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sábado, 30 de outubro de 2010

Festa de Halloween

Festa de Halloween
Ivana Maria França de Negri

Nunca acreditara em bruxaria, entes fantásticos ou fantasmas. Zombava até quando alguém fazia qualquer menção ao sobrenatural, magia ou coisa parecida.
Foi àquela festa com a ideia de que iria apenas divertir-se. Vestiu a fantasia de cetim negro, o chapéu pontudo de abas largas e a saia com fartas camadas de tule lilás. Os sapatinhos de fivela combinavam perfeitamente com o resto da fantasia. Passou o cajal preto fortemente sob os olhos, sombreando-os com profundas olheiras e por último, fez o arremate final com batom cor violeta. Gostou do resultado ao mirar-se no espelho oval do seu quarto. Estava aterrorizantemente bela.
Na festa conheceu um lindo “vampiro”, perfeito cavalheiro, alto, atlético, em trajes negros e vestindo uma capa de um tom escarlate bem forte. Sobressaiam-se os óbvios dentes caninos muito alvos, que pareciam tão reais... Achou-os até atraentes e charmosos. Mas o que a encantou de verdade foram os olhos. Eram grandes, negros e expressivos.
Dançaram a noite inteirinha e por incrível que pareça, não se cansou. Só queria aproveitar aqueles momentos mágicos. Ele quase não conversava e também pouco sorria, mas uma atração inexplicável a fazia ficar ali, como que hipnotizada e presa ao sedutor, que a segurava de maneira sensual, apertando-a contra o peito. Parecia flutuar no salão ao som da música envolvente e suave.
Os outros convidados da reunião já iam embora e a madrugada se findava. Os primeiros raios de sol surgiram tímidos, mas cheios de fulgor. O rapaz retirou-se por instantes e ela ficou aguardando enquanto tomava um café forte que alguém oferecia no final da noitada, pois todos estavam exaustos. Como o moço estava se demorando muito, resolveu procurá-lo. Buscou-o em todos os recintos, mas não o encontrou em lugar algum. Parecia até que havia desaparecido como num passe de mágica. Muito estranho.
Caminhou até a janela para tomar um pouco de ar e viu o vulto de um imenso morcego sobrevoando o local, bem próximo ao parapeito. Por uma fração de segundo encarou o bicho de frente. E o que lhe chamou mais a atenção foram os olhos: grandes, negros e expressivos...

Um comentário:

Raquel Delvaje disse...

Muito criativo! Gosto muito dos seus textos Ivana, especialmente quando tem esses finais surpreendentes. bj.