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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O milagre dos gatos do Cemitério

O milagre dos gatos do cemitério
Ivana Maria França de Negri

Como fazia todas as tardes de terça-feira, encaminhou-se ao cemitério para “visitar” seus entes queridos. Sabia muito bem que eles não se encontravam sob os túmulos, apenas seus restos mortais, mas mesmo assim, gostava da paz e tranquilidade daquele lugar solene e arborizado, longe do barulho e do corre-corre da cidade.
Quase nunca trazia flores. As que ofertava a seus mortos eram ramalhetes espirituais. Por certo eles não necessitavam de prendas materiais e deveriam apreciar muito as braçadas de flores que trazia em pensamento, perfumadas com seu amor.
Preferia passar numa loja ali perto e gastar o dinheiro das flores em pacotes de ração para gatos e distribuir aos muitos animais abandonados por pessoas desalmadas, naquele cemitério. Estes sim, precisavam de comida para sobreviver. Eram meigos, dóceis e retribuíam o alimento se enroscando nos seus pés carinhosamente.
Ficou muito triste ao saber pela senhorinha que cuidava dos gatos que eles deveriam ser despejados do local por estarem “perturbando”. A quem poderiam incomodar se os habitantes daquele local estavam todos mortos? Quanta maldade e ignorância, meu Deus!
Ao sair, passou pelo túmulo que mais a intrigava. Era muito antigo e ostentava uma escultura magnífica e muito bem talhada de Cristo. O artista, provavelmente um escultor europeu – antigamente as estátuas e mármores eram importados - esculpiu um Cristo pensativo, de olhar duro cujo semblante era sério e acusador. Ela sempre tentava decifrar o que diziam aqueles olhos inquiridores naquela fisionomia grave.
Naquela tarde, porém, uma cena inusitada chamou-lhe a atenção: no colo pétreo do Cristo sentado, entre os drapeados de suas vestes, dormiam dois gatinhos filhotes abraçadinhos, em seu rom-rom peculiar, sem se darem conta que estavam em colo sagrado. Na sua inocente irracionalidade, e sem pressentir os riscos que corriam de serem capturados e mortos, dormiam tranqüilamente, sem noção do espetáculo que compunham.
Desejou ardentemente ter uma máquina fotográfica em mãos para flagrar aquele momento mágico a fim de eternizá-lo.
Nesse instante, levantou os olhos e olhou para o semblante de Cristo, que tantas vezes fitara e tivera medo.
Sua fisionomia estava serena e ostentava um maravilhoso sorriso
...

Um comentário:

Jessonalva FIGUEIRÔA disse...

Olá Ivana,

Adoro gatos porém, no colo sagrado estão os nossos entes queridos que acredito, podem ainda receber de nós o carinho e os pensamentos positivos que por afinidade lhes podemos enviar, levando-lhes fluidos universais que lhes fortifique a alma.
Um forte abraço querida.