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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

AGRICULTOR


Pedro Israel Novaes de Almeida

O homem iniciou seu ciclo caçando e extraindo alimentos, até que passou a produzi-los, tornando-se agricultor.
Após milênios, foi-lhe dedicado um dia no calendário: 28 de julho, data pouco comemorada, apesar dos milhões de almoços, lanches e jantares ocorridos. Ser agricultor pode até ser bonito, mas não é fácil.
A agricultura afronta a matemática, pois pode produzir oito, somando dois e dois, ou zero, somando um e um. Não é um processo industrial, onde a soma dos componentes sempre conduz ao produto final, tal qual projetado.
O agricultor, ainda que tecnificado, controla apenas parte do processo produtivo, ficando, em maior ou menor escala, submetido às incertezas do clima, pragas, doenças, eventos fisiológicos e tantos outros, para então enfrentar a realidade do mercado, temerariamente prevista com meses de antecedência.
Entre a agricultura industrial e a familiar, que freqüentam discursos os mais diversos, existe, gigantesca, a agricultura como atividade complementar, capitaneada por profissionais de outros ramos, não raro liberais. Aqui, a atividade é um suceder de alegrias e decepções, lucros e prejuízos, prazeres e contratempos.
A agricultura não comporta preconceitos, sendo composta por diversos estratos, do pequeno agricultor arrendatário ao grande proprietário, passando pelo assalariado ou parceiro. Há agricultores urbanos, que verdejam os cinturões das cidades, e agricultores eremitas, que freqüentam fundões.
Produzir alimentos, e bem vendê-los, exige muita ciência e informação, além de compromissos sanitários, ambientais e trabalhistas. Ter a agricultura como renda suplementar é no máximo um risco financeiro, mas tê-la como fonte de sobrevivência é um sacerdócio.
A maior parte de nossos agricultores trabalha com elevados investimentos, e um simples trator, ainda que mal equipado, tem o valor de uma residência urbana. Nosso agricultor, ainda que médio ou pequeno, possui capital bem superior ao que, modestamente, ostenta. Entende que a terra e seus pertences constituem seu diploma e ocupação.
Mais que uma atividade econômica, a agricultura é, hoje, uma profissão, seja ela exercida na enxada ou na administração. Apesar dos MSTs que tentam estatizá-la, dos burocratas que tentam determinar índices mínimos de produtividades, e dos ambientalóides que estranham a falta de onças no vale do Anhangabaú, em São Paulo, nossa agricultura tem gerado, e muito, empregos, divisas e cidadãos.
Os governos, desde 1.500, pouco edificaram nossa agricultura, com omissões e ações que geraram deformações e desvios os mais diversos. Ora é tratada como carente, ora como perdulária, poucas vezes como cidadã.
Se hoje estamos ao teclado, sem saber se vai chover ou gear, se a estrada permite ou não o trânsito, se a ponte já foi consertada e se existem lagartas comendo a safra, é porque algum brasileiro está cuidando do almoço e janta de amanhã. Convém o respeito e homenagem.

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