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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um Mundo de Fronteiras


Ruth Carvalho Lima de Assunção

No palco da vida passamos sempre representando e, conforme o papel que nos cabe, vamos sempre trocando, isto é, substituindo as máscaras das quais precisamos.
No berço, o pequeno ser já se socorre dos artifícios para conseguir vantagens: ora ri, ora chora e suas máscaras se renovam no dia-a-dia. Em determinadas situações a máscara mal usada começa a pesar.
Por mais que o usuário se esforce para se manter bastante normal, em dado momento, ele se mostra aos olhos do outro como se estivesse apenas representando Ele não é ele. Está aparentando o que não é.
Como são dignos de admiração esses artistas talentosos que vestem a camisa de tantos personagens e precisam voltar ao que são, colocando as próprias máscaras, retratando, na verdade, nem sempre o que são.
É complicado. Cada um querendo ser fiel, enganando os outros que fingem que estão sendo enganados.
Com o correr dos anos a imagem que fazemos de nós mesmos vai se alterando, permanecendo o que ficou para trás sem formas definidas.
As pálidas conclusões que fazemos de nós entram em choque com as que os outros têm a nosso respeito.
Ao nascer, a princípio, parecemos despidos de vontades, mas nosso mapa físico e intelectual já traz os traços de nossa individualidade, registrados na herança genética que sofre acréscimos e diferenças com o contato social que melhora talentos ou acentua deficiências.
Neste mundo global, onde hoje se intensificam as descobertas e a tecnologia avança a passos largos, o homem e a mulher recebem da mídia informações, as mais diversas, e se descobrem cativos das novas implicações, sujeitos às mudanças em seu comportamento e valores.
Então, aos nossos olhos, as transformações que se sucedem nos encantam, e passamos a viver um conto de fadas, um faz de conta. Levados à cegueira, curtimos a vida do momento, sem nos preocupar com o dia de amanhã, com a sustentação do mundo, com suas maravilhas doadas por um ser supremo, para a nossa fruição.
Que estamos fazendo com nossas florestas, com nossos rios, com nossa riqueza animal?
Temos o direito de deixar como herança às próximas gerações um vasto deserto onde os rios secaram, as poucas aves emudeceram e a poesia da natureza é apenas uma memória?
Cobramos e somos cobrados. O valor do ouro grita mais alto. O poder é o alvo, a força mais evidente que derruba direitos, governos e posições.
O poder e o não poder. O luxo sustentado pela miséria.
E dessas confrontações despontam os magos da arte que, com seu lirismo, trazem alegria e conforto às nossas inquietações.
Chico Buarque de Holanda, crítico, observador e humano, retrata em seus versos momentos de dramaticidade, faz das pedras, estrelas, e nos comove com seu apurado talento artístico.

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