê-lo, deixe que essa carta seja a última que você receberá! Sei que não posso protelar por mais tempo essa ansiedade, pois sei que depende de mim encarar a realidade e não trocá-la por uma fantasia. Sei que tenho potencial e qualidades para despertar o amor de alguém que me mereça e me valorize.
Seja feliz, porque eu farei todo o possível para encontrar a minha felicidade!
Obrigada.
Rebecca
Assim, fechou a carta e foi esperar o carteiro, que após alguns minutos, abriu o portãozinho e adentrou o jardim, atravessando o caminho gramado e sobreposto de lajotas, para depositar nas mãos dela uma carta, onde Rebecca, ansiosa, vê que o nome do remetente é Armando...
... e a derradeira carta, a carta de ruptura, que Rebecca escrevera com o coração machucado, jaz numa gaveta escura! 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cai Pira


Rodrigo Marques de Menezes

Caipira é mais um jeito de ser
Que de incerto, soa
É rio de uma voz que, num concerto, cora
É peixe que, fora d’agua, entoa
É cheiro de mato e de lagoa
É suor que, do sol, destoa
É lua que, de cachaça, posa
É cachoeira que, sobe desce aproa
É luz que, ao contrário, ecoa
É chão que, de tão pássaro, voa

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

VISÃO DO POETA



Eunice Zem Verdi

O poeta tem nos olhos,
Uma lente especial,
Através da qual vê, tudo com encantamento!
O pôr-do-sol lhe traz... a Inspiração!
O céu, a lua, as estrelas...
O romantismo!
O mar e seus mistérios,
Suas ondas,... a fascinação!

O poeta tem o dom,
De amenizar as palavras,
Para torná-las leves.
Sonoramente harmoniosas!
Palavras que dançam,
Numa cadência musical...
Assim, o sonho do poeta
É alcançar a emoção,
Construindo uma ponte...
Que liga um coração...
A outro coração!

Por falar em poesia,
O que seria, viver sem ela?
A poesia é como bálsamo,
Derramado no papel,
Dando cadência e musicalidade,
Na pureza da emoção,
Na sutileza da expressão!

Os poetas são seres alados,
Que vivem encantados,
A voar rumo ao sagrado,
Em plena comunhão,
Com o real e o imaginário,
Numa linha que comunga,
O céu e a terra!
Numa eterna vibração!

domingo, 12 de agosto de 2012

Que livro você está lendo?



Escritor Camilo Irineu Quartarollo
 “EU, EDUCADORA”
O livro de Leda Coletti traz a trajetória de alguém que se propôs a ensinar com elegância de alma e determinação.  O título diz muito. Nos capítulos que se desenvolvem nesta obra, que margeia a vida da autora, veem-se detalhes históricos e a visão de quem vai fazendo-se no caminho da educação, do ensino, da consciência cidadã.
Em Leda percebe-se modéstia, mas não falsa, é dinâmica, aplicada. Em algumas palavras objetiva seus pensamentos e passa a frente. O pensar em Leda não paralisa, como a filósofos ou discursistas da educação ou ocupantes de meros cargos.
Leio com gosto e observo na fl.105 descrever “...Sinto-me funcionária, executora de quase todos os serviços: burocráticos, sociais, pedagógicos e até de limpeza do prédio...” e “há momentos em que o desânimo aparece e em então lastimo tanto minha escolha profissional. Já passei muitas agruras, humilhações, morando em quartos sem as mínimas condições de conforto, onde, em dias de chuva, vento entrava pelos vidros da janela, longe, centenas de quilômetros dos meus familiares. Em troca , o que recebo?”
A escritora vai colocando em capítulos sua trajetória e a ideia que se faz de um educador ou de um professor, e vemos a nobre e difícil arte de transmitir, mais que conhecimentos, valores, como é o caso de Leda. Uma educadora consciente.
Destaco neste gancho de rápida e singela resenha, de que como Leda e outros professores, não se dá a eles a devida importância e de que hoje a formação ganha interesse devido à evolução tecnológica e globalização, mas é relegada à visão bancária e mercantilista do saber pelos governantes, do saber, não da consciência de valores, inclusive da ética. Indico esta leitura da obra desta autora piracicabana e engajada na educação e literatura de nossa cidade e região. Eu, educadora!

