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sexta-feira, 1 de julho de 2011

FESTAS CAIPIRAS


Pedro Israel Novaes de Almeida

Referidas como juninas, as festas caipiras acontecem também em julho, e constituem uma preciosidade de nossa cultura.
Apesar de reverenciarem os santos Pedro, Antonio e João, são eventos pouco religiosos, unindo fiéis e infiéis de todos os credos. Católicos, protestantes, espíritas e até petistas varam a noite, alegremente.
Cabe a Santo Antonio a mais difícil e espinhosa das missões, socorrendo as solitárias e esperançosas donzelas, cujo confinamento rural limita a convivência com possíveis pretendentes. Para ajudar o santo, estimular e desinibir os novatos, nada melhor que vestidos coloridíssimos e demonstração de dotes culinários, além de muito quentão e música ligeira, que judia das solados das botinas. Dizem que o santo só interfere em uniões heterossexuais.
Pé-de-moleque, assados, cuscuz, doce de batata, pipoca, curau, pamonha, torresmo, bolo de fubá, geléia de pinga e tantas outras guloseimas nascem de ingredientes locais, sem qualquer aditivo químico. A fogueira, presença obrigatória, é uma exigência do frio da época.
O foguetório, com seus rojões e buscapés, é tido como uma forma de anunciar a festança, mas cientistas desconfiam que seu criador tencionava espantar os cachorros da vizinhança. Os balões, que outrora enfeitavam o céu, acabaram banidos, por justa proibição legal.
O ambiente é sempre familiar, e lembra, às novas gerações, a origem rural da imensa maioria das famílias brasileiras, que orgulhosamente ostentam a condição de caipiras. No burburinho ensurdecedor das baladas, ou coletivo solitário das internets, é útil a lembrança de que temos, todos, um pé no barro.
Enquanto as mulheres disputam estampas e cores, homens invariavelmente trajam xadrez, dificultando a venda de tal padrão, na zona urbana. Quando é dito que alguém foi ao xadrez, o entendimento é de que está preso ou em alguma festa junina.
Nas festas, o correio elegante é concorridíssimo. Muitas vezes, o arrecadador faz as vezes de linda donzela, estimulando os trouxas à curiosidade e resposta. Espertalhões exigem recadinhos com foto e localização da interessada. É arriscado marcar encontros, sem saber que figura encontrará.
São divertidos os paus-de-sebo, que mais parecem centros de treinamento para quem deseja ser, no futuro, bancário ou professor. No correr sobre brasas, qualquer queimadinha demonstra falta de fé, ou pés pouco calejados.
As quadrilhas divertem e animam, mas só são aplaudidas nas festas caipiras. Em outras ocasiões, acabam perseguidas pela polícia. Existem quadrilhas urbanas que não trajam xadrez, por todo o país, até na novata Brasília.
Ainda que estudiosos e pesquisadores identifiquem origens estrangeiras as mais diversas, para as festas juninas, elas continuam, brasileiríssimas, mantendo a memória de um estilo de vida e valores que devemos preservar.

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