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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O sábio fatal

O sábio fatal
Eloah Margoni

Sábio, e poderoso sim. Podia transformar uma coisa em qualquer outra:
Sal em pedra. Casca de banana em sapatos. Sacos plásticos em óculos (ou em bicicletas). Chicletes em tênis. Cera de abelha em lençóis e em suco de frutas ou num telefone celular, e assim por diante.
Como porém, qualquer destas ações, percebeu o sábio em seus longos anos de vida, se processasse com grande desprendimento energético aleatório, em alguma parte do Planeta, provocando terremotos, erupções vulcânicas, maremotos e tempestades destrutivas, o sábio, em sua extrema bondade, nunca fazia nada! Limitava-se a observar a passagem do tempo.
Decorreram séculos. Mas houve uma ocasião.... Ocorreu que este homem único afeiçoou-se a um simples e pequeno rato do campo. O rato mordiscava-lhe as mãos e entrava em sua camisa, passando pela gola, de forma engraçada. Até mesmo, suavemente, cantava-lhe canções de rato, que o homem ouvia com deleite. Era um grande afeto. Mas o rato sofreu um acidente e morreu, esmagado por uma pedra. O bom sábio ficou inconsolável. Nem pensou nas consequências ou não pode se controlar. Não ignorava que fazer reviver um ser, exigia uma transferência de energia sem limites. Quarks, quantuns, elétrons e nêutrons iriam se mover de uma ponta outra na Terra, catastroficamente. Nunca fizera nada parecido antes, nem jamais pretendera fazê-lo! Mas num impulso, ressuscitou seu amigo roedor, tal a insensatez do gostar.
Foi esta a única vez. Não teria sido possível, de qualquer forma, haver uma próxima.

Um comentário:

Marisa disse...

Que beleza de texto, Eloah! Ah, essa "insensatez do gostar" !... Receba toda a admiração da Marisa Bueloni