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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A mutação das fadas

A MUTAÇÃO DAS FADAS
Cassio Camilo Almeida de Negri

O quintal da casa continuava em um bosque, igual àqueles que existem na imaginação das crianças.
Grossas árvores centenárias coloriam de verde a paisagem. O chão, forrado por grossa camada de folhas secas e em decomposição, pincelavam o local com nuances que iam do amarelo ao avermelhado.
A cada passo dado seu amassar ecoava singela melodia junto com agradável odor de musgo úmido.
Raios de sol por entre as árvores espaçadas se desenhavam ao refletirem-se nas gotículas de vapor e pólen suspensas no ar.
Um ou outro pássaro quebrava o silencio com seu cantar, convidando ao descanso do corpo e elevação do espírito.
Então, no pé da arvore, a terra começa a fender. Racha, e de dentro dela começa a sair horrendo ser escuro, parecendo asqueroso verme, com pernas angulosas e peludas e com espécie de gancho nas pontas .
Após um longo sono de dezessete anos, aquele monstro acorda. Ninguém sabe o que o despertou. Da terra mater, surgem aos milhares, milhões, incontáveis.
Com suas patas em gancho, vão subindo pelos troncos arbóreos quando desce o véu da noite negra.
Iluminados pela lua cheia, forram os troncos das árvores, como um horrendo exército de monstros. Param, agarrados em diversas alturas das plantas .
Em dado momento, seus dorsos se partem, numa metamorfose fantasmagórica ao luar. Dali emergem seres alados, com suas asas transparentes e rendilhadas, parecendo feitas de papel de seda.
No dia seguinte, um verdadeiro concerto musical ecoa pelo bosque.
São as fadas cigarras, anunciando o verão. Emergiram das trevas onde estiveram hibernando por dezessete anos, para, por alguns dias cantando, procriar o eterno ciclo da vida.

Um comentário:

Mel Redi disse...

FORMIDÁVEL! Parabéns Cassio! Parabéns Ivana por nos trazer esta beleza de prosa poética! Abraços, Maria Emília