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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Divagando



Leda Coletti

Fazendo a sesta na rede, entre um cochilo e outro vou dando asas à imaginação, ora sonhando acordada, ora relembrando momentos agradáveis de inesquecíveis viagens, leituras feitas e cenas vividas na infância, adolescência e até vida adulta.
Evoco neste momento cenas tristes, vistas nos últimos dias na tevê, sobre as vítimas das inundações em diversos estados brasileiros, sobretudo do Rio de Janeiro. Que tragédia! Dir-se-ia que a natureza sofrendo pelos abusos dos homens, machucando-a, abrindo chagas dolorosas, não conseguiu conter as abundantes lágrimas, que rolaram pelas encostas e rios, invadindo e engolindo tudo e grande número de pessoas, por onde passou.
De repente me sinto espionada por um indiscreto pássaro, exibindo o peito amarelo-ouro e me saudando com seu “bem-te-vi”. Deixo a rede e vou em direção ao jardim; quase atropelo um pequeno caracol que lentamente carrega sua casa às costas.
Agora caminho entre canteiros de murtas podadas. Não resisto à delicadeza daquele botão de rosa amarelo, próximo ao portão de entrada do jardim. Filosofo: “amanhã será uma rosa dourada”. Mas porque insisto no amanhã? Por que perder essa magia do presente? O botão se entreabrindo, a minhoca tentando se esgueirar na terra úmida, o caracol caminhando lentamente. Ambos vivem escondidos: ela, embaixo da terra e ele ocluso na própria casa, cada um procurando desempenhar bem seu papel no momento presente.
É muito gratificante estar atento e aberto para a beleza da natureza, saber respeitá-la e usufruir dos seus encantos. Que sensação deliciosa ver nossa imagem refletida inteira sem sequer tremer, na água cristalina do fundo do poço!
Reflito um pouco sobre os sonhos e concluo:.não basta sonhar. É necessário persegui-los nem que seja até às estrelas! Quando eles são feitos de matéria que constrói, devem ser molas propulsoras de nossa vontade. Se, ao invés forem como a droga que destrói, precisam ser eliminados ou substituídos.
Estou no meio do pequeno bosque, debaixo da paineira que tanto gosto. Ela ainda não está florida, mas o verde de suas folhas me acolhe com carinho. Sinto essa ternura e não consigo escapar a esse doce afago das plantas. O indiscreto bem-te-vi avisa que está de novo me observando.
Retorno à rede, agora com um livro para ler. Os meus sonhos vão ficando preguiçosos e vão rolando, rolando. Pra onde? Talvez para o Infinito...

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