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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

INVEJA – É BOM, OU RUIM?



Plínio Montagner
        
A vida oferece maravilhosas ao homem. Acontece que uns desfrutam, outros não. O Sol não nasceu para todos. Para gozar do bom o homem precisa merecer. Aquele que vai à luta, prepara-se, estuda, trabalha, sua, administra decepções, terá créditos e condições de realizar suas ambições. Além de querer é preciso se qualificar para merecer.
A felicidade é possível ao pobre, ao rico, ao feio, ao bonito, ao jovem, ao velho, desde que os objetos dos desejos sejam colocados ao alcance da capacidade de cada um e, principalmente, lutar para conquistá-los, em vez de ficar esperando que alguém lute por ele.
Uma regra para o homem viver melhor, e em paz, é possuir apenas o que lhe é necessário. O homem prudente, moderado, não se inquieta porque o vizinho tem algo que ele não tem ou porque a casa dele é mais bonita.
A cobiça e a inveja doentia custam caro porque o conforto e o tempo são fatores relativos. Um castelo ou uma cabana também abrigam e protegem.
Dizem que tudo que o homem conquista sem necessidade só serve para esnobar e dar trabalho.
É claro que é bom viajar de primeira classe, ter bons planos de saúde, uma casa confortável, uma ilha, assistir a shows em qualquer lugar do planeta.  Porém existem bens mais relevantes do que posição social e riquezas. Dinheiro compra bens materiais, satisfaz prazeres, mas não compra riquezas que ninguém rouba: caráter, dignidade, bondade, conhecimento, educação e comportamento social.
O sábio não ostenta riquezas para ser feliz, nem sente invejas, porque sabe que o dinheiro e beleza não trazem felicidade.
E as invejas do dia a dia?
A inveja é um pecadinho à toa, uma alegria efêmera, mas pode fazer uma pessoa passar toda a vida insatisfeita.
Algumas invejazinhas são até necessárias porque predispõem as pessoas a evoluir.
Quem não deseja ter salários altos e empregos públicos com aposentadoria plena? Quem não tem inveja de quem come até se fartar, e não engorda nem fica doente? Quem não tem uma inveja de quem aprende cinco ou seis idiomas? É claro que invejamos os gênios da música e da poesia que compõem peças eternas sentados numa poltrona de avião ou na cadeira de um bar.
Sinto inveja, coisa boba de infância, de quem coleciona gibis antigos, dos anos 40 e 50. Eu tinha uns duzentos. Um dia minha mãe mandou uma empregada acender o forno à lenha para assar pão. Cadê meus gibis? Eram umas revistinhas velhas... 
Muitos pais ficam aborrecidos se um filho não entrar numa universidade pública mesmo fazendo cursinho, e o filho do amigo passa direto. A vida é assim. O destino é o que se herda. Nem todos aprenderão russo ou tocar piano.
No amor acontecem paradoxos inexplicáveis. Paradoxos não têm explicação. Mas como ficar indiferente se uma mulher maravilhosa, inteligente, de moral exemplar, escolher para marido um cara esquisito, não sabe fazer um prato, não lê nada, não faz nada, não estuda nem trabalha. Ela diria que o ama, e ponto.
Danuza Leão, escritora, revela num dos seus livros algumas diferenças entre ricos e pobres. Ela morria de inveja dos passageiros de primeira classe que saíam do avião e iam direto para o hotel sem passar pelos fiscais. E ela ficava de olho nas esteiras aguardando suas malas. Bagagem de celebridades e de quem é chique chega aos hotéis antes deles.
Moral da história:
Tolo e irresponsável é quem vive na ociosidade e faz da corrupção e do peculato um meio de vida. Ímprobo, infame e canalha é quem acha que o trabalho e a honestidade pertencem aos otários.
Desses tipos ninguém sente inveja. Salvo os que são da mesma laia.


Um comentário:

Maria de Fátima Rodrigues disse...

Muito bom Plinio... é isso mesmoooo! Parabéns.
Um grande abraço.