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quinta-feira, 10 de março de 2011

Sessentando

Pedro Israel Novaes de Almeida

Duas idades marcam a vida das pessoas.
Para os que não cometem crimes, os dezoito anos são esperados como passaporte a qualquer cinema ou teatro, verdadeiro símbolo de maioridade, que permite até dirigir veículos. Passada a fase dos dezoito, o próximo marco vem aos sessenta, portal da terceira idade, quando os ímpetos já não são os mesmos e a atividade contemplativa figura como ameaça.
Estamos sessentando, e chegaremos a abril na deliciosa condição de idosos. Há tempos aguardávamos as regalias da terceira idade.
Seremos idosos ativistas, e ninguém deve estacionar veículos em nossa vaga ou furar a fila preferencial. Se estivermos em algum navio prestes a afundar, teremos, após as mulheres e crianças, direito aos botes salva-vidas.
Nas encrencas de rua, sempre teremos uma saída honrosa. Se alguém bater, será covardia, e, se apanhar do velhinho, será uma vergonha.
Poderemos até mexer com uma ou outra moça, na rua, sem correr o risco de sermos xingados de sem-vergonhas ou safados. Na pior das hipóteses, o velhinho será tido como atrevido ou tarado. Convém, antes, avaliar o risco da moça concordar com o gracejo, o que seria uma calamidade.
Estaremos, finalmente, autorizados ao uso de suspensórios e até chinelo com meia, além de novamente calçar aquele sapato que já não servia, pois os pés emagrecem, com o tempo. Farmácias aumentarão os descontos, e até alguns transportes serão franqueados. A desvantagem será o menor prazo para a renovação da carteira de habilitação, e o maior custo das apólices de seguro.
As aparências podem conturbar a vida dos idosos. Se for visto em algum motel, a polícia verifica se não foi sequestrado, e, se mantiver relacionamento com mulheres com menos de quarenta anos, será acusado de pedofilia.
A população está envelhecendo, e os idosos já fazem parte da paisagem. Convém aproveitar, pois as regalias acabarão sendo direcionadas aos mais novos, que levam vidas mais atribuladas e precisam descansar.
Tememos o envelhecimento da memória e raciocínio, e apavora-nos a idéia de não percebermos as esquisitices que podem surgir, com a idade. Palavras cruzadas, Sudoku, leituras, escritos, conversas, caminhadas, boa alimentação e utilidade ao semelhante tornam mais prazerosa a terceira idade, que não impede o empreendedorismo, o aprendizado e o trabalho.
Estamos sessentando, e as fotos dos artigos parecem haver parado no tempo, tiradas, algumas, há décadas. É hora de olhar um pouco para trás, percebendo erros e acertos que nenhum arrependimento deixaram.
É hora de olhar para a frente, agora instrumentado pelos erros e acertos do passado. Envelhecer é ter histórias para contar, saudades para curtir, planos a realizar e uma nova vida para viver.

Um comentário:

esther vacchi passos disse...

Boa noite Ivana, estou passando por aqui e estou gostando muito
abraços a todos
Esther