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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Visita ou novela? Plínio Montagner

Visita ou novela?
Plínio Montagner


As visitas estão na rabeira da tabela de qualquer compromisso.
Está com saudades da vovó? Do cunhado? Telefona, e pronto.
Mas, e o contato, a emoção, a etiqueta e o cafezinho que fortalece relações? Para que vão servir aquelas xícaras e talheres maravilhosos?
Visitar faz bem. Não é como conversar ao redor de uma mesa de bar, com barulho e presença de outros.
É bom conhecer ambientes, a decoração e como vivem seus donos. Isso não é bisbilhotar. É como um abraço social.
Visitar parentes próximos, até nossa mãe, a etiqueta ensina: avise, ou não vá, mesmo seja seu amigo de infância.
Trabalhamos em casa, nossa diversão é em casa, o computador é a ferramenta de nosso trabalho, a internet e a televisão nossa diversão impessoal.
A população sai de casa? Sim! para ir aos shoppings, à padaria, ao açougue, à farmácia, ao banco. A conversa minguou. Conversa de rua não vale, no banco é fria e desatenta, no hospital é triste. As visitas ficaram sem espaço e sem tempo.
O abraço escasseou; o sorriso ficou insosso, e a sinceridade duvidosa. Fofocar é divertido, piadas descontraem e falar sobre coisas boas e engraçadas fazem bem. Mas, onde conversar?
Aquelas salas de visitas lindas, com sofás e poltronas caríssimas, só deixam a sala bonita. Mas vazia. Os tapetes raros, as pinturas caras, os outros poderiam apreciar. Coisas belas e raras, e conforto, são como dinheiro, nada valem se escondidos e sem uso.
A cozinha - ah! A cozinha... Que lugar aconchegante era, cadeiras de palhinha do tempo dos nossos avós. As casas deveriam ser assim: uma cozinha enorme que servisse de sala de visitas, de almoço e de jantar.
Salas de jantar? São usadas só no dia de Natal e Ano Novo. Mas até nesses dias elas ficam intocáveis, e as conversas aguardadas - guardadas.
Como o corpo atrofia pelo desuso, a linguagem e a conversa também, ficam chochas. Estamos tão atarefados, e são tantos os compromissos, que perdemos o ímpeto de sair de casa para visitas; além de não ficar bem constranger um amigo, obrigando-lo, talvez, àquele corre-corre para se recompor e arrumar a bagunça dos netos. Daí, a TV liquida o assunto e a visita fica para depois.
Nossa vida ficou longa, mas socialmente breve.
Temos mais coisas, mas menos espaços; mais diversões, e menos tempo, mais amigos, e menos contatos.
Vemos mais os e-mails, o House, a Ophra, o Faustão, novelas e futebol.
Enturmar é preciso. Se as salas de visitas ociosas não acolhem tanto, nos instalemos então noutras mesas e poltronas para não perdermos o hábito de falar.



2 comentários:

Anônimo disse...

28/01/2010, 9:19:18 pm
Nome: Leda Coletti
Os textos dos escritores estão muito ricos em criatividade, conteúdo, e despertam ainda mais interesse, pelas bonitas ilustrações que Ivana acrescenta em cada um deles. Sua disponibilidade para com a literatura, quer nesse blog, quer na imprensa local, deve ser ressaltada e elogiada.Obrigada por proporcionar leituras dos colegas escritores. Abraços, Leda

Marisa Bueloni disse...

Maravilha, Plínio! Sim, você disse tudo, tudo, tudo. Que texto lindo! E muito verdadeiro. "Temos mais amigos e menos contatos" - esse é o tempo tecnológico em que vivemos. Teclamos em vez de ligar e conversar... Ou marcar uma visita. Pode isso? Bela reflexão, Plínio.
Abraços da Marisa Bueloni