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terça-feira, 5 de julho de 2011

Família, filhos, netos e bisnetos...


Maria MadalenaTricânico de Carvalho Silveira

Domingo, dia de almoço em família na casa da matriarca, onde a família de quatro gerações se reunia e mesmo que alguém estivesse viajando, sempre havia no mínimo 15 pessoas.
Enquanto saboreavam a sobremesa, a Bisa prestava atenção na conversa dos quatros bisnetos, sendo que o mais novo tinha apenas 5 anos, mas não perdia uma informação sobre os livros que os primos pré-adolescentes estavam lendo. A Bisa tinha mais duas netas, mas estas já estavam na faculdade.
– Por que essas crianças não lêem livros mais interessantes?
– Como livros mais interessantes? perguntaram a filha e a neta, que também já eram mães e pedagogas de formação acadêmica.
– Vocês não lêem antes os livros que eles estão lendo?
– Mãe, eu fiz isso porque aprendi com você, mas quem tem de fazer isso são meus filhos que agora são os pais – respondeu a primogênita que também é avó.
– Fico feliz quando eles me pedem para comprar livros, nas idas ao shopping, mas sempre querem os que estão na lista dos mais vendidos.
– Ultimamente o Enrico e o Augusto me pediram os quatros livros que estão nos primeiros lugares de vendagem.
– Não me fale que são daquele feiticeiro mirim que, além dos livros, tem também os filmes. Ele incentiva as crianças a saírem voando em cima de vassouras ou são foguetes de fabricação caseira? Não entendo muito bem porque sou do começo do século passado, de 1917, se não me engano...
– Bisa, agora que todo mundo foi embora o que você está aí matutando?
– Nada não. Estava pensando como seria bom se as crianças ouvissem histórias como o “Ninho do tico-tico” no dia das aves, dia da árvore e outras histórias mais. Não sou contra que leiam os modernos, mas, conhecendo o passado iam se divertir muito com a literatura e as fantasias de seus antepassados.
– Lembro-me muito bem de quando todos ficavam em volta do meu pai para ouvi-lo contar histórias de assombração, dos ventos nos canaviais, das frutas que voavam das árvores em cima de nossas cabeças, e nós nem desconfiávamos que eram macaquinhos no meio das folhagens.
No domingo seguinte, depois do almoço, a família estava reunida na varanda e deu um pé de vento formando um rodamoinho bem no meio do quintal. A Bisa levantou-se bem depressa da sua cadeira e chamou os bisnetos para ver que, no meio do rodamoinho, tinha um saci pererê com seu cachimbo na boca, sua calça vermelha com uma alça só e pulando, pulando. Ah! tinha também um gorro vermelho na cabeça.
Foi um delírio geral! Como a discrição da Bisa aguçou a imaginação de todos, alguns chegaram a jurar que tinham visto o saci e outros tentavam a todo custo vê-lo.
Augusto então gritou:
– Vó, eu vi, é igualzinho daquele livro de folclore que você trouxe da Flip de Parati, não é?
– Só falta você falar que ele veio de skate – retrucou o José.
– De patinete que não podia ser, né. Ele só tem uma perna, falou Maria com toda sua sabedoria de nove anos.
E com isso, a Bisa saiu de mansinho e foi buscar os livros de Monterio Lobato, enquanto as crianças iam se aninhando em sua volta.

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