sábado, 11 de agosto de 2012

Educativa nas Letras - Entrevista

O Programa Educativa nas Letras, comandado por Lucila Calheiros Silvestre, Alexandre Bragion e Josiane Maria de Souza, entrevistou Ivana Negri, que foi jurada no 2o Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba. O programa foi ao ar na manhã de sábado e será reapresentado  no domingo à noite.
Também foram comentados outros projetos como o livro infantil em braille, que está sendo finalizado,  e a Medalha de Mérito Cultural.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sobre amizades sinceras, valores raros nos dias de hoje...

Carmen e Sandra
Carmen e Ivana



Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto

O vento do mês de agosto
Leva as folhas pelo chão
Só não toca no teu rosto
Que está no meu coração
Cecília Meirelles

Vivo repetindo em alto em bom som que não gosto do mês de agosto. Isso porque não aprecio vento e dias esfumaçados que me deixam um pouco confusa. Coisas da idade que já vão sinalizando algumas manias psicodepressivas. Mas não posso negar que o mês de agosto tem um lado muito importante em minha vida, trata-se do mês de nascimento de duas grandes amigas de meu coração: Ivana e  Sandra.
Uma delas, do dia 6, me acompanha na vida profissional há diversos anos. De embates diários, nossos olhares cúmplices sempre acolhem uma a outra com o conselho: - Dias melhores virão... E seguimos entre vitórias e fracassos que fortalecem dia a dia nossa integridade e determinação profissional.  De espírito sempre alegre, me alerta sobre minhas pequenas manias para que não se transformem em grandes neuroses. Ela é toda emoção, transparente,  ao mesmo tempo que explode em lágrimas acolhe com um afago aquecendo o coração alheio. Quando minha amiga tira férias parece que o local de trabalho fica empoeirado, sem o brilho de sua vivacidade e companheirismo.
Outra, do dia 8, me acompanha na vida literária também há diversos anos. Companheira de projetos criativos, persiste na intenção de deixar um mundo melhor e mais humanizado. Quando desanimo, em virtude dos percalços da vaidade humana, ela me levanta e estimula minha autoestima. E sonhamos projetos em prosa e verso que tirem a secura da rotina e transformem nossa vida em algo mais espiritualizado. Ela é toda emoção também, mas de forma contida, observa o mundo e seu olhar de reprovação se transforma em palavras fortes que tentam alertar o próximo da necessidade da mudança.
Não entendo de horóscopo, mas minhas duas amigas têm muitos traços em comum: valorizam suas famílias ao extremo, carinhosas e companheiras com seus maridos, trabalham muito, determinadas e batalhadoras, defendem seus ideais até a morte. São excelentes donas de casa e possuem uma habilidade manual que eu morro de inveja (confessei!). Acima de tudo as duas tem algo muito raro nos dias de hoje: caráter inquestionável. A qualidade inerente de quem nasce nesses dias citados é a transparência de coração.
Realmente não posso mais falar mal do mês de agosto, porque ele me deixa o ano inteiro suprida de carinho e atenção  pela existências de duas almas especiais que iluminam meu caminho.
Se o vento tenta me derrubar elas me escoram com seus braços de irmãs que a vida biológica me negou. Obrigada meu Deus! Sou mesmo uma pessoa muito privilegiada.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

LENDA URBANA



Lídia Sendin

Nos bons tempos de outrora, nas tardes tépidas e tranquilas, quando nossas avós colocavam suas cadeiras nas calçadas e ficavam jogando conversa fora enquanto olhavam as crianças brincarem na sossegada rua do bairro, o assunto predileto sempre rondava o inusitado e o impossível.

Parecia que a todos agradava supervalorizar boatos que jamais eram provados e nunca se tornavam fatos. O certo é que essas rodas vespertinas foram responsáveis por muitas lendas urbanas que ora compõem o imaginário popular.

Hoje, não temos mais esses encontros, cada um zela por sua privacidade e sossego, porém não ficamos menos boateiros que nossas avós. Se não temos rodinhas na calçada, temos a internet, que é responsável por muitas lendas urbanas que vão ganhando adeptos, adendos e nuances diferentes a cada e-mail repassado. E dos benefícios da água oxigenada aos perigos do uso do cartão de crédito em postos de gasolina, tudo se multiplica aos milhares e ganha facilmente do prosaico boca a boca de outrora.

