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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Resgate de um Tempo Bom!

Pintura de Elile Munier

Resgate de um Tempo Bom! (in Tardes de Prosa)
Leda Coletti

Corria pelos campos verdes, descalça, cabelos esvoaçantes, com a cabeça descoberta, absorta em seus pensamentos, os quais se ligavam ao seu ambiente campesino.
Seus brinquedos eram cacos de louça e ágata, que serviam de utensílios para sua casa de mentirinha. Quando não vinham as amigas, suas vizinhas, brincava só com sua boneca de pano, a qual era sua filhinha. Para fazer a comida de ambas, utilizava-se de folhas de verduras, legumes; para o chá da tarde preferia as ervas medicinais, colhidas na horta, ao lado da casa de seus pais. Dizia a todos que gostava muito de mudar de residência. Era comum vê-la, levando os seus utensílios para debaixo do pé de jatobá, ou para o porão do velho casarão, e até mesmo, para perto da porteira do estradão.
Quando se cansava de entreter-se com esses folguedos, viajava para o céu. Era tão fácil ir até ele! Escolhia dias em que predominava o azul, com nuvens brincalhonas. Era só ficar de cambalhota, para se encantar com o mundo de cabeça para baixo. Embora usasse vestido rodado, que lhe cobria parte do rosto, podia admirar as nuvens em forma de bichos. Naquele instante era de um esperto coelho. Este corria muito, talvez, por causa de outra grande, parecida com o leão. Houve um dia, em que pensou ter visto um anjo tocando uma harpa, que descia em sua direção. Retornou à posição natural e viu que se tratava de um sabiá, cantando no alto do jatobá.
Mais adiante, observou algo diferente no ipê, ao lado da porteira. Era uma casa do João de barro. Mais uma vez ficou intrigada. Sua tia lhe dissera, que esta possuía vários cômodos e, ela do local em que se encontrava, só via uma estreita entrada, na qual o passarinho deveria passar apertadinho. Já está até arquitetando uma possível visita, quando vierem as amiguinhas; quer inteirar-se de como é realmente. Aquela escada comprida no porão da casa, vai ajudá-la a decifrar aquele mistério. Mas, seus pensamentos são interrompidos para atender ao chamado da mãe. Antes de ir ao seu encontro, pega sua boneca de pano, que deixara no banco do jardim.Muito alegre abraça a mãe, que a aguarda.
Assim é a infância: um não fazer nada feliz!

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