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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sem você...

arquivo JP

Elda Nympha Cobra Silveira

O que podemos fazer quando uma verdadeira amiga parte desta vida? Infelizmente, é aceitar os desígnios de Deus.
Cruzamos juntas tantos países e no sossego de um quarto de hotel, após o cansaço de um dia intenso de turismo, trocávamos confidencias e lembrávamos como foi nossa vida com nossos maridos, para nós muito amados e outras conversas tão gostosas. Uma vez, fomos de helicóptero de Cuzco para Matchu-pitchu e depois, descansando refesteladas em nossas camas, quedamo-nos exaustas, mas felizes e como sempre fazíamos, trocamos confidências, e disse para ela coisas, que até hoje não me sinto à vontade para falar com outra pessoa. Mas os assuntos entre nós fluíam, porque tínhamos uma característica ímpar: sabíamos ouvir uma à outra sinceramente e nossas conversas jamais terminavam em recriminação. Simplesmente terminavam.
Antonietta com dois tes, como ela sempre afirmava, era uma mulher de muita cultura, mas sem nunca se tornar dona do assunto, comigo pelo menos, porque era uma pessoa muito simples, eu diria até modesta. Em nossas conversas, muitas vezes respondeu perguntas que eu lhe fazia com um magnânimo: “Eu não sei!” Ao contrario de certas pessoas, que são professorais, que têm o ego sempre à tona, para se destacarem com o pouco que sabem. Como sempre ouvi nas conversas de viagem e no trato social “Aquele que não é diz e aquele que é nunca diz. Mas isso se aplica à minha amiga Antonietta, porque ela não precisava se destacar, ela era destaque. E isso tive oportunidade de ver muitas vezes.
Tomávamos juntas os chás ingleses de que gostava muito, comprados nas nossas viagens. Sempre enfatizava que eu pintava muito bem e me repreendia quando deixava de pintar e nunca tive a pretensão de perguntar-lhe, se gostava do que eu escrevia, para não constrangê-la com a pergunta. Nunca conversamos sobre isso! Meus textos eram publicados em seu jornal e eu nem sabia se ela os lia... Era assunto velado entre nós, porque sempre nos respeitamos.
Minha grande amiga! Agora fiquei sem você para me fazer companhia nas viagens. Não vamos mais pedir o prato de camarão que nós tanto gostávamos nos restaurantes, pois era o seu preferido. Não vamos mais alugar um carro e viajar como “Telma e Louise,” como dizia meu filho Fábio, aludindo ao filme, quando cruzamos a Argentina por várias cidades.
Nunca brigamos. Quando me mostrava uma coisa que queria comprar de longe, se eu não gostasse, balançava a cabeça e fazia careta e ela também vice-versa. Hoje esses pequenos gestos me trazem muitas saudades. Seus telefonemas de madrugada, pois ela ficava trabalhando nesse horário.
Bem por causa disso, nos últimos tempos, depois de visitá-la não conseguia imaginá-la sucumbindo na sua doença, porque ela não era de se entregar! E voltava para casa muito triste e chorosa. “Amigo é coisa para se guardar dentro do peito.”
Por que não disse tudo isso que estou revelando agora para ela quando viva? Sei, como sei, o porquê! Isso a enfureceria, porque não gostava quando a elogiavam e nossa amizade não precisava disso.
Antonietta vou me despedir de você, mas será um até-breve na dimensão do tempo, pois ele não existe. Iremos um dia viajar noutra dimensão, sem precisar de carro, nem de avião, sem lenço e sem documento, sem precisar de horário, nem ter saúde, sem enfrentar com medo a alfândega. Fique com Deus, com seus pais e Ararê, que tanto amou e dignificou.

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