Do inofensivo “quem conta um conto aumenta um ponto”, que virava folclore e era usado para ameaçar crianças desobedientes, ganhamos hoje, junto com as lendas que entopem nossos e-mails, a real possibilidade de um perigoso vírus virtual.

domingo, 5 de agosto de 2012

Que livro você está lendo?


Escritora Maria de Fátima Rodrigues

Livro: “O Efeito SOMBRA” Autores americanos: Deep Chopra, Debbie Ford e Meriane Williamson - Editora: Texto Editores Ltda
Este livro, escrito por três dos maiores guias espirituais da atualidade, em cujas obras abordam um tema em comum: a sombra que existe em cada um de nós, a qual Carl Jung chamava de sparring, “parceira de treino de box”, pois em nossa dualidade ela representa a oponente que expõe nossas falhas, no entanto aguça nossas habilidades. É a nossa treinadora, o guia que nos apóia no descobrimento de nossa verdade interior.
Dizem que a sombra não é um inimigo e nem um problema a ser vencido, mas um campo fértil a ser cultivado...
Os autores “esculpem” a sombra, cada qual à sua maneira e peculiar às suas profissões e experiências de vida, mas chegando a um consenso inteligente, é claro, e ao mesmo tempo fácil de compreender como conviver com ela. Não tentarmos ignorá-la. Conduzem-nos e nos ensinam que a dualidade é inerente à nossa personalidade, somos bons e maus, e nunca conseguiremos ser apenas bons ou apenas maus, jamais.
Se não conseguirmos enxergar nossa sombra, temos que procurá-la, pois se esconde nos becos de nossas ilusões.
Ter um lado sombrio não é possuir uma falha, mas ser completo! Estamos todos vivendo com destroços de idéias fracassadas que um dia pareceram soluções perfeitas. Sob a névoa da ilusão, não vemos nossos piores impulsos autodestrutivos. Eles são irresistíveis, até divertidos...
A consciência Superior se apresenta como resposta a inúmeros movimentos espirituais, e é a resposta, única e duradoura, ao lado sombrio da natureza humana. Mas, não é a resposta que nos falta – é a sua aplicação!
O primeiro passo para derrotar a sombra é abandonar todas as expectativas de derrotá-la. A ilusão na qual recaímos é pensar que a vida nos força a escolher entre o bem e o mal. Na realidade há um terceiro caminho: Ser Pleno. Da perspectiva da plenitude, podemos equilibrar a escuridão e a luz sem se nos tornarmos escravos de nenhuma delas!
Não sejamos leais à dualidade, paremos de rotular, culpar e julgar. Deveríamos abrir mão de fantasias de querer mostrar “ao mundo” que nós estamos certos e os outros errados. A plenitude não será real até que os conflitos ocultos de nossa vida sem resolvidos.
Minha opinião: Ainda estou na metade das 250 páginas desta interessante leitura e fascinante tema, e por enquanto, o que mais me chamou a atenção, foi justamente essa terceira opção...
Então, continuarei minha leitura e avidamente tentar aprender “passo a passo” como atingir essa plenitude. Não para derrotar minha sombra, mas saber identificá-la quando for necessário fazer escolhas, e assim deixar de cometer os mesmos erros, por ela direcionados... 

sábado, 4 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O BRILHO E OS SONS DA ORQUESTRA DE METAIS LYRA TATUÍ



