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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Canário da Terra


Maicon Moso

Mais uma noite que eu não durmo; mais uma manhã que ficarei olhando para as mesmas casas; minha tristeza e meus gritos de dor são confundidos com um belo cantarolar; mas o que fazer, se meu peito está alagado aos oceanos?
Para vocês entenderem melhor o meu sofrimento, detalharei as longas horas que tomam conta dos meus dias. Quando consigo dormir um pouco, acordo e espero minha comida, que não dão todos os dias, eu escuto Luzia falar para o Pedro – Já colocou comida para o canário?
– Esqueci! Daqui a pouco eu coloco! Poxa vida... Estou sentindo fome agora! Eu buscaria, mas não posso, não tenho como sair daqui...
Depois disso vou pra lá, depois venho pra cá, volto pra lá, também consigo ir ali...
Ali um pouco mais pra frente de cá e lá, conhece? Não queira! Não irás gostar! Todo santo dia sou colocado feito troféu em cima de um tronco de árvore, no sol escaldante que me queima e me faz gritar ainda mais alto. Quando chega o inverno não consigo gritar tanto, e o Pedro não me coloca muito no tronco da árvore...
Talvez ele tenha medo que o vento me derrube, não sei... Só sei que gosto da primavera! Muitas flores, meus amigos me visitam, tristes é verdade, mas ao menos eu os vejo e fico sabendo como andam os bosques por aí! Mas as notícias não são tão animadoras... parece que o desmatamento está aumentando cada vez mais...
Se isso não parar, meus amigos, irmãos, não irão aguentar... Sabe o que o que eu não consigo entender, e é muito curioso? O Pedro um dia ficou doente e precisou ficar 15 dias sem sair de casa, pois não estava conseguindo andar por causa de uma cirurgia... E ele reclamava todo dia que não aguentava mais ficar dentro de casa...
Será que ele sente a mesma dor que sinto? Queria tanto saber, queria tanto poder voar por aí, procurando as respostas das perguntas não respondidas... Não me lembro de muita coisa, já faz tempo que estou nesta gaiola... eu era muito pequeno quando caí do ninho e me colocaram aqui... nem meu nome eu lembro, só sei que me chamam de Canário da Terra.

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