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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SACI, BRUXA e DONA DE CASA



Ivana Maria França de Negri

No mesmo dia em que se festeja o dia das Bruxas nas festas de Halloween, também se comemora o dia da dona de casa.
Por que será que escolheram a mesma data para os festejos? Será que é porque ambas têm em comum o uso da vassoura? É certo que toda dona de casa tem certos poderes mágicos que lembram os de uma feiticeira, mas as semelhanças param por aí.
Aposto que quase ninguém sabe que existe o dia da “dirigente do lar”. Mas temo que nenhuma mulher queira comemorar a data.
Apesar de hoje em dia existirem muitos “donos de casa”, que dividem as tarefas com as mulheres, ainda acho que seria interessante mudar a denominação de dona de casa para um termo mais adequado, algo assim como dirigente, supervisora ou administradora familiar.
Assim como as mágicas feiticeiras que dividem com as donas de casa as honras do dia 31 de outubro, um projeto de lei federal instituiu o Dia do Saci nessa mesma data, uma estratégia para desbancar o reinado das bruxas, cultura crescente entre os jovens estudantes das escolas de inglês, a fim de voltar as atenções às tradições nacionais e resgatar uma figura interessante do folclore brasileiro, já que o Haloween é tradição cultural dos Estados Unidos.
Ninguém nunca viu uma bruxa de verdade. Nem um Saci. Mas certamente sabem descrever direitinho como eles são.
Uma bruxa que se preze deve ter nariz adunco com verruga na ponta, pele esverdeada, ser magra de dar dó. Cabelos negros, longos e desgrenhados e uma gargalhada sinistra de fazer gelar a barriga. Sempre acompanhada de um gato preto ou de uma agourenta coruja empoleirada nos ombros.
O Saci é multirracial, pois nasceu nas lendas indígenas e foi se transformando. Logo incorporou feições africanas, perdeu uma perna, que representa a violência da escravatura, mas ganhou espírito brincalhão, um gorro vermelho e um pito na boca. E é um grande conhecedor das ervas da floresta, entendido na fabricação de chás e medicamentos.
Monteiro Lobato foi o grande divulgador do personagem em seus livros infanto-juvenis. Ele fazia questão de resgatar as raízes da nossa terra e não gostava de modismos importados.
Neste mundo globalizado, seria ótimo unir as várias tradições de todos os povos.
Não é preciso desvincular-se dos símbolos de outros países, mas seria bom fazer um intercâmbio saudável de tradições culturais, uma mistura de personagens e crendices. Emprestemos as abóboras do Halloween, mas enviemos abacaxis e bananas para os gringos. Podemos até festejar as bruxas, mas exportemos os Sacis. Podemos comprar todos os livros e assistir a todos os filmes da série Harry Potter. Tudo bem, mas vamos levar para eles o nosso Jeca Tatu, a Monica e o Cebolinha, e assim por diante.
E a dona de casa? Bem, essa é mesmo uma espécie em extinção...
Está cada vez mais difícil encontrar uma! E no futuro, ninguém saberá descrevê-la. E se perguntarão: quem era mesmo a Amélia?...

crônica publicada na GAZETA de PIRACICABA de 30/10/2011

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