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sábado, 30 de julho de 2011

Uma página de Poesias...*

Ivana Maria França de Negri

Certa vez recebi um e-mail de uma pessoa da cidade de Passos, Minas Gerais, que dizia ser trabalhador de uma empresa, como conferente.
Contava que, ao abrir alguns volumes, encontrou uma página do caderno de cultura do Jornal de Piracicaba, justamente a que continha a coluna Letras & Rimas. Seguia dizendo que, como fiel admirador da arte das rimas, trovas e versos, dobrou com cuidado a folha e colocou-a no bolso a fim de ler com mais calma em sua casa após o serviço.
O moço dizia que gostou demais dos poemas, e ao constatar que havia um endereço eletrônico no cabeçalho da página, resolveu enviar uma mensagem.
Recebo dezenas de e-mails, mas esse me comoveu. Fiquei imaginando o rapaz, voltando para casa cansado do seu dia de trabalho, retirando ansioso do bolso a folha amassada e lendo a página de poesias, degustando e se deliciando com cada verso.
A página era do dia 29 de maio de 2010 (ele me enviou a data da publicação). E o rapaz termina a mensagem dizendo que continuaria garimpando entre os jornais que embalam as mercadorias, na esperança de novamente encontrar outros poemas, outros tesouros.
Respondi ao e-mail e pedi que me passasse seu endereço, pois gostaria de enviar alguns livros de poesias, afinal, para alguém que demonstrou gostar tanto dessa arte, esse deve ser um presente muito bem-vindo.
Repassei a mensagem para a Eleni, editora do Caderno de Cultura do JP, a fim de dividir com ela o fato e fiquei a pensar como a poesia cria asas e voa para longe. Como um pássaro, pode atravessar longas distâncias, das mais inusitadas maneiras, como essa que acabo de relatar.
Mas agora a Letras & Rimas é passado, assim como a Palavras & Versos que circulou sob a coordenação da saudosa poetisa Maria Cecília Machado Bonachella no Jornal de Piracicaba por 27 anos ininterruptos.
O momento atual não comporta mais poesia. Uma pena... Seguindo as tendências globais, o JP optou por levar a Letras & Rimas para o jornal digital, retirando-a do exemplar impresso.
Por algum tempo, os sábados não serão os mesmos sem o cantinho literário. Mas chegam novos cadernos, novas propostas e tudo vai sendo substituído e o passado esquecido. Sempre me lembro das sábias palavras do professor Mauro Vianna: “Nada é para sempre”. Tudo se mantém vivo no exato tempo que tem que durar para ser eterno.
E enquanto a página existiu, acalentou sonhos, despertou fantasias, induziu a reflexões. Eternizou-se na memória de muitos, e também em recortes guardados de páginas amarelecidas e sempre relidas.
A Poesia não vai morrer jamais, posto que é feita de sentimentos e estes são eternos. Morre uma página no jornal impresso, nasce outra no espaço virtual.
Agradeço a todos os colaboradores da coluna nestes anos todos, e peço que continuem a enviar seus poemas para a coluna digital. E também aos diretores do JP pelo espaço cedido nestes quase cinco anos.

*texto enviado mas não publicado pelo Jornal de Piracicaba
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Cartas enviadas à redação e não publicadas:

Senhores,


Sou assinante do JP há alguns anos. Gosto de ler as notícias da cidade, as crônicas de Ivana Negri, Maria Helena Corazza, Jaime Leitão e de outros articulistas piracicabanos; as tirinhas e charges e, principalmente, a coluna Letras & Rimas , publicada aos fins de semana, cujos poetas têm seu espaço na imprensa de Piracicaba.
Infelizmente, chegou-me a notícia de que essa coluna será extinta no jornal impresso e por este motivo escrevo-lhes para pedir que não tomem tal atitude,pois ela é tradicional neste veículo de informação e cultura e está, há tantos anos, divulgando sensibilidades de poetas consagrados e "menores" - como meus alunos, que muitas vezes tiveram seus poemas publicados nessa coluna e sentiram-se honrados por estar ao lado de pessoas ilustres dessa cidade.

Agradeço a atenção

Profa. Christina A. Negro Silva


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Prezados Senhores:


Durante anos a página de Letras e Rimas do Jornal de Piracicaba foi cuidada carinhosamente pelas escritoras Maria Cecília Machado Bonachela (in memoriam) e Ivana Maria França de Negri. Foram seleções de textos inúmeros enviados e definição de temas interessantes ou assuntos de comoção geral que se apresentaram nas mais diferentes abordagens. Nos últimos tempos até mesmo uma arte gráfica foi incorporada para transformar a referida página em uma agradável leitura dos sábados pela manhã. Humanizava o jornal quebrando a frieza das notícias factuais, obituários, classificados e outras colunas afins.
Em um país em que o universo digital ainda é restrito dizer que um página de jornal poderá ser consultada de forma virtual é diminuir as possibilidades de poesia e oferecer somente um pão amanhecido e embolorado.
Entristece o universo literário saber que um jornal extingue uma página que foge ao escopo comercial . Mas como afirma Pessoa:

“Hoje de manhã sai muito cedo,

Por ter acordado ainda mais cedo

E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar

Mas o vento soprava forte, varria para um lado,

E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e

Assim quero que possa ser sempre –

Vou onde o vento me leva e não me

Sinto pensar.”

