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quarta-feira, 23 de junho de 2010

As Roseiras de Anastácia


As Roseiras de Anastácia (in Tardes de Prosa)
Cassio Negri

Deitada em meio à mortalha perfumada, estava a velhinha de cabelos brancos, pele enrugada, até já meio calva na fronte, calvície esta disfarçada por um lenço puído.
Na cabeceira da cama, um crucifixo.
As pessoas foram chegando aos poucos, curiosas, para a importante ocorrência naquela cidadezinha interiorana.
As crianças pulavam o muro e corriam no quintal grande e coberto de cinzas, do que havia sido um roseiral. A cada passo pelo jardim, os pés afundavam no pó cinzento e ainda quente levantando um nuvem de poeira pesada.
Aos pés da cama, uma linda moça vestida de branco, irra­diando tênue luz, observava a velhinha deitada, algo carrancuda, tez enxadrezada pelas rugas e pensava:
“– Por que tal criatura se mostrou tão egoísta e queimou todas as roseiras, privando as pessoas das rosas, querendo levá-las todas para si? Sempre achei que as velhinhas eram muito bondo­sas e nunca fariam maldades. Se fosse eu, jamais faria isso!”
Notou, então, que um fio prateado partia do seu peito e a ligava diretamente ao peito da velhinha. Puxou o fio e, no mesmo instante, se sentiu arrastada para o leito, deitada junto à idosa e parecia ser ela mesma a própria velhinha. Tudo se tornara escuro.

Tentou abrir os olhos desesperada, mas não conseguia. Suava muito e, num esforço, conseguiu!
“– Olhem! Ela abriu os olhos!” Alguém gritou.
Uns correram, outros gritaram e outros acudiram.
Conseguiu mover as mãos, os braços, depois as pernas, e a primeira coisa que pode dizer foi:
“– Guardem as hastes das rosas, quero refazer meu jardim!
E na cabeceira da cama, o Cristo sorriu...

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