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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Entre Barbatanas

Entre Barbatanas (in tardes de Prosa)
Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto

Fernando Sabino lamentava o fato de haver perdido diversos amigos. Em virtude da idade começava a se sentir solitário e mantinha longos papos com aqueles que haviam partido. A conversa rolava animada sobre situações que vivenciaram juntos... Afinal, declarava, com os mais jovens tudo que se conta passa a ser história, não tem sensação. Como descrever, com a emoção de quem esteve lá, a imagem de Jânio com uma vassoura dizendo que iria varrer os políticos corruptos?
Deus me livre de me tornar prolixo com o passar dos anos. Posso pedir aos meus que controlem minha oratória, entretanto, fica impossível reavivar a memória, estabelecer novas conexões de neurônios ou mesmo delimitar exageros espontâneos.
Tento lembrar o nome de um sanduíche dos meus tempos de juventude, uma associação de ideias me faz recordar de dois Bs escritos com giz no quadro negro da lanchonete naquele supermercado. Sombras delineadas em minhas reminiscências explodem em uma imagem de um tamanho enorme de lanche que se associa à figura de uma Baleia. Realmente, o primeiro B é de um animal grande, enorme, disso tenho certeza. E o segundo nome: bacia, balde, balaio, barco? Memória curta... vocabulário prodigioso...Bolsa, brasa, baia, bandeja. Realmente, não posso externar minha dificuldade pois todos perceberão minhas limitações humanas. O importante é reavivar sensações olfativas que proporcionem devaneios sinestésicos. Ópio que alimente a alma. Quanto ao nome correto, deixe para lá!
Mais do que a memória degustativa, meu coração se enche da presença de um grande amigo que me acompanhava naquelas experiências juvenis. Posso ficar prolixo, esquecido, exacerbado e enrugado, mas que Deus conserve o quão possível minhas amizades. Ao longo dos anos, o que realmente alegra nossa rotina é compartilhar pueris aventuras, além de enxergar nas lentes dos óculos de nossos convivas o reflexo de uma cumplicidade de quem não ficou só sabendo das histórias, mas que pode ser também personagem durante um longo período de nossas vidas.
Estou realmente convicto de que a meia idade está me tornando piegas, camuflo habilmente umas lágrimas furtivas. Ah, lembrei! Baleia na balsa...

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