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quarta-feira, 25 de julho de 2012

ESCREVER


                         

                                                                       Pedro Israel Novaes de Almeida

              Escrever é bem mais complicado e consequente que falar.
            Contratos e acordos, ultrapassada a tênue e incerta credibilidade da antiga  “palavra empenhada”, são escritos, com direito a testemunhas, garantias e registro. Há escritos de toda ordem, comerciais, literários, científicos, opinativos, poéticos, narradores, etc.
            Há arranjadores de textos, comuns nas redações de jornais e revistas, que partem de fragmentos de notícias e opiniões para a elaboração do texto final.  Tornam a informação mais completa e compacta.
            Há penas de aluguel, que geram textos sob encomenda de terceiros, interessados comercial, política ou pessoalmente nas repercuções das obras. Quando tais textos visam desmerecer pessoas ou demolir conceitos, os autores podem ser comparados a mercenários da escrita.
            Escrever pode significar meio de sobrevivência, forma de colaboração ou simplesmente deleite, quase necessidade pessoal. Cento e dez por cento dos textos publicados são oriundos de autores não remunerados, que escrevem por necessidade de foro íntimo, seja prazer ou compartilhamento de idéias.
            Escrever com regularidade retarda a ferrugem cerebral e fustiga a criatividade, obrigando ao raciocínio. O primeiro beneficiário da escrita é o próprio autor.
            A elaboração de textos segue o ritmo e o rumo das idéias, e não é raro alguém sentar-se ao teclado com ânimo de condenar algo e terminar por apoiá-lo. Existe entre nós o falso conceito de que o rebusque valoriza o texto. É fácil escrever difícil, e é difícil escrever com simplicidade e acerto.
            A escrita começa pela leitura, hoje pouco praticada. As frases escritas estão sendo substituídas por torpedos e as palavras transformadas em abreviações enigmáticas.
            A pirataria via internet dissemina livros e tratados, tornando milagrosa a sobrevivência de autores, hoje forçados à busca de patrocínios ou venda quase circense de palestras e participação em debates. A boa nova fica por conta da progressiva diminuição do preço do livro impresso.
            Autores de livros didáticos tornam-se cada vez mais raros, pela disseminação de apostilas, generalizadamente adotadas. A onda já ameaça o ensino superior.
            Apesar dos novos tempos, a escrita continua reunindo adeptos, atraindo leitores, incentivando debates e disseminando culturas. Em tempos de liberdade, escrever é documentar um momento da história, materializar opiniões, críticas e sensações.
            Não é verdade que, enquanto houver leitor, haverá alguém escrevendo. Findos os leitores, continua a escrita, até que alguém, no futuro, a descubra, no fundo solitário de uma gaveta qualquer.

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