Maria Cecilia Graner Fessel

Com o título de BRAVO BRASIL, a Orquestra de Metais Lyra Tatuí,  sob o comando do maestro e também trompista Adalto Soares, nos ofereceu um espetáculo emocionante no decorrer do III Festival Internacional de Música Erudita de Piracicaba.
No Teatro Municipal Dr.Losso Netto, às escuras e totalmente tomado por uma platéia que misturava pessoas de todas as idades , autoridades e conhecedores da música erudita, jovens de calça jeans e senhoras engalanadas, um som vibrante e metálico se fez ouvir às nossas costas. Eram os acordes iniciais do tema “Assim Falou Zarathustra”,poema sinfônico de Richard Strauss, usado como majestoso fundo musical no filme “2001-Uma odisséia no espaço.”
Quando todas as cabeças se viraram na direção daquele som arrepiante, depararam primeiro com os brilhos dourados dos instrumentos, para só depois percebera fila ininterrupta de músicos, tocando seus trompetes, trompas, baixotubas, bombardino,enquanto desciam lentamente pelos corredores do teatro, em direção ao palco, onde já os esperavam os instrumentos de percussão.
O que se seguiu é quase indescritível. Porque os componentes da orquestra não só tocavam, mas faziam evoluções no palco, deslocando-se em fileiras, em duplas, em trios,cruzando-se  harmoniosamente, ajoelhando-se e até dançando, sem nunca perder o ritmo nem errar uma nota das melodias escolhidas a dedo! Grupos entravam e saíam de cena,em coreografias elaboradas, ora destacando um instrumento, ora outro, ora exibindo o virtuosismo dos componentes mais velhos, ora mostrando o potencial artístico e a seriedade dos componentes mais jovens, alguns quase crianças ainda!
As composições selecionadas para exibir todas essas qualidades não podiam ser melhores.
Ouvimos acordes empolgantes do Hino Nacional Brasileiro, uma delicadíssima interpretação do Choro Brasileirinho nos xilofones,  envolvemo-nos na alegria ingênua do “Passo do Elefantinho”, nos emocionamos com trechos musicais  de Cartola, de composições norteamericanas, vimos/ouvimos maravilhosas demonstrações com os sons dos pandeiros, tambores, tarolas, numa sequência ininterrupta por mais de uma hora.
Foi também uma descoberta ouvi-los produzir música como nossos ancestrais indígenas, usando como instrumentos grandes e pequenas conchas de moluscos, com seus sons cavos que ecoavam no teatro, reportando aos mistérios de nossas florestas. Parabéns aos organizadores desse festival tão eclético por nos oferecerem mais essa apresentação musical, rica, irrepreensível, de alta qualidade , e genuinamente brasileira!
                                                         

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Homenagem ao aniversário de Piracicaba dos poetas e escritores


(foto de Daniel Damasceno)


O RIO
Ludovico da Silva

Absorto e parecendo sonhar, me chamou a atenção uma voz macia e doce que me despertou para a realidade à minha volta.
Estava sozinho naquele abandonado espaço vazio e onde meus olhos alcançassem nada me detinha, como na alegre paisagem que ficou, mas vislumbrava uma profunda e infinita tristeza.
Seria um fantasma a provocar um sentimento no fundo de minha alma?
Vi fios grossos e escuros escorrendo pelos vãos das pedras, exalando odor que manchava os ares. Observei as margens e o leito mutilados.
Custou-me acreditar. Mas esse não é o rio do meu passado.


(foto Ivana Negri)

UM MOMENTO HISTÓRICO
Lino Vitti (Príncipe dos Poetas de Piracicaba)

Pára. Contempla o salto. Oh! Que deslumbramento!
Final feliz de um sonho, aliado a uma esperança.
Findava a viagem, sim. Que histórico momento!
Capitão Povoador! Piracicaba, criança!

Seu olhar percorreu as colinas. O vento
Sussurrou-lhe : “é aqui, Sem mais tardança,
Funda  nova cidade;  olha o céu que portento!
Olha o salto, olha tudo, que abastança!...”

Histórico momento. A Noiva da Colina,
Foi ao salto buscar seu véu tão lindo,
Beijou o Capitão como feliz menina.

Cresceu... Meus parabéns. Teu povo vai seguindo
Tudo quanto de bom Deus lhe destina...
Ela faz anos hoje,  e , certo, está sorrindo...
(foto de Bruno Constantino Leonardi)

LIRACICABA
Silvia de Oliveira

De repente
um orgulho danado
de ser de Pira
de ser caipira!

Em direção ao rio
todo olhar se fia-
pura mescla
de peixe-espuma
e porto-poesia

Quando longe
a saudade pia...
há o som da viola,
do vento na plantação...

Em teu peito, minha terra,
povoa dor e alegria,
avanço e retrocesso,
desde sempre és a lira.

