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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A REALIDADE DO NATAL




                                                                          Pedro Israel Novaes de Almeida

            Apesar das evidências, não convém vivenciar o Natal como uma fria e pérfida ambientação de consumo.
            Tampouco é agradável passar a festa sob a suspeita de estar sendo colonizado culturalmente, em país com esporádicas neves, nenhuma rena e raros trenós. Inútil lembrar que nossas manjedouras não servem como maternidades, e nossos reis não são magos.
            O Natal pode ser pretexto ou fato. Para alguns, é mais um feriado, com suas praias, churrascos, pescarias, viagens ou simplesmente o merecido ócio.
            Para outros, é data sagrada, comemoração do nascimento daquele cujos ensinamentos atravessaram séculos, e ainda inspiram solidariedade e virtudes. Retiros, convivências, solenidades religiosas e ritos regionais marcam a ocasião, país afora.
            No ambiente laboral, inimigos declarados viram amigos secretos, e a troca de presentes e elogios tenta minorar o stress de mais um ano. Até nas prisões o trato adquire ares de respeito humano.
            Crianças, que já no primeiro decênio percebem que o bom velhinho é invenção humana, ficam maravilhadas com os enfeites e ornatos que embelezam a cena, sob a expectativa inevitável dos presentes. O amanhecer as encontra pelas calçadas, paparicando novos brinquedos.
            Aqui, o toque cruel da ocasião, representado pelas crianças que vivenciam a intensa e massacrante ambientação de presentes e guloseimas, pouco assemelhados aos que de fato recebem e degustam. País afora, o Natal é pobre, e nem por isso menos mágico.
            O Natal, por tradição, reúne famílias, ao redor do avô ou avó sobrevivente. A ceia encontra adultos em diálogo, crianças brincando e adolescentes indo e vindo a outros ambientes, de amigos ou namorados.
            Aos poucos, os filhos formam famílias, gerando novos núcleos de convivência, e assim irmãos e primos partem para outras ceias, multiplicando a distância e aumentando a saudade de antigas comemorações.
            Cada um vivencia o Natal a seu modo, com tristeza ou alegria, manifesta ou recôndita, sob farta gastronomia ou mantendo rotinas alimentares. Não há, contudo, como evitar o surto de solidariedade que a todos atinge, de senhores a escravos.
            A tradição não foi criada pelo comércio, que simplesmente a aproveita como pretexto ao consumo. Papai Noel foi gerado em terras distantes, e distribui mais alegrias e esperanças que dissemina culturas.
            Dizem, maldosamente, que Papai Noel não existe. Se tal for verdade, é uma pena, pois deveria existir.

Um comentário:

Dirce Ramos de Lima disse...


Gostei muito dessa cronica:atual e sincera.
Em minha infancia,no Natal, não havia banquetes ou brinquedos mas iamos á missa da meia-noite e cantávamos "Noite Feliz".
Depois voltavamos para casa e iamos dormir sonhando com o menino Jesus.
Papai Noel era coisa de ricos e comer a gente agradecia por haver comida para todos, todos os dias...