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sábado, 18 de junho de 2011

Teatro da Natureza

Leda Coletti

Observar um cantinho da natureza, só nos torna românticos e agradecidos ao Senhor, por enxergarmos tanta poesia nos seus personagens.
Neste momento o cenário é de flamboyants vermelhos, acácias amarelas, paineira rosa, canelinha verde, rosas rubras, flores do campo douradas, todas rodeando a casa da sede da fazenda.
Aquela andorinha que passou tão célere, saiu do ninho ricamente arquitetado no galho das glicínias que cobre o terraço da casa. Certamente, foi buscar alimento para os seus filhotes que esperam com os biquinhos abertos. Passou rente ao beija-flor de “rabo” branco, que beija um mimo ainda orvalhado. Colibrís verdes- reluzentes disputam espaço para procriarem, bem próximos às grades de ferro de um vitrô, no galho de um arbusto. Não faço maus presságios, mas temo pela sorte das avezinhas quando tentarem alçar vôos e se por infelicidade, o gato preto de pelo liso estiver por perto... O mesmo poderá acontecer com o ninho do tico-tico, o qual foi mais uma vez logrado pelo malandro do “chupim”. Este desapareceu, mas colocou os seus três filhotes para o tico-tico criar.
Os fios da rede elétrica, servem de balanço e suporte para a chegada de pintassilgos, correntinos, sanhaços e rolinhas. Divirto-me com os tizius saltitantes que se exibem nos mourões das cercas de arames, dando trinados acompanhados de um pulo. Foi nesse instante que ouvi um barulho ao lado. Virei-me na direção dele e só pude perceber a gata cinzenta, com a pobre rolinha, que na euforia do pega-pega com as demais companheiras, trombou contra a parede. Logo ouve-se o choro sentido do parceiro. Essa lamentação é abafada pela invasão das maritacas, que aos bandos fazem um estardalhaço no alto do abacateiro. Por possuírem as mesmas cores,verde e amarela, se fazem passar por ruidosos papagaios.
Nosso olhar agora se prende no topo do flamboyant vermelho, onde um casal de pombos do mato faz amor. Em outro ângulo do cenário, vemos doce cena do flerte daqueles sabiás. Ambos nos galhos da murta coberta de flores brancas perfumadas, trocam olhares apaixonados, seguidos de belos gorjeios dialogados.
Como pano de fundo desse teatro, além da chaminé do extinto engenho de pinga, cantam as seriemas. É um canto triste. Isso sem falar dos “més” dos carneiros, comendo o capim no pasto, que começa a ficar de novo verdinho, por causa das chuvas de verão.
Daqui da rede no terraço, nesse final de tarde com um solzinho tímido, após ter chovido gostoso, estou aguardando a próxima cena chegar. Logo mais virá a noite e com ela esses artistas irão repousar, dando lugar à orquestra da saparia, dos grilos, curiangos, urutaus. Por certo nesta negritude haverá a lua, que torcemos para ser cheia e também os vaga-lumes que irão iluminar novos atos artísticos desse teatro vivo da natureza.

Um comentário:

Anônimo disse...

I like it very much!