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terça-feira, 4 de maio de 2010

Há Poesia na Guerra?...

Há poesia na guerra?...
Ivana Maria França de Negri

Prometi a mim mesma que não escreveria sobre guerras...Deixaria o caminho livre para os estudiosos em questões militares, para os doutores em estratégias de guerra, para os mestres em relações internacionais, os formadores de opinião muito mais tarimbados do que uma simples poetisa. Afinal, não há poesia alguma numa guerra...
Mas nesta noite, eu não conseguia pegar no sono. Meu coração ora ficava apertado, ora parecia querer saltar pela boca batendo descompassado. Pensava no que estava por vir e na tenebrosa tragédia prestes a se abater sobre o mundo. Não pensava no poderio americano, nem no petróleo do Iraque, na alta ou baixa do dólar, nas oscilações da bolsa resultantes desses acontecimentos todos. Pensava unicamente no desespero das mães tentando proteger suas crianças, no pavor dos pequeninos com as bombas estourando sobre suas cabeças, em seu choro abafado e inocente, muitos sendo atingidos e tendo partes do corpo mutiladas, sentindo dores terríveis. Pensava na destruição, em segundos apenas, de casas que levaram anos para serem construídas com o suor do trabalho. Nos belos sonhos caindo por terra, casais apaixonados sendo apartados de seus pares, esposas perdendo maridos, mães chorando por filhos, avós clamando pelos amados netos, corações dilacerados pela dor da perda.
O que consigo enxergar são só as nuvens negras sobre a paz...Que mundo é esse que ainda precisa das malditas guerras? De que adiantam artefatos de última geração, invenções mirabolantes, se as mentes continuam pensando como em eras pré-históricas?
Onde estão os super-heróis com seus superpoderes para salvar o planeta? Onde estão as fadas, os anjos e arcanjos, as varinhas de condão, os defensores do Bem, da Verdade e da Justiça, os anéis encantados, os magos, as criaturas poderosas? Onde se esconderam? Por que fugiram nesta hora crucial?
Não, meus amigos, não sou entendida em guerras, não compreendo e nunca vou compreender o que leva o ser humano a matar seu semelhante, seja em nome de que causa for. Não consigo entender porque inocentes precisam derramar seu precioso sangue por causas que não abraçaram, pela prepotência de governantes enlouquecidos. Não comungo com idéias destrutivas que precisam da violência para conseguir a paz, não quero presenciar o cenário dantesco, o solo tingido de sangue inocente, soldados obrigados a matar ou morrer por causa da insanidade de alguns.
A história do mundo pode ser mudada a qualquer momento. E nós todos somos coniventes quando consentimos que mentes obscuras comandem os destinos do planeta...
Não vou discorrer sobre a supremacia de um país sobre outro, sobre ditadores intransigentes, terrorismo, estratégias, sobre a Organização das Nações Unidas esmorecida, desacreditada, deixo isso aos doutores, aos que sabem argumentar e ser racionais.
Para uma poetisa, que usa a emoção ao invés da razão, uma guerra jamais será justa. Nela nunca haverá vencedores. Todos saem derrotados, todos perdemos...
Gostaria que tudo não passasse de um horrível pesadelo, e que eu fosse acordar pela manhã radiosa com o canto dos passarinhos, com o sol abençoando a vida, com as flores orvalhadas se abrindo e saudando mais um dia, com a esquecida paz reinando soberana...

Um comentário:

Adenize disse...

Muito sugestiva sua reflexão. A luta pelo poder a qualquer custo mostra o lado mais rudimentar do ser humano, aquilo que já não faz parte de nós, porque cientificamemte evoluimos, muito embora por vezes temos a impressão do contrário.Porém não podemos generalizar, o convite a sermos Promotores da Paz é para todas as pessoas mas inevitavelmente passa pelo contexto da Escolha.