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domingo, 27 de junho de 2010

Buquê de Rosas Vermelhas

Buquê de rosas vermelhas (in Tardes de Prosa)
Raquel Delvaje

De repente ela entrou e caiu perto do pé da mesa. Jazia em sangue! Todos correram para acudi-la. Sua mãe, perplexa, abraçou-a. Procurou reanimá-la. Não podia acreditar diante do que via: sua filha estirada ao chão. Totalmente inerte! Morta!
Há tão pouco tempo ela estava ali, sorrindo e brincando com dois primos. Parecia até uma criança... E feliz... Seus olhos demonstravam uma sombra de preocupação. Mas não naquele momento! Ela deixara para trás todo e qualquer pensamento ruim. Somente brincava e cantava... Como se estivesse celebran­do seus últimos momentos de vida.
Há alguns meses passara no vestibular. Todos comemo­raram. Seria o único membro de uma família grande a conseguir chegar à faculdade. Um orgulho para os pais. Mas não para o namorado! Esse passou a sofrer de um ciúme incontrolável. Não aceitava que Sofia fosse para a faculdade. Ela não pretendia sepa­rar-se dele; era seu grande amor, mas diante de tanto ciúmes, não houve mais jeito: separaram-se!
Foi quando começaram as ameaças. No início, ninguém acreditou que poderiam ser sérias. Mas depois perceberam e se preocuparam.
Naquele dia, Sofia ia para a casa do tio em outra cidade, para evitar uma tragédia anunciada.
Não deu tempo!
Jorge chegou antes e a esfaqueou no portão de casa.
Ele a chamou, sua mãe não queria que ela fosse. Ele in­sistiu! Disse que só queria despedir-se dela. Trazia consigo um buquê de rosas vermelhas e por de trás: uma faca.
Matou-a!
Passaram-se oito anos. Hoje Jorge vai se encontrar com a atual namorada e tem nas mãos um buquê de rosas vermelhas. Sua atual namorada arrumou um emprego fora da cidade.

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