Orgulho danado
de ser tua filha!
( http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=556257)

TIMIDA CAPELA DE MONTE ALEGRE
Marilda de Luccas Sampronha
                                 
Tímida, tu moras bem no alto,
onde ainda não chegou o asfalto,
porta e janelas pequenas, um projeto divinal.
És tu uma capela perfeita, não conheço outra igual.

Cá embaixo, o jardim tristonho,
parece acordar de um sonho,
não há casais, crianças, nem velhinhos conversando...
Uns bancos descorados, um lago e flores secando!

Duas estátuas de bronze, simbolizavam o poder!
Para onde as levaram, não se sabe...
Restaram lugares vazios, onde só a saudade cabe,
pobre jardim sem vida, por que vieste  a morrer?

Sob o céu límpido e sereno,
tu, capelinha fechada, pareces estar preocupada.
O sino está esquecido, o coral emudecido, já não há ninguém a rezar,
os bancos estão vazios, nem há velas em seu altar.

Vem capelinha querida, desce e vem até mim!
Empresta as asas dos anjos, vem pousar no jardim.
Faremos uma caminhada, uma pequena procissão...
Atrás de nós, virá o jardim deixando marcas de saudade pelo chão....

1767
Esio Antonio Pezzato

O cocar na cabeça e nas mãos rija lança,
E um Paiaguá caminha esta tão fértil Terra.
O Salto regurgita em hinos de esperança,
No mato uma araponga estridulante berra.

Quebra-se a calmaria e tem final a dança.
Desconhecido olhar frente à paisagem erra.
Um destemido passo a mata adentro avança,
A tribo toda se une e arma-se para a guerra.

Sobre a calma do Rio as pirogas audazes
Chegam rapidamente à barranca portuária
Conduzindo em seu bojo homens fortes, capazes.

- "À margem, à direita!" A voz é poderosa.
E com forte comando e paixão visionária,
Neste chão planta os pés o Povoador Barbosa!
(foto Ivana Negri)

RIO DE PIRACICABA
Esther Vacchi Passos

Eu quero
Nosso rio mais limpo
Sem cheiro de poluição
Aves em pedras sem limbo
Chegando a ser atração

Eu quero
Na piracema ver os peixes
Saltar em água límpida
E as borboletas multicores
Em volta de flores lindas

Eu quero
Carícias de sua brisa
Envolvendo-me em frescor
O véu branco da noiva deslizando
Unindo-se nas águas sem odor

Eu quero
Junto ao rio céu azulado
Sem poluição de queimada
Deixando o poeta inspirado
Fazendo versos para a sua amada.
(foto Ivana Negri)

PIRADO POR PIRA
Julio César S. Rosa

Sempre pirado por Piracicaba
Aqui moro, aqui sempre vivi
Sou muito apaixonado por ti
Enamoro porque te adoro
Só aqui me acabo
(foto de Bruno Constantino Leonardi)
                       
CORDEL CAIPIRACICABANO
Lídia Sendin

Do nordeste é o arauto
Que canta qual um canário,
Mas no interior de São Paulo,
Onde o homem é agrário,
E o rio tem um belo salto,
Canta um trovador bem alto
Tendo um porto por cenário.

O bebê aqui usa “tarco”
Pro passeio na “carçada”
Se tiver buraco eu “sarto”
Que eu não quero “trupicada”.
No rio passeio de barco,
Se não posso ir eu “farto”,
Mas amo Piracicaba.

Nossa cana já floresce
Pelos campos de montão,
Mas se a queimada aborrece
Com fuligem pelo chão,
A gente dela se esquece
Porque a economia aquece
E dá emprego ao peão.

Ataviada com véu,
Da Colina ela é a nubente,
Chamando o povo fiel,
Em seu cantar inocente,
Pra colocar no papel,
Seja em trova ou em cordel,
De aniversário um presente.
(foto Ivana Negri)

RUA DO PORTO
Sonia Amaral

Com suas antigas moradias
A Rua do Porto
Vem mostrar o encanto
Que a todos irradia.

A bela chaminé
Da saudosa olaria
Traz muita lembrança
E também muita alegria.

Os modestos restaurantes
Fazem seus pratos com capricho
Acolhem o povo com amor
Demonstrando simpatia.
(foto de Bruno Constantino Leonardi)

TERRA DOCE
Clóvis Rolim da Silveira

Terra de Piracicaba
onde nada dá
só cana de açúcar 

Terra de Piracicaba
terra de algodão
algodão doce
terra de cultivar

Terra de Piracicaba
terra vermelha
do cobre do rio
de avermelhar

Terra doce
do açúcar cristal
das  sacarias
doce de amargar
(foto de Daniel Damasceno)

DESABAFO DE UMA CAIPIRA
Daniela Daragoni Alves

Carrego comigo o sotaque
Do lugar que nasci e me viu crescer
O mesmo sotaque das pessoas que mais admiro
Pessoas que me deram a vida e lições que jamais vou esquecer

Carrego comigo esse sotaque caipira
Marca de um povo simples e batalhador
Sotaque de um lugar que leva o mesmo nome de um rio
Que tem à sua margem a casa do povoador

Cidade  de gente humilde e feliz
de lugares inesquecíveis, como a Rua do Porto, o Engenho Central
Terra de uma tranquilidade ímpar
Que nunca vi igual

Carrego comigo esse sotaque que muitas vezes é confundido
Com falta de instrução e até de inteligência
Um caipira muitas vezes é julgado injustamente
Por pessoas que o consideram uma pessoa boba, fácil de enganar e cheia de inocência.

Carrego comigo esse sotaque simples
Fui muitas vezes motivo de piada
Por pessoas que se acham “inteligentes” o bastante para rir do meu povo
Mas que escolheram a minha linda cidade para construir suas casas

E se para ser respeitada por essas pessoas
Eu tiver que negar as minhas raízes e o lugar que me viu nascer,
Continuarei sendo o que sou, caipira de Piracicaba
Por toda a vida...até morrer!
(foto do Google)

ORAÇÃO A PIRACICABA
Hugo Pedro Carradore

Bendita, oh! Terra Minha, de filhos ilustres e tradições gloriosas,
Piracicaba, hino de amor, emoção e promessas ditosas...
Amo-te pelo esplendor de tua beleza,
pelo teu rio que serpenteia e cai em cachoeira de espuma branca,
onde o arco-íris nasce num véu de tanta pureza.
Amo-te pelo riso de tuas crianças, pelo encanto de tuas avenidas,
Pelas tuas paisagens e pelos teus amores.
Amo-te, pelas gotas de orvalho, lágrimas das noites piracicabanas,
Caídas nas pétalas das tuas flores.
Amo-te, pelo sangue de teus filhos derramado, mortos na luta de 32,
heróis venerados do berço pátrio.
Amo-te, quando levanto os olhos para o céu,
e vejo lá no alto do Bom Jesus, de braços abertos,
o Cristo  abençoando teus filhos que penetram o sagrado átrio.
Amo-te, pelo verde magnífico dos teus canaviais,
pela tua indústria, que é uma sinfonia de progresso.
Amo-te nos versos dos teus poetas
E na saudade de teu filho egresso.
Recebe, oh! Cidade terna, esta singela oração!
Mãe e noiva, que as palavras cheguem a ti, como a serenata de um violão,
nas madrugas brindadas pelo beijo das estrelas.
Noiva eterna namorada, pelo teu resplandecente véu,
Que eu expire em paz, sob o teu sagrado chão, tendo como mortalha o teu céu.
Amém.

(foto Ivana Negri)

ENCANTOS DA MINHA TERRA
Ivana Maria França de Negri

Piracicaba dos ipês róseos e amarelos
Da Esalq e do Engenho, tão belos
Das cascatas formosas
E das pamonhas famosas
Terra da boa gente
E da pinga ardente
Do engraçado linguajar caipira
Carinhosamente chamada de “Pira”!
(foto Ana Camilla)

O PIRACICABA DOS PAIAGUÁS
Francisco de Assis Ferraz de Mello

Quanto crime ante Deus, de pensar me comovo:
Agoniza este rio que alimentou meu povo.
Quem pode imaginá-lo, um dia, colossal,
Bufando na floresta de um sol tropical?

Quem pode imaginar que, um dia, em suas margens,
Dos mansos animais até as onças selvagens
Foram beber sua água, enquanto a passarada
Ensaiava uma orquestra ou partia em revoada?
No salto ele rolava altivo, encapelado, sobre o basalto negro, alteando um forte brado
Que acordava o sertão de séculos atrás.

Abaixo, no remanso ou, então, nas corredeiras,
Passavam as canoas em bandos, ligeiras,
Levando para a guerra os índios paiaguás.
(foto Ivana Negri)

PIRACICABA, O ESPÍRITO DO LUGAR
Carmen M.S.F. Pilotto

As águas recortam odores e paisagens
de uma cidade que incorporei em minha alma
no lusco-fusco da ponte pênsil
nas ribanceiras apinhadas de pescadores
na chaminé do Engenho que rasga a Urbanidade

Na pracinha os velhinhos com os carrinhos de passeio
transportam guris, empresários do futuro
e as pombas arrulham histórias das dinastias
entremeadas com o metalúrgico que ali caminha.

Mas é nos bares que a cidade se revela
nas caninhas sorvidas em meio às angústias
nos chopes compartilhados com amigos
nos petiscos que marcam sabores e veleidades.

Somos partículas do ambiente em que vivemos
força viva do planeta que coabitamos.
Nosso espírito está tatuado no espaço
virtualmente presente nos fluídos cósmicos.
( http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=556257)

RUA DO PORTO
Aracy Duarte Ferrari

Íntimo ardente
Noite enluarada
Avenidas luzentes
Árvores resplandecentes...

Os pássaros chilreando
Recompõem a melodia.
A prosa, a poesia
Atingem o seu clímax.

O rio circunda
A cidade e o coração.
As águas correm...
Rutilantes ao reflexo da lua.

Ondas abundantes
Observadores atentos
Inspirados na quietude
Reflexões distantes.

Uma estrela cadente
Risca, de repente
O firmamento
Para meu sobressalto.
(Ilustração Angelino Stella)

MINHA TERRA
Francisco de A. Ganeo de Mello (Buda)

Sou de Piracicaba
A “Atenas Paulista”!
Antes de prosseguir,
deixem-me explicar:
ter nascido em Piracicaba
me é  motivo de grande orgulho
e é por isso que coloquei
aquele ponto de exclamação...

Minha terra tem história
e seu folclore é muito rico.
Temos pintores famosos,
temos músicos e cientistas.
Temos praças bonitas,
Monumentos, casarões,
preciosas relíquias que contam
 um pouco do nosso passado.

Muita gente célebre
já passou por minha terra.
Tivemos um Thales de Andrade
um Miguel Dutra e um Mello Moraes...

Diz a lenda
que até um rio
já passou por minha terra!

(Minha terra teve um bosque
Onde cantou um sabiá!)...
(cheia do rio Piracicaba em 2011 foto Ivana Negri)

TROVAS À PIRACICABA
Leda Coletti

Lugar onde o peixe pára
deu nome à Piracicaba
terra de beleza rara
cuja fama nunca acaba.

Cana, salto, Agronomia,
orgulhos desse torrão,
riquezas em sintonia
pra oferecer ao povão.

Eterna noiva, seu véu
 tão branco, cheio de bruma,
esparrama-se no céu
e no rio cheio de espuma.

Esta cidade bendita
com pôr do sol na colina,
é pra nós sempre bonita
seu doce encanto fascina.

Suas colinas, canaviais,
tremulam verde-esperança,
sussurrando nos seus ais
votos de paz e bonança.
(foto Google)

A CATEDRAL DE PIRACICABA
Cássio Camilo Almeida de Negri

            Por muitos anos, suas torres reinaram imponentes na praça central da cidade.
            A simetria perfeita, encimada pelos pontiagudos telhados hexaedricos, com as cruzes nos píncaros, como a conectar a terra ao céu.
            O relógio magnífico que eu, desde criança, quando aprendi os algarismos romanos, nunca entendia o porque de seu “quatro” ser quatro traços ao invés do “IV” ensinado na escola.
            Hoje, coitada, foi esmagada por um “pisão” do prédio ao lado. Um edifício só de garagens.
            Piracicaba, quem deixou fazerem isso com você?