Sigamos o caminho que o vento varre porque a humanidade segue em bloco para não mais pensar...

Atenciosamente
Carmen M.S.F. PiIotto
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ADEUS, POESIA!
Lino Vitti

Sim, caríssima, bela, apreciada e feliz Poesia, adeus! Já não terei a possibilidade de ver-te e ler-te num cantinho destas importantíssimas páginas do nobre e querido Jornal de Piracicaba, que Losso Netto, em conluio com este inveterado amante das rimas e dos sonetos, reservou para a sua divulgação e para alegria e encanto daqueles que te compõem e te lêem levados pela tua beleza, pela tua fantasia, pelos teus sonhos, pela demonstração sempre inequívoca, da arte e da cultura universais.

Como Príncipe dos Poetas Piracicabanos estou triste como vocês, mas ao invés de esgrimar o que os valores mais altos fundamentalmente assim decidem, agradeçamos os longos anos em que burilamos versos, estrofes, poemas e sonetos, graças à Maria Cecília Bonachella que da nobre página cuidou tanto tempo e a Ivana Maria, que lhe deu feliz continuidade até os dias de hoje e muito , muito mesmo, aos diretores do tradicional matutino, pela oportunidade concedida à Poesia piracicabana.

Afinal, deve perguntar alguém, que vem a ser essa tal de Poesia para merecer tantas atenções e merecer tanta divulgação ? Não sei. Só posso dizer que poetas foram Dante Alighieri, Shakspeare, Victor Hugo, Camões,Olavo Bilac, Francisco Lagreca, Mello Aires, Castro Alves, Marina Tricânico, Newton de Mello, Gustavo Teixeira, milhares espalhados pelo mundo inteiro, e não menos que centenas nesta terra dos canaviais, que se incumbiram ou ora se comprazem em deixar aos semelhantes a beleza e a alegria dos mais belos poemas brotados da inteligência humana. É ler o que escreveram para a posteridade e saber então o que é essa tal de Poesia.

Vou contar algo inédito de minha vida. Quando adolescente, morando na roça, meu pai José Vitti, funcionário do Grupo Escolar, era o único que recebia o Jornal de Piracicaba, levado pelo diretor da escola, prof. Euclides de Oliveira Orsi. Guardava-o sob a cama onde eu dormia o que me propiciava ensejo para correr os olhos por aquelas páginas curiosas e sempre encontrava uma poesia para ler, daí talvez os meus primeiros arranques pelo prazer de ser poeta. Fui interno de um seminário religioso, onde era proibido fazer versos, mas eu desobedecia e traçava às escondidas meus sonetos. E um dia, por felicidade, fui parar nas oficinas redacionais daquele jornal paterno. E aí criei raízes, e aí minha poesia veio a lume, e tanta e tão importante foi que a Academia Piracicabana de Letras me “nomeou” Príncipe dos Poetas Piracicabanos.

25 anos de Jornal de Piracicaba, aposentadoria e saudade.
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Bom dia

Aqui em casa somos a quarta geração lendo o JP, diariamente! Um vício do bem que nos direciona e nos faz pensar sobre a nossa inserção neste mundo globalizado tão marcado pela tecnologia descartável.
As notícias fluem das páginas do JP e a nossa leitura percebe temas generalizados, mas, sinto que o JP está se tornando um jornal de classificados e anúncios publicitários, e, isto não é bom para o leitor cansado de ver e ouvir propagandas inseridas em vários lugares, por onde passa.
Ciente de que ouvem os seus leitores espero ler mais temas que toquem mais a humanidade do que a racionalidade dos nossos bolsos.

Família Costa, Oliveira e Jacobino

2 comentários:

Anônimo disse...

A semente do seu trabalho expandiu, os frutos já estão sendo colhidos em outros estados. Lamentável, mas não é uma folha impressa que vai alterar o trabalho que você desenvolve com conhecimento, talento e competência. Agradeço em nome de todos os poetas piracicabanos pela divulgação dos seus trabalhos nas colunas Prosa&Verso e Letras&Rimas.
Ivana Altafin.

Anônimo disse...

Lamentável, pois muitas pessoas não tem acesso ou não usam a internet como instrumento de leitura. Ainda mantem o hábito da leitura através dos jornais de sua cidade. Tomo a liberdade de agradecer em nome de todos os poetas piracicabanos a divulgação dos trabalhos através das colunas Letras&Rimas e Prosa&Verso que você mantem nos jornais desta cidade. Ivana